Depois de anunciar o oficialmente os primeiros testes para o Real Digital no ano que vem por meio do Lift Challenge, que será uma edição especial do Lift Lab com um foco específico em testes de potenciais casos de uso do Real Digital, o Banco Central do Brasil declarou que pretende que em 2023 os brasileiros já estejam usando o CBDC.
Assim segundo declarou o BC para a Folha de São Paulo, a proposta é que em 2022 as soluções apresentadas por empresas para os casos de uso do Real Digital dentro do Lift Challenge sejam validados e que em 2023 testes mais amplos sejam realizados mas com a participação de parte da população, assim como vem fazendo a China com o Yuan Digital.
O BC declarou que como as empresas tem de 10 de janeiro de 2022 até 11 de fevereiro para apresentar os projetos de casos de uso para o Real Digital o regulador irá anunciar as propostas vencedoras em março e os vencedores tem até julho para apresentar as soluções desenvolvidas que serão então liberadas para testes, ainda internos no BC.
Depois de tudo validado dentro do BC a proposta é que testes mais amplos sejam liberados já em 2023, permitindo assim que brasileiros usem o Real Digital antes de seu lançamento oficial.
"As ações exigem uma infraestrutura mais robusta, que integrantes do sistema financeiro já possuem, mas qualquer projeto é bem-vindo. A pessoa poderá ter especificado em sua conta o dinheiro eletrônico, que é esse que já temos hoje no banco, e a moeda digital. A diferença é que algumas transações só poderão ser viabilizadas por meio do dinheiro virtual, como o uso programado", diz Rodrigoh Henriques, especialista da Fenasbac.
Dinheiro programável
Segundo declarou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o objetivo com o Real Digital é habilitar o sistema financeiro nacional para o futuro da economia e da evolução tecnológica. Desta forma, o CBDC nacional não tem um foco nos pagamentos de varejo, como o Yuan Digital chinês, mas em habiliar o 'dinheiro programável'
Assim, Campos Neto espera que o Real Digital possa habilitar soluçõe voltados à liquidação de transações com ativos digitais, tanto nativos do ambiente digital quanto tokenizados; voltados ao câmbio entre moedas; para a Internet das coisas (IoT), voltados à liquidação algorítmica ou diretamente entre máquinas; e finanças descentralizadas (DeFi).
"A iniciativa do Real Digital é uma resposta ao rápido progresso de transformação digital e à demanda da sociedade por meios nativos de liquidação em um novo ambiente. Avançamos muito desde a criação do grupo de trabalho sobre moedas digitais em 2020 e a cada passo dado amadurecemos as condições para que importantes ganhos de eficiência possam ser concretizados", afirmou Campos Neto.
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