O Brasil vem inovando no mercado de tokens RWA desde 2018, quando a exchange Mercado Bitcoin lançou os primeiros tokens do tipo no Brasil ligados a precatórios, e o banco BTG Pactual lançou o ReitzBZ, atrelado a uma cesta de imóveis da instituição. Agora o país ganhou mais 2 novos tipos de Real World Assets (RWA), ligados a contas offshore e recebíveis garantidos por notas fiscais tokenizadas.
O primeiro é um lançamento da BRX Finance, uma joint venture entre a Fuse Capital e a Transfero, que firmou uma parceria estratégica com a V360 para a gestão de notas fiscais tokenizadas de grandes empresas que buscam antecipar recebíveis para seus fornecedores.
A plataforma V360 já permite que fornecedores façam upload de notas fiscais, comprovando valores a receber em contratos que garantem pagamentos em até 60 dias. Essa antecipação pode ser feita a um desconto, transferindo a propriedade do título para o antecipador em troca de receber o valor imediatamente.
Izaías Miguel, co-CEO da V360, explica que, anteriormente, a única forma de realizar essa operação era por meio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) exclusivo. No entanto, a tecnologia blockchain tornou o processo mais eficiente e menos custoso.
Para essa operação, a BRX Finance utiliza a plataforma de crédito Kona Finance, que roda na blockchain Polygon. O processo é simples: o fornecedor seleciona os recebíveis que deseja antecipar na plataforma da V360, a informação das notas fiscais é estruturada e enviada para o Kona.
Este, por sua vez, antecipa o valor com desconto, gerindo a operação como um FIDC. João Zecchin, sócio da Fuse e cofundador da BRX, destaca que a operação é fechada, portanto, os tokens de recebíveis não são distribuídos no mercado, evitando as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A operação privada oferece uma série de vantagens, como menores custos e maior transparência.
“O registro na blockchain é 100% transparente e imutável”, afirma Zecchin. Esse modelo não apenas reduz os custos, mas também aumenta a confiança na transação, pois todos os registros são públicos e imutáveis.
Conta Offshore tokenizada
Além dos avanços na antecipação de recebíveis, a gestora de patrimônio Neela, em parceria com a tokenizadora SV Standard, desenvolveu um token de identidade digital registrado em blockchain. Esse token representa uma conta offshore, simplificando e reduzindo os custos de abertura e manutenção dessas contas.
Edrey Pierre, fundador e CEO da Neela, explica que o objetivo é facilitar o acesso a contas offshore para investidores com muitos recursos, mas pouca liquidez. No modelo tradicional, a abertura de uma conta offshore pode custar entre US$ 4 mil e US$ 5 mil, além de uma taxa anual de manutenção de US$ 3 mil.
Com o token da Neela, o processo é iniciado via aplicativo, enviando documentos diretamente para a equipe nas Bahamas. Após a aprovação, o investidor recebe um token que se torna sua personalidade jurídica.
O novo modelo reduz o tempo de abertura de uma conta offshore de 45 dias para apenas 10 dias úteis, além de eliminar os custos com intermediários. A estrutura da Neela já está em operação há sete meses, aprovada pelo governo das Bahamas. Pierre destaca que as taxas de administração são muito mais baixas: 2% para patrimônios de US$ 50 mil a US$ 350 mil; 1,5% para patrimônios de US$ 350 mil a US$ 500 mil; e 1% para patrimônios acima de US$ 500 mil.