Inteligência Artificial (IA) e mudanças climáticas estão entre os focos do Brasil, que assume a presidência o Brics em 1º de janeiro de 2025.
Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador Eduardo Saboia, sherpa (negociador-chefe) do Brics no próximo ano, afirmou que o grupo, pelo tamanho de sua população (mais de 40% do total global) e de sua economia (37% do PIB mundial por poder de compra), tem uma grande importância no cenário global. Isso porque o Brics, formado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia e China, ganhou novos países, em 2023, após a cúpula de Johannesburgo, na África do Sul. Na ocasião, o Brics convidou Argentina, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e Emirados Árabes, para se juntarem ao grupo a partir de janeiro de 2024. A Argentina decidiu não aderir, enquanto os demais participaram da cúpula deste ano, em Kazan, na Rússia.
Eduardo Saboia argumentou que a IA é um tema relevante uma vez que, segundo o embaixador, essa é uma tecnologia disruptiva.
“Não existe uma governança da inteligência artificial, mas essa é uma discussão que está ocorrendo. Quem sabe no Brics, durante a presidência brasileira, a gente possa avançar na ideia de ter uma visão desses países sobre como deve ser a governança da inteligência artificial”, explicou.
De acordo com Saboia, o Brics é uma força de construção e também estabilizadora.
“É estabilizadora porque se você tem esses países, que são muito diferentes e com sistemas políticos diferentes, cada um com seus desafios, se entendendo e eles se reúnem todo ano, isso é bom para todo mundo, porque dali saem soluções para a população”, justificou.
Segundo ele, a questão do clima é de especial interesse porque o Brasil sediará também neste ano, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30), em Belém.
“Como a gente pode aproveitar a presidência do Brics para construir um entendimento que possa ajudar para o êxito da COP-30? Os países que são membros do Brics têm um papel central na questão da energia, que é a principal fonte de emissões de gases do efeito estufa”, afirmou.
O embaixador disse ainda que, “se você quer construir um mundo melhor, um mundo sustentável, o Brics tem que ser parte dessa construção. E é importante que haja um entendimento entre esses países, porque esse entendimento ajuda você a alcançar um entendimento mais amplo [com outros países]”.
Esse mês, o Projeto de Lei 2.338/2023, que prevê a regulamentação da IA no país, foi aprovado no Senado sob críticas da oposição a ‘controle estatal, restrições à inovação e riscos de censura’. A proposta seguiu para apreciação na Câmara dos Deputados, onde deve enfrentar resistência da oposição e do lobby das Big Techs, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.