Em julho, brasileiros movimentaram R$ 18,8 bilhões através de criptomoedas, apontam dados da Receita Federal. O volume é 11,4% menor em comparação ao mês anterior. As negociações com USDT representaram 81,6% do volume movimentado em julho, que também foi o mês com o menor volume negociado de Bitcoin (BTC).

Stablecoins seguem dominando

No Brasil, as stablecoins dominam de forma absoluta as movimentações com criptoativos. O Tether USD (USDT) foi responsável, em julho, por movimentar R$ 15,3 bilhões. O montante é 81,6% do total. 

A stablecoin USD Coin (USDC) ficou com o segundo maior volume movimentado, totalizando R$ 838 milhões. A terceira stablecoin mais utilizada pelos brasileiros foi a BRZ que, diferente do USDT e do USDC, é um ativo ligado ao real. Em julho, as negociações com BRZ somaram R$ 641 milhões.

O volume combinado das três stablecoins mais utilizadas pelos brasileiros é de R$ 16,86 bilhões, representando 90% de todo o volume negociado em julho. 

Razões para a dominância

Carlos Lain, CEO da PagCripto, avalia que dois principais motivos estão por trás da dominância das stablecoins nos volumes negociados no Brasil: pagamentos e operações de liquidez.

“Muitos usuários de criptomoedas usam stablecoins para pagamentos”, explica Lain. “E é muito mais vantajoso operar com stablecoin para fazer negociações com outras criptomoedas lá fora. O spread cobrado é menor, porque stablecoins são menos voláteis e representam um risco de perda menor. Porém você só vê essas diferenças em provedores de liquidez, market makers e P2P”, acrescenta.

Na prática, Lain explica que a movimentação de grandes valores em outros criptoativos cobram uma diferença maior no custo de aquisição, devido ao risco de volatilidade. 

“Se eu preciso fornecer liquidez de 3,5 BTC para você, é o equivalente a US$ 100 mil. Eu fecho o acordo em dólar com o banco agora e considero 0,1% de volatilidade frente a stablecoin no pior cenário. O banco demorará de três a quatro horas para liquidar e receber isso, e só nesse momento poderei te entregar o montante em USDT. Agora, com o BTC, essa diferença de quatro horas pode mudar uma vida, possivelmente muito maior do que 0,1%.”

Nesse cenário, Lain exemplifica mencionando uma movimentação hipotética usando Bitcoin, na qual o risco geraria um acréscimo de 0,1% no custo de aquisição. Usando USDT, na mesma situação, o custo seria de 0,02%.

“Essa diferença de 0,08%, na cotação atual do dólar, representa R$ 0,004. Em uma transação de US$ 100 mil, o custo aumenta em R$ 400, e algumas instituições movimentam de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões por dia”, conta.

Baixos volumes

O menor volume de Bitcoin negociado, em 2023, foi registrado no mês de julho. Ao todo, investidores brasileiros movimentaram R$ 737 milhões em BTC, montante que é 26,3% menor em relação a junho.

As negociações com Ethereum (ETH) também exibiram quedas em julho, somando R$ 150 milhões e se mostrando 29% menores. Criptoativos como Solana (SOL), Cardano (ADA), Litecoin (LTC) e Polygon (MATIC) marcaram presença entre os dez mais negociados no mesmo período.

Além disso, julho sedimenta um dado interessante: pelo quarto mês consecutivo, o Bitcoin Gold (BTG) esteve entre os ativos digitais mais negociados por brasileiros, nos dados da Receita Federal. Ao todo, R$ 10,37 milhões foram negociados em BTG em julho.

Em 2021, um pico no volume negociado do Bitcoin Gold foi registrado, após investidores confundirem a sigla do ativo com ações do banco BTG Pactual. 

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