Bloco formado por favelas brasileiras desenvolve app em blockchain para apoiar moradores

Utilizar a tecnologia blockchain foi o caminho encontrado pela organização G10 Favelas, em parceria com a plataforma eSolidar e o Canal Transformadores, para apoiar residentes de áreas em estado de alta vulnerabilidade financeira.

A eSolidificar, plataforma sem fins lucrativos que angaria fundos para causas solidárias, foi a responsável pelo desenvolvimento do aplicativo baseado em blockchain, que disponibilizará aos moradores de algumas das maiores favelas brasileiras valores diários que poderão ser usados para compras do dia a dia, como comida, gás e produtos de higiene pessoal.

Marco Barbosa, fundador e CEO da eSolidar explicou, em entrevista à revista Empreender:

“Vemos esta tecnologia com um enorme potencial. Em especial para permitir a qualquer pessoa o acesso a serviços financeiros, que é uma das principais razões para a pobreza. Vamos implementar uma das mais ousadas abordagens para erradicação da pobreza, uma renda mínima garantida (Universal Basic Income), usando blockchain, junto de um grupo pré-selecionado de pessoas que vivem em favelas e estão em situação de alta vulnerabilidade.”

O app tem previsão de lançamento para março de 2020 e será incialmente destinado aos moradores de Paraisópolis. Passada a fase de testes, os organizadores do projeto pretendem ampliá-lo para as demais comunidades.

Protagonismo econômico

A iniciativa faz parte de um fundo de financiamento coletivo que pretende arrecadar R$ 2 milhões para estimular o protagonismo econômico e o desenvolvimento de negócios de impacto social nas maiores favelas do Brasil.

“15% do fundo será destinado à pessoas físicas residentes na Comunidade de Paraisópolis e que estejam em condição de alta vulnerabilidade, por meio da tecnologia blockchain, passando a circular mais dinheiro nessas regiões urbanas”, destaca a campanha de crowdfunding no site da eSolididar.

A outra parte da arrecadação será destinado para o desenvolvimento de ideias e geração de negócios de impacto social das comunidades integrantes do G10.  

Fazem parte do grupo as favelas Rocinha (RJ), Rio das Pedras (RJ), Hiliópolis (SP), Paraisópolis (SP), Cidade de Deus (AM), Baixada de Condor (PA), Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA), Casa Amarela (PE), Coroadinho (MA) e Sol Nascente (DF).

“O fundo pretende apoiar empreendedores, gerando emprego e atraindo investimentos para as favelas. É uma iniciativa modelo que vai mudar a forma como realizamos captação de recursos, fazendo o processo mais eficiente, colaborativo e conectado a uma rede de apoio”, pondera Gilson Rodrigues, membro do G10 e líder comunitário da favela de Paraisópolis para a Folha de S. Paulo.

As favelas brasileiras têm sido um terreno fértil para aplicação de projetos baseados em blockchain. No início de 2019, a Socialblocks lançou seu projeto-piloto no Cantagalo, no Rio de Janeiro. O consórcio R3 e o Banco da Maré, da favela de mesmo nome na capital fluminense, também atuam com projetos no setor.