A utilização da tecnologia blockchain, que serve de base para as criptomoedas, ainda caminha de forma modesta no ambiente empresarial. Esta é uma das conclusões da edição de 2023 da pesquisa “Agenda”, realizada pela empresa de auditoria, consultoria e assessoria financeira Delloite. O levantamento que mapeou as principais tecnologias no radar do empresariado contou com a participação de 501 empresas brasileiras, que respondem por um faturamento de R$ 2,1 trilhões, 21% do Produto Interno Bruto (PIB) 21% do país, e foi realizada entre os dias 2 de fevereiro e 5 de março.

“Os executivos brasileiros sabem que uma agenda de investimentos estratégicos, principalmente em tecnologia e inovação, será fundamental para transformar as atividades das empresas, a fim de que mantenham a competitividade num cenário corporativo desafiador”, destacou o sócio-líder de Market Development da Deloitte, João Gumiero. 

No caso da blockchain, 5% das empresas entrevistadas informaram que utilizam a tecnologia enquanto 9% revelaram que se encontram em fase de testes. Em relação às áreas, a adoção da tecnologia disruptiva é distribuída em áreas como administração e atendimento a clientes (4%), gestão, contabilidade ou fiscal (3%), gerenciamento de fornecedores e logística (3%), processos e vendas (2%) e gestão de arquivos (25). Por outro lado, 43% das empresas participantes informaram que não utilizam e não pretendem adotar a tecnologia.

Em relação à Inteligência Artificial (IA), quase 70% das empresas investirão na tecnologia em 2023. Segundo o levantamento, 20% já usam IA com a perspectiva de aumento de aportes em 14 % dos casos. O relatório da Delloite apontou ainda que 20% das empresas possuem aplicações em fase de testes e que 31% pretendem iniciar ainda este ano enquanto 16% informaram que não pretendem adotar a IA e 16% não souberam responder.

Quanto às áreas predominantes da IA, 13% se concentram no suporte a atendimento aos clientes, 8% de destinam à inteligência de mercado, 7% para o marketing, mesmo percentual da gestão financeira, contábil e fiscal, 6% para vendas, 4% se direcionam para análise de crédito, mesmo percentual de riscos operacionais. 

Outro destaque da pesquisa foi a migração massiva para os serviços de nuvem (Cloud). Segundo o levantamento, 37% das empresas já fizeram a migração quase que totalmente para esse ambiente e 52% se encontram em algum estágio dessa migração. Em relação a esse montante, 28% das empresas já concluíram cerca de 50% da migração, 14% se encontram em fase inicial e 10% pretendem iniciar ainda em 2023 ao passo que 3% informaram que não pretendem migrar e 8% não souberam responder.

Entre outros dados, a pesquisa revelou ainda que 49% das empresas pretendem aumentar seus investimentos em Business Intelligence (BI), 60% devem fortalecer seus recursos em análise de dados (Data Analytics) e 12% querem se concentrar em IIoT (Industrial Internet of Things), tecnologia relacionada à automação de processos produtivos. 

Quem também está de olho no avanço das tecnologias disruptivas é o governo brasileiro, que liberou R$ 61,6 milhões para projetos de pesquisa e inovação que incluem blockchain, IA e Web3 na Saúde, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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