A BlackRock anunciou nesta, terça, 27, durante um evento em sua sede em São Paulo, o lançamento de seu ETF spot de Ethereum, o iShares Ethereum Trust (ETHA), no Brasil. Assim como realizado com o ETF spot de Bitcoin, o produto será comercializado como BDR em parceria com a B3.

O anúncio foi feito por Cristiano Castro, diretor da BlackRock no Brasil ao lado de Felipe Gonçalves, superintendente de Produtos de Juros e Moedas da B3. O ETF será listado na B3, com o ticker ETHA39, e estará disponível para investidores qualificados e para investidores de varejo já a partir de 28 de agosto com investimento mínimo entre R$ 45 e R$ 50.

"Quanto ao preço, ele deve ficar entre R$ 45 e R$ 50, mas isso ainda depende da abertura do mercado amanhã. Em termos de conversão, quatro BDRs de ETFs no exterior equivalerão a três BDRs de ETFs aqui no Brasil, oferecendo uma proporcionalidade justa.

A BlackRock, ao longo do tempo, percebeu que, dada a crescente demanda dos clientes, era necessário institucionalizar as questões digitais em escala global. Este ano foi particularmente importante para nós, começando em janeiro com o lançamento do IBIT39, junto com o BDF aqui no Brasil. Esse ETF registrou o crescimento mais rápido na história dos ETFs, alcançando resultados expressivos em um curto período de três meses.

Isso demonstra que a estratégia da BlackRock visa facilitar o acesso ao mercado de capitais de maneira mais simplificada, atendendo a uma demanda reprimida", disse.

Castro também apontou que a empresa segue uma governança unificada para todos seus ETFs globais, que hoje somam mais de 1.300 produtos ao redor do mundo, "utilizamos um processo semelhante ao de uma fábrica de manufatura, onde, ao longo do tempo, estabelecemos uma governança sólida que aplicamos a qualquer tipo de ativo ou ETF que lançamos", afirmou.

"Aplicamos o mesmo processo ao lançamento do ETF IBIT 39. Como vocês sabem, os BDRs de ETFs são sempre lastreados por ativos. No caso do IBIT39, ele é lastreado no iShares Ethereum Trust, um ETF baseado no exterior. Nós o disponibilizamos em parceria com a B3, na forma de um BDR de ETF local", afirmou.

Felipe Gonçalves, superintendente de Produtos de Juros e Moedas da B3, destacou que o mercado de cripto na B3 possui um patrimônio líquido de aproximadamente R$ 5,5 bilhões e mais de 180 mil investidores, com um volume diário de negociações em torno de R$ 50 milhões.

"Em alguns dias, já alcançamos mais de R$ 200 milhões negociados, o que demonstra o grande interesse do mercado por esse tipo de produto", disse.

Além disso, na B3, ele apontou que há derivativos de balcão atrelados a criptomoedas "e, este ano, lançamos o futuro de Bitcoin, um produto que tem crescido significativamente. Atualmente, ele movimenta cerca de R$ 5 bilhões por dia e já conta com mais de 20 mil investidores", revelou.

"Acreditamos que esses produtos são complementares, e é importante que a BlackRock e nossos outros parceiros continuem lançando novos produtos, pois isso enriquece o mercado, tornando-o mais saudável e diversificado", revelou.

Castro revelou que 63% das pessoas que compraram pela primeira vez cripto através do iShares estavam fazendo seu primeiro investimento com a BlackRock.

"Isso é um dado muito poderoso, pois mostra que estamos trazendo um número significativo de novos investidores, que estão tendo sua primeira experiência com a BlackRock. Este é um instrumento ainda muito voltado para a pessoa física, que busca uma alternativa mais segura em comparação a ter uma wallet própria, preferindo centralizar seus investimentos em uma única plataforma, onde se sente mais confortável gerenciando toda a sua vida financeira dentro do mercado de capitais", destacou.

Outro ponto importante, segundo o executivo, é que, embora vejamos outros players globais entrando no mercado cripto, o número de clientes institucionais ainda é relativamente baixo.

"Isso se deve, em grande parte, ao fato de que clientes institucionais precisam passar por processos de aprovação complexos, como a inclusão desses produtos nos seus mandatos, o que naturalmente leva mais tempo. O investidor institucional tende a ser um "late adopter", levando um tempo maior para incorporar essas novas opções de investimento, pois precisa de um caso sólido aprovado por comitê", disse.

Ainda segundo ele, quando se trata do Ethereum, o investidor que olha para essa criptomoeda geralmente tem uma visão mais ampla. Ele considera aspectos como registros organizacionais, finanças descentralizadas e o potencial de acesso a uma parcela maior da população.

O executivo da BlackRock destacou também que diferentemente de um ativo normal, onde, durante um IPO, você tem níveis de liquidez primária e secundária, no caso dos ETFs, se houver maior demanda ao longo do tempo, é possível gerar mais cotas. O ETF permite alocar inscrições de cotas, onde você adquire o ativo subjacente, monta a cesta e entrega ao investidor, oferecendo assim uma flexibilidade maior.

"Um ponto importante a destacar é que esse BDR de ETF específico já está aprovado para o varejo, o que não é verdade para todos os produtos. Mais de dois terços dos BDRs de ETFs estão aprovados para o varejo, e este já começa com essa aprovação. Isso mostra que é um instrumento voltado para o público de varejo, permitindo acesso a um preço acessível para o investidor comum", disse.

ETF spot de Ethereum

O ETHA, no Brasil, será um BDR de ETF. Os Brazilian Depositary Receipts de ETFs estrangeiros (BDR de ETF) são valores mobiliários emitidos no Brasil, que possuem como lastro cotas de ETFs emitidos no Exterior.

Para emissão do BDR de ETF, o administrador dos ETFs no Exterior deve celebrar um contrato no Brasil com uma instituição depositária, a qual será responsável por emitir os BDRs.
A instituição depositária tem como responsabilidade garantir que os BDRs de ETF emitidos no Brasil de fato estejam lastreados nos valores mobiliários emitidos no Exterior.

Desta forma, a instituição depositária mantém uma conta em um custodiante no Exterior onde permanecem depositados e bloqueados os respectivos valores mobiliários utilizados como lastro dos BDRs de ETF. A instituição depositária deve garantir que não haja qualquer descasamento entre o saldo dos valores mobiliários no Exterior e dos BDRs emitidos.

Recentemente, a BlackRock alcançou um marco significativo com seu ETF de Ethereum (ETH) à vista, o iShares Ethereum Trust (ETHA), que superou a marca de US$ 1 bilhão em entradas líquidas. Este ETF, lançado em 23 de julho de 2024, é o primeiro nos EUA a atingir esse patamar, refletindo um crescente interesse dos investidores em produtos financeiros baseados em Ethereum.

O crescimento do ETHA foi mais gradual em comparação com o ETF de Bitcoin da BlackRock, que atingiu US$ 1 bilhão em apenas quatro dias após o lançamento. A trajetória mais lenta, mas estável, do ETHA indica um interesse crescente e sustentado por parte dos investidores em Ethereum, diferentemente do comportamento mais volátil observado em produtos baseados em Bitcoin.

Além disso, a BlackRock, em parceria com a Nasdaq, entrou com um pedido junto à SEC para introduzir opções no ETF de Ethereum. Essa medida é vista como um passo importante para a aceitação mainstream desses produtos, permitindo aos investidores uma forma adicional de exposição ao Ethereum, com custos relativamente menores e a possibilidade de hedging.