Bitcoin viola leis da Sharia diz o mais alto representante religioso do Egito e emite Fatwa

O maior representante da lei religiosa do Egito, o Grande Mufti Shawki Allam, disse que o comércio de Bitcoin é "ilegal" sob a lei da Sharia, divulgou hoje o Ahram, uma publicação on-line. Na fatwa emitida na segunda-feira, Allam escreveu que o Bitcoin não é uma "interface aceitável de câmbio" e, portanto, é ilegal fazer negócios com ele. O clérigo também citou o potencial do Bitcoin para a lavagem de dinheiro e apontou que, por não estar sujeito ao controle de nenhum governo, o Bitcoin poderia enfraquecer a economia egípcia.

Allam afirmou ainda que o Bitcoin afeta negativamente a "segurança jurídica dos negociantes" e que:

"Bitcoin é proibido na Sharia, pois causa danos a indivíduos, grupos e instituições".

Um dos conselheiros do Grande Mufti disse à BBC que o Bitcoin é "usado para financiar terroristas diretamente". O governo egípcio também não é grande fã de criptomoedas, tendo chamado o Bitcoin de "uma forma de enganação que é passível de punição legal".

Halal ou não?

Em fevereiro de 2017 a Cointelegraph falou com vários especialistas sobre o status do Bitcoin sob a lei da Sharia. Matthew Martin da Blossom Finance explicou sua crença de que o Bitcoin é halal, escrevendo:

"Como uma rede de pagamento, o Bitcoin é halal. Na verdade, o Bitcoin vai além do que as redes bancárias fechadas mais convencionais oferecem. Ao contrário das redes bancárias convencionais que usam livros-razão privados, que não garantem que o originador realmente detém os ativos subjacentes, o Bitcoin garante com certeza matemática que o originador da transferência possui os ativos subjacentes. Os bancos convencionais operam usando o princípio da reserva fracionada, que é proibida no Islã".

Matthew concordou que o Bitcoin provavelmente não seria considerado dinheiro sob a lei islâmica:

"Historicamente, porém, o Islã só reconhece commodities de valor intrínseco como dinheiro, incluindo coisas como ouro (Dinar), prata (Dirham); arroz, tâmara, trigo, cevada e sal. Em uma interpretação mais estrita do que se qualifica como dinheiro, o Bitcoin provavelmente não recebe tal marca".