O lançamento da rede principal (mainnet) da Babylon promete inaugurar uma nova era de geração de renda passiva e novos casos de uso para o Bitcoin (BTC). Ao permitir que usuários façam staking de BTC para garantir a segurança de redes de prova-de-participação (PoS), a Babylon abre caminho para o estabelecimento de um novo segmento de mercado que pode alcançar US$ 54 bilhões em poucos meses, de acordo com Orlando Telles, analista do On Crypto Pro.
Em 22 de agosto, a Babylon lançou sua mainnet (rede principal) para que usuários possam fazer staking de Bitcoin nativo. Em poucas horas o limite inicial de 1.000 BTC foi alcançado, gerando um aumento de atividade na rede e a elevação de quase 1.000% das taxas de transação.
O mecanismo de staking autocustodial desenvolvido pela Babylon permite que os usuários bloqueiem seus BTCs em um vault (cofre, em tradução livre) na própria blockchain do Bitcoin, mantendo a custódia de seus ativos.
Embora existam outras soluções de staking de BTC em desenvolvimento, a Babylon preserva a natureza descentralizada e não permissionada do Bitcoin. A partir de agora, os detentores de BTC podem obter rendimentos sobre as suas participações, sem a necessidade de recorrer a pontes, versões sintéticas ou confiando suas moedas a terceiros.
Embora parte da comunidade de criptomoedas defenda que o Bitcoin deve manter seu propósito original como reserva de valor, a falta de casos de uso adicionais limita seu potencial como ativo financeiro, segundo Telles.
O analista afirma que a Babylon criou uma solução capaz de otimizar o capital alocado no Bitcoin, dando margem ao surgimento de novos casos de uso no ecossistema da criptomoeda pioneira:
"Existem 1,2 trilhões de dólares travados em Bitcoin que não geram rendimentos de forma nativa, ao contrário do Ethereum ou da Solana, que podem ser rentabilizados com operações de staking."
Como funciona o staking de Bitcoin da Babylon
O mecanismo utilizado pela Babylon é similar ao de protocolos de restaking de protocolos que operam na Ethereum (ETH) e na Solana (SOL), como Eigen Layer ou Jito, explica Telles.
O usuário deposita seus Bitcoins em um cofre seguro (vault), o qual somente ele pode acessar. Enquanto estão bloqueados, os Bitcoins são utilizados para validar transações e garantir a segurança de redes blockchain PoS, sem que as moedas saiam efetivamente da custódia dos seus proprietários.
Para garantir a segurança e a integridade do processo, a Babylon implementa mecanismos para garantir que os participantes sigam regras pré-estabelecidas. Se um usuário tentar agir de má-fé, há consequências que podem resultar na perda de parte ou totalidade dos Bitcoins bloqueados, assim como ocorre em protocolos de staking de redes que utilizam a prova-de-participação como mecanismo de consenso.
Cabe ao protocolo da Babylon gerenciar funções essenciais para o funcionamento do mecanismo: serviço de registro de data e hora (timestamping), que garante a sincronização com a rede Bitcoin; a conexão do Bitcoin bloqueado com as redes PoS e o rastreio de informações de staking/validação; e o registro de assinatura de finalidade das redes PoS.
A Babylon foi construída sobre a infraestrutura da Cosmos (ATOM), devido à arquitetura modular e flexível da rede, beneficiando-se de seus recursos de interoperabilidade, escalabilidade e personalização, permitindo a adaptação do protocolo às necessidades específicas do staking de Bitcoin.
Potencial de mercado do staking de Bitcoin
A projeção de que o mercado de staking de Bitcoin pode alcançar US$ 54 bilhões nos próximos meses foi feita por Telles com base nas métricas do setor nos ecossistemas da Ethereum e da Solana.
Atualmente, 65% do suprimento circulante do SOL está em staking. Na Ethereum, há 28% do suprimento circulante em staking e 4,6% alocado em protocolos de restaking. Com base nesses números, "é razoável estimar que esse segmento pode chegar a US$ 54 bilhões em alguns meses, cerca de 64% do valor total do mercado de DeFi (finanças descentralizadas) hoje", projeta Telles.
Além dos rendimentos provenientes do staking de Bitcoin, usuários que interagirem com a Babylon e outros protocolos do setor, especialmente em seus estágios iniciais de desenvolvimento, podem ser premiados com airdrops de criptomoedas, acredita o analista:
"Existem alguns caminhos para se posicionar para a narrativa de staking do Bitcoin. Um dos mais efetivos são os airdrops das soluções de staking líquido associado a ele como Lombard, Solv e Bedrock, e a própria Babylon."
Telles também recomenda que os investidores fiquem atentos a projetos que possam se posicionar para buscar exposição indireta à Babylon e ao ecossistema de staking de Bitcoin. O analista cita a Pendle (PENDLE) como um dos principais candidatos.
Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, a equipe da Pendle tem planos de expansão do protocolo focados nos ecossistemas do Bitcoin e de ativos do mundo real (RWA).