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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Pressão sobre mineradores de Bitcoin atinge nível do inverno cripto de 2022 e sinaliza capitulação

Com dificuldade em alta e taxas de rede nos menores níveis desde 2011, o setor de mineração entra em zona de alerta que pode pressionar ainda mais para baixo preço do Bitcoin.

Pressão sobre mineradores de Bitcoin atinge nível do inverno cripto de 2022 e sinaliza capitulação
Análise de mercado

Resumo da notícia:

  • A rentabilidade dos mineradores de Bitcoin atinge níveis críticos, comparáveis aos do inverno cripto de 2022,.

  • A pressão é acentuada pelas taxas de transação da rede, que atualmente registram os menores patamares desde abril de 2011.

  • Historicamente, eventos de capitulação de mineradores funcionam como um mecanismo de "limpeza" do mercado, precedendo fundos de preço.

O declínio do hash rate do Bitcoin (BTC) para seus níveis mais baixos desde setembro sinaliza que uma capitulação dos mineradores pode estar a caminho. Caracterizado pela liquidação das reservas de mineradores ineficientes para cobertura de custos operacionais, o evento tradicionalmente impacta negativamente o preço do BTC.

João Wedson, fundador da plataforma de análise de dados on-chain Alphractal, alertou em uma postagem no X que os mineradores estão sob pressão devido à queda do preço do Bitcoin e da receita proveniente das taxas de transação.

Embora a dificuldade de mineração tenha recuado em resposta à queda no poder computacional da rede, o ajuste automático ainda mantém o indicador em patamares relativamente altos. 

Essa combinação de fatores desestimula a manutenção das atividades, uma vez que os custos operacionais permanecem elevados frente ao retorno financeiro reduzido.

Wedson destaca que essa pressão é agravada pelo fato de as taxas de transação na blockchain do Bitcoin terem atingido os níveis mais baixos desde abril de 2011:

“Uma das principais razões para as taxas serem tão baixas é a falta de interesse em movimentar BTC na blockchain. O volume de transações também está no nível mais baixo em anos. A preferência dos investidores por manter BTC em exchanges (usando-as como carteiras), somada ao uso crescente de stablecoins e soluções de segunda camada (Layer-2), contribui para essa situação.”

Com a redução da receita das taxas, os mineradores tornam-se quase exclusivamente dependentes da recompensa fixa por bloco minerado, que foi reduzida de 6,25 BTC para 3,125 BTC no último halving.

Taxas totais na rede do Bitcoin. Fonte: Alphractal

Indicador on-chain remete ao inverno cripto de 2022

Wedson aponta também que o Múltiplo de Puell, indicador que avalia a receita dos mineradores em relação à sua média móvel anual, encontra-se atualmente em níveis semelhantes aos observados nos estágios iniciais do mercado de baixa de 2022:

“O múltiplo de Puell está atualmente nos mesmos níveis observados entre janeiro e março de 2022. Isso é interessante porque muitos estão comparando a atual ação de preço do BTC com aquele período exato. Isso sugere que o sentimento dos mineradores — e a lucratividade — também são bastante semelhantes.”
Múltiplo de Puell do Bitcoin. Fonte: Alphractal

Embora o cenário seja desafiador, Wedson pondera que uma capitulação total ainda não ocorreu, segundo o “Hash Capitulation Oscillator”. No entanto, “o indicador sugere que um ambiente altamente competitivo combinado à redução da demanda on-chain pode forçar um processo de venda compulsória no curto prazo”, afirma Wedson.

Hash Capitulation Oscilator do Bitcoin. Fonte: Alphractal

Atualmente, os mineradores detêm cerca de 2 milhões de BTC (mais de R$ 600 bilhões em valores atuais). Uma eventual capitulação, portanto, tende a amplificar a pressão vendedora.

Apesar do impacto negativo no curto prazo, esses eventos funcionam como um movimento necessário para que o mercado se restabeleça em condições mais saudáveis, afirma Wedson em depoimento ao Cointelegraph Brasil:

“Historicamente, capitulações marcam bons fundos de preço: eliminam operações ineficientes, ajustam a dificuldade para baixo e removem ‘mãos fracas’, abrindo caminho para recuperações fortes no médio prazo. Em cenários de adoção institucional crescente, isso pode funcionar como um catalisador positivo após o reset.”

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, a queda do hash rate do Bitcoin pode ser atribuída à demanda crescente por energia para processamento de dados de inteligência artificial (IA), setor que hoje oferece margens de lucro mais atraentes.

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