Resumo da notícia:
Pela primeira vez na história, o Ethereum supera o Bitcoin em número de endereços ativos diários.
O crescimento foi impulsionado pela atualização Fusaka e por um influxo recorde de novos usuários, levando a rede ao seu maior patamar de atividade em 10 anos.
Analista destaca que o crescimento foi acompanhado por uma alta taxa de retenção de usuários.
Pela primeira vez na história do mercado de criptomoedas, a Ethereum superou o Bitcoin em número de endereços ativos diários. O movimento, iniciado em dezembro de 2025 e consolidado em janeiro de 2026, mostra o Ethereum com uma média de 950 mil endereços ativos frente aos 650 mil do Bitcoin, de acordo com dados do The Block.

O “flippening” (inversão de posições entre o ETH e o BTC) sinaliza uma mudança estrutural no ecossistema mais amplo de criptoativos, em que a utilidade e os casos de uso da rede de contratos inteligentes concentra a maior quantidade de usuários.
Em análise exclusiva para o Cointelegraph Brasil, Victor Alfa, economista, cientista de dados, head de conteúdo do DeFiverso e diretor de pesquisa da WeSearch, destaca que o número de endereços ativos diários do Ethereum atingiu seu maior patamar em uma década, com um crescimento de 39% em um mês.
Acompanhado por um recorde histórico de 2,8 milhões de transações diárias, o crescimento reflete uma expansão acelerada da base de usuários da rede, que tem registrado picos expressivos na criação de novas carteiras.
Victor ressalta que mais do que apenas agregar novos usuários, a Ethereum vem apresentando uma alta taxa de retenção graças ao seu ecossistema de aplicações descentralizadas (dApps):
"A taxa de retenção de atividade mensal do Ethereum está mostrando um pico bem acentuado no grupo de usuários novos, o que indica um crescimento significativo no número de endereços que fizeram interações pela primeira vez nos últimos 30 dias.”

O aumento na atividade da rede foi acompanhado pela reversão do fluxo de saques e depósitos em staking. Atualmente, a fila de saída para validadores de ETH está praticamente zerada, enquanto a fila de entrada atingiu o nível histórico de 2.733.298 ETH.

Atualmente, o número recorde de 36,1 milhões de ETH está travado em staking. Equivalentes a aproximadamente US$ 120 bilhões, o montante representa 30% do suprimento circulante do Ether.
Segundo Victor, além de reforçar a relevância do ecossistema da Ethereum no mercado de criptoativos, a retirada de moedas de circulação tende a ter um impacto positivo sobre o preço do Ether (ETH):
"Essa demanda insana para staking de Ethereum sugere que os investidores estão sendo atraídos possivelmente por ganhos com aplicações descentralizadas, impulsionando uma fase de acumulação e confiança crescente na blockchain, o que pode levar a uma maior escassez de ETH circulante e impactar positivamente os preços no médio prazo."
O crescimento recorde é apontado como consequência direta da atualização Fusaka, que otimizou a escalabilidade da rede e a circulação de capital por meio de soluções de Camada 2 (L2):
"Não deve ser coincidência que o aumento recorde nas carteiras Ethereum, com uma média de 327 mil novas por dia e um pico de 393 mil, veio logo após a atualização Fusaka, que trouxe melhorias na escalabilidade e na eficiência da rede, tornando o ecossistema mais atraente para desenvolvedores e usuários comuns. Além disso, os fluxos massivos de stablecoins para a rede Ethereum, impulsionados por investidores buscando rendimento seguro em meio a volatilidades globais, ajudaram a amplificar essa adoção."
Ethereum e Bitcoin: Propostas de valor diferentes e complementares
Embora o Bitcoin (BTC) mantenha sua soberania como a maior criptomoeda em capitalização de mercado e principal reserva de valor digital, a Ethereum consolida sua posição como a infraestrutura líder para aplicações programáveis.
A Ethereum mantém a liderança em setores-chave do mercado cripto como finanças descentralizadas (DeFi), tokenização de ativos reais (RWA) e stablecoins, consolidando-se como a principal camada de liquidez do novo sistema financeiro digital.
O “flippening” em endereços ativos marca um ponto de inflexão para o mercado cripto, sugerindo que a utilidade da rede começou a pesar tanto quanto a reserva de valor na atração de novos usuários.
Para André Franco, CEO da Boost Research, o diferencial da Ethereum em relação às suas concorrentes diretas é justamente sua variedade de casos de uso reais.
Com uma infraestrutura tecnológica fortalecida por um roadmap confiável e consistente, a Ethereum está posicionada para liderar uma nova fase de adoção em massa sustentada por novos produtos financeiros, afirma o analista:
“Enquanto muitas redes competem por atração, o capital e os novos usuários continuam escolhendo liquidez, segurança e padrão institucional. A infraestrutura vence o marketing no longo prazo.”
As métricas ascendentes da rede refletem-se no mercado institucional: na semana passada, os ETFs de Ether registraram um saldo positivo de US$ 553 milhões, de acordo com dados da CoinShares. Foi a melhor semana dos produtos de investimento em criptoativos desde outubro de 2025, com um total de US$ 2,17 bilhões em entradas, conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil.

