A decisão da gigante automotiva Tesla, do bilionário Elon Musk, de suspender os pagamentos em Bitcoin para a compra de carros elétricos teve grande impacto no mercado de criptomoedas, com o Bitcoin caindo mais de 10% em um dia depois do anúncio.

A notícia também teve impactos no mercado brasileiro, com especialistas e players do setor se mobilizando para explicar a decisão da empresa, propor alternativas e ainda analisar como isso pode refletir no mercado a médio prazo.

A maior exchange do Brasil, a Mercado Bitcoin, falou brevemente à CNN sobre o tema. O diretor da MB, Fabrício Tota, sugeriu que a Tesla adote tokens de crédito de carbono como o da brasileira MOSS, o MCO2, para neutralizar o impacto da produção do Bitcoin.

Como noticiou o Cointelegraph Brasil anteriormente, para cada Bitcoin é preciso dois tokens MCO2, que representam uma tonelada de CO2 cada, para neutralizar o impacto ambiental de cada BTC. Luis Adaime, fundador da MOSS, falou ao Cointelegraph:

"Acho que o grande ponto da neutralização dos Bitcoins com créditos de carbono é que é muito mais barato e completamente irrelevante do ponto de vista financeiro, que é menos de 1% do valor por Bitcoin por ano. A compensação do carbono para o Bitcoin é muito barata e muito fácil de fazer, basta comprar créditos de carbono, como a MOSS disponibiliza. Além disso, a emissão do Bitcoin não deve ser olhada em termos absolutos, que é maior do que a Argentina, a Holanda, mas sim em termos relativos, por dólar transacionado. Neste caso, o Bitcoin emite menos de 1/3 de carbono do que o mercado financeiro tradicional"

Ele também diz que a MOSS e a Mercado Bitcoin em breve vão oferecer a compensação de toda operação cripto realizada na plataforma da exchange brasileira.

Outros players também acreditam que a decisão da Tesla não é apenas de olho na sustentabilidade, mas também serve para consolidar a influência de Musk, que em 2021 já impactou tanto o Bitcoin quanto o Dogecoin, além de outros mercados. Bernardo Schucman, CEO da empresa brasileira de mineração FastBlock, defende essa tese:

"O segmento vem buscando, cada vez mais, consumir energia renovável nos seus processos. Vale ressaltar, no entanto, que é uma indústria que hoje consome quase 1% da energia global para assegurar e proteger um ativo que vale cerca de US$ 1 trilhão. Além de empreendedor, Musk é um dos grandes influenciadores do Twitter. Esse grupo vem se mostrando muito eficiente em gerar, no curto prazo, resultados diretos nos preços de ativos líquidos como (ação da) GameStop e dogecoin. Isso não é um fenômeno que impacta só o bitcoin, e o mercado financeiro precisa se adaptar"

Outro a se pronunciar sobre o assunto foi o co-CEO da exchange brasileira FoxBit, que acredita que a correção desta semana é normal e não interrompe a alta da criptomoeda:

"Normalmente, depois das grandes subidas e picos, vêm períodos de correção e lateralização de mercado. Ainda tem muita coisa para acontecer com o bitcoin este ano"

Já o CEO do banco digital cripto brasileiro Alter, Vinícius Frias, concorda com a expectativa de alta mesmo sem a Tesla no mercado de BTC:

"Os fundamentos do BTC não mudaram. No curto prazo, pode-se esperar volatilidade. No longo prazo, a meu ver, o sentimento altista se mantém"

Uma série de cenários já foi traçada para o Bitcoin em 2021, que tem vivido um longo mercado de alta, atraindo grandes empresas e players de investimentos para o criptomercado. O analista PlanB, idealizador do modelo Stock-To-Flow, acredita por exemplo que o Bitcoin chegará a US$ 100.000 até outubro deste ano.

Há quem acredite também que Elon Musk prepara-se para lançar sua própria criptomoeda sustentável, lucrando ainda mais com sua posição de mercado. Só o futuro dirá.

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