O diretor do Banco Central do Brasil, Fabio Kanczuk, provocou a ira do mercado financeiro na última sexta-feira durante uma live promovida pelo Itaú, quando disse que o BC prepara uma forte intervenção no dólar para o fim deste ano.

Segundo a revista Veja, o mercado financeiro reagiu negativamente à fala de Kanczuk, que teria disse durante a transmissão:

“O mercado precisa ser espesso, grosso o suficiente para aguentar um fluxo muito grande que vai acontecer no finalzinho do ano, e o Banco Central (está) pensando em alternativas de como não deixar que esse fluxo seja disruptivo”

A declaração acabou por piorar a má impressão deixada pelo Ministro da Economia Paulo Guedes no mesmo evento e deixou no ar a ideia de que as declarações foram articuladas entre BC e Ministério da Economia - algo frontalmente contrário à "autonomia" do Banco Central defendida publicamente por Guedes.

Na ocasião, o Ministro da Economia, que neste ano viu bilhões de dólares em reservas cambiais derreterem pelas mãos do Banco Central, tentou vender a ideia de que o alto valor da moeda brasileira - que vive seu período de maior desvalorização na história - torna "incompatível" o tamanho das reservas internacionais do Brasil.

Diante da reação desastrosa, o próprio Banco Central lançou uma nota negando que haverá intervenção e que não antecipa suas ações no mercado:

“O Banco Central reitera que avalia continuamente o funcionamento do mercado de câmbio e esclarece que não antecipa eventuais decisões sobre intervenção, rejeitando quaisquer interpretações neste sentido”

Segundo a Veja, com as críticas do mercado a Guedes e até ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a cabeça de Kanczuk estaria a prêmio para tentar acalmar os ânimos do mercado financeiro.

A oposição também acompanha de perto o caso, pedindo à Procuradoria-Geral da República uma apuração sobre as relações de Guedes, Campos Neto e do Banco Central com o banco Itaú, que além da transmissão teve uma reunião a portas fechadas com os membros do governo.

Os deputados Enio Verri (PT-PR) e Afonso Florence (PT-BA) ingressaram com o pedido ainda no sábado, alegando que a diretoria do Itaú "teria tido acesso a informação privilegiada sobre o mercado de câmbio e as ações futuras das autoridades monetárias, o que poderia caracterizar, em tese, entre outras irregularidades, crimes contra o sistema financeiro e mercado de valores mobiliários". A PGR ainda não se manifestou sobre o pedido.

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