A B3 S.A. (B3SA3) anunciou os resultados de seu balanço de 2024, no qual atingiu uma receita total de R$ 10,6 bilhões, alta de 7% em relação a 2023, com avanço em todas as linhas de negócio. O resultado foi impulsionado também pelos futuros de Bitcoin  lançado pela bolsa no ano passado.

“O ano foi marcado por um cenário macroeconômico volátil e, mais uma vez, o nosso modelo de negócios com receitas diversificadas se mostrou eficiente. A evolução na receita da companhia em 2024 só foi possível devido à manutenção de uma agenda contínua de inovação e proximidade com o mercado, que resultou no lançamento de diversos produtos e funcionalidades ao longo dos últimos anos”, comenta André Veiga Milanez, diretor-executivo Financeiro, Administrativo e de Relações com Investidores.

O mercado de derivativos teve como destaques no ano os lançamentos do Futuro de Bitcoin, que atingiu R$ 65 milhões de receita em 2024, dos derivativos sobre o índice Small Cap B3 (SMLL B3) e do futuro de café conilon. Os produtos de derivativos apresentaram desempenho recorde no ano, com o número médio diário de contratos negociados (ADV) atingindo 7,1 milhões, crescimento de 15% na comparação com o ano anterior.

Segundo aponta o relatório, o produto de Futuro de Bitcoin apresentou contínuo crescimento no período e fechou o último trimestre com volume médio diário negociado de 206 mil contratos e contribuição de R$ 42,8 milhões em receitas.

“Mesmo com a desaceleração nos volumes de negociação de ações, vimos crescer o interesse dos investidores pela diversificação e notamos aumentos significativos em outros produtos como BDRs, ETFs e fundos imobiliários, além dos títulos de renda fixa como dívida corporativa, tesouro direto e outros”, reforça Milanez.

De acordo com o Head de produtos de juros e moedas da B3, Felipe Gonçalves, a bolsa tem cerca de R$ 150 milhões em negociação de ETFs de cripto por dia. Atualmente há 19 fundos listados na bolsa brasileira com exposição em criptoativos.

“Já é um mercado bastante evoluído e com bastante liquidez. Frequentemente os ETFs de cripto aparecem entre os mais negociados na B3”, disse Gonçalves, ressaltando que há tanto pessoas físicas como investidores institucionais e estrangeiro investindo no mercado de ETFs cripto do Brasil.

Ele também destacou que o lançamento, no ano passado, dos contratos de futuros de Bitcoin na B3 foi um dos produtos com maior crescimento na bolsa, que já trabalha para lançar contratos futuros de Ethereum e Solana, ainda no primeiro semestre do ano. 

"Para 2025, as prioridades da B3 continuam alinhadas com o desenvolvimento do mercado brasileiro. Um desses pilares estratégicos é a agenda de estímulo à oferta de crédito, abrangendo produtos e serviços ao longo de toda a jornada do cliente, desde a originação até a recuperação, destacando-se o promissor potencial do mercado de duplicatas.

No âmbito da renda fixa, o mercado ainda é pouco digitalizado e apresenta alta demanda por automatização, um cenário favorável, que proporciona oportunidades para produtos inovadores. Paralelamente, o segmento de pessoa física também é uma avenida de crescimento, com a B3 comprometida em democratizar cada vez mais o acesso dos investidores de varejo ao mercado financeiro, promovendo a educação financeira para atrair e capacitar novos investidores", destaca a bolsa

Outros resultados

Fora dos produtos de criptoativos, em 2024, o segmento Listado registrou receita de R$ 6 bilhões (57,5% do total), aumento de 1,8% em relação ao ano anterior. No mercado de ações, o destaque ficou por conta do mix de produtos, com o crescimento no volume financeiro médio diário negociado de BDRs (47%), FIIs (37%) e ETFs (16%), compensando a queda no volume de ações à vista. 

No quarto trimestre, o segmento Listado gerou receita de R$ 1,5 bilhão (56% do total), o que representa alta de 5,9% em relação ao mesmo período de 2023. No mercado de ações à vista, o volume financeiro médio diário apresentou alta de 5,5%, influenciado principalmente pelos crescimentos nos volumes de ETFs (39%), BDRs (92%) e Fundos Listados (43%). Esses produtos possuem dinâmicas distintas em relação ao mercado de ações e representaram 15% do volume total negociado. No mesmo trimestre do ano passado, esses produtos representaram 11% do volume.

Em um cenário de taxas de juros mais altas, o segmento de Balcão registrou receita de R$1,6 bilhão (16,0% do total), aumento de 13,4% em relação a 2023. As emissões de instrumentos de renda fixa cresceram 5%, como resposta à necessidade de financiamento dos participantes de mercado. Os estoques dos produtos cresceram 22% na mesma comparação. O Tesouro Direto também manteve o contínuo crescimento, o número de investidores e o estoque médio cresceram 16,6% e 17,9%, respectivamente.

No trimestre, o segmento de Balcão obteve receita de R$ 436,3 milhões (16% do total), o que significou aumento de 9%. As emissões de instrumentos de renda fixa cresceram 13,8% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o estoque desses produtos avançou 23,9%.

O volume de novas emissões de instrumentos de captação bancária cresceu 10,9% em comparação ao quarto trimestre de 2023 e 7,3% em comparação com o terceiro trimestre de 2024, principalmente em função do crescimento nas emissões de CDBs, que representaram 76,7% das emissões de instrumentos de renda fixa do período.

Já o estoque médio de instrumentos de captação bancária registrou crescimento de 25,3%, e o volume de estoque de dívida corporativa teve alta de 16,2%. No Tesouro Direto, o número de investidores aumentou 15,5%, e o estoque médio subiu 13,0% no quarto trimestre.

Outros segmentos

No acumulado do ano, o segmento de Infraestrutura para Financiamento teve receita de R$ 564,4 milhões (5,3% do total), aumento de 14,0%, principalmente em razão do crescimento de 20,4% no número de veículos financiados.

No trimestre, o segmento registrou receita de R$ 132,4 milhões (5,0% do total), explicada pelo crescimento de 15% no número de veículos financiados. Em comparação ao mesmo período do ano passado, a receita teve queda de 13,5%, resultado do fim do programa Desenrola, que ocorreu em maio de 2024.

Em Tecnologia, Dados e Serviços, a receita no ano foi de R$ 2,1 bilhões (20,4% do total), alta de 10,5% em comparação com o ano anterior. E, no trimestre, a receita foi de R$ 572,5 milhões (21,5% do total), o que representa alta de 9,7%. A quantidade média de clientes do serviço de utilização mensal dos sistemas de Balcão aumentou 7,0%, em comparação com o quarto trimestre de 2023, puxado principalmente pelo crescimento da indústria de fundos no Brasil.

A B3 também divulga as atividades realizadas pela B3 Social em 2024. Aproximadamente 170 projetos foram implementados por meio do aporte de R$ 67 milhões, beneficiando mais de 19 milhões de pessoas em todos os 26 estados e no Distrito Federal. Foi realizada doação de R$ 3,4 milhões, distribuídos entre Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Acre, para apoio às emergências climáticas, beneficiando mais de 220 mil pessoas. As ações de voluntariado corporativo contaram com a participação de mais de 1.600 funcionários, reforçando o compromisso com o desenvolvimento social.

A gestão de despesas continua sendo uma prioridade para a B3. Mesmo com uma extensa agenda de iniciativas em 2024, o crescimento das despesas foi de 4,8%, em linha com a inflação do período, reiterando a responsabilidade com gastos disseminada por toda a companhia. O volume exclui os efeitos da consolidação de Neurotech, cuja aquisição foi concluída em maio de 2023, e da amortização dos intangíveis reconhecidos na combinação com a Cetip, que terminou no primeiro trimestre de 2024.

No quarto trimestre, as despesas totalizaram R$ 908,2 milhões, o que representa queda de 15,3% em relação ao quarto trimestre de 2023, explicada principalmente pelo fim da amortização dos intangíveis reconhecidos na combinação com a Cetip e pela antecipação de necessidades de caixa da atividade de autorregulação, realizada no quarto trimestre de 2023. Excluindo esses efeitos, a despesa ficou 7,3% acima do mesmo trimestre do ano anterior.

No ano passado, as distribuições aos acionistas somaram R$ 5,3 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP), R$ 380 milhões em dividendos e R$ 3,7 bilhões em recompras. Considerando a cotação de suas ações ao longo de 2024, a B3 priorizou a distribuição da geração de caixa por meio de seu programa de recompra e adquiriu 340 milhões de ações durante o ano, ou seja, 6% do seu capital social, cancelando 220 milhões de ações. Um novo programa já está em vigor, com limite de até 380 milhões de ações (7% do capital social).

No quarto trimestre, as distribuições aos acionistas totalizaram R$ 1,8 bilhão, sendo R$ 1,5 bilhão em recompras e R$ 337 milhões em JCP.

As iniciativas de diversificação nas adjacências tiveram avanços relevantes na consolidação e nas sinergias de receita entre as companhias adquiridas e a B3, reflexo da evolução da estratégia de Dados, com a definição das verticais de atuação (Crédito, Mercado de Capitais, Sales & Marketing, Seguros, Loss Prevention e Saúde) e, assim, maior eficiência na alocação de recursos. A receita com Dados apresentou crescimento de 15% na comparação com 2023.