Justiça penhora jóias, obras de arte e até os sapatos de Cláudio Oliveira, controlador do Grupo Bitcoin Banco

Em uma ação judicial, aberta por um cliente do Grupo Bitcoin Banco, com saques atrasados na plataforma, a justiça determinou o bloqueio de bens pessoais de Cláudio Oliveira, controlador do GBB, segundo reportagem do jornal Valor, publidada hoje, 19 de agosto.

De acordo com a reportagem, o novo bloqueio judicial, foi até a casa e a chácara do empresário e visava itens pessoais como obras de arte, jóias, quadros, relógios e até sapados da marca Louboutin, pertecentes a Oliveira e sua esposa.

"O dono do GBB foi alvo de ação de sequestro de bens, que alcançou sua casa e sua chácara, devido a uma decisão obtida no Judiciário pelo advogado Gustavo Bonini Guedes, em busca de obras de arte, quadros, relógios e joias. Os oficiais de Justiça estavam prontos para levar os bens pessoais de valor que encontrassem, inclusive calçados da refinada grife francesa. Como o Valor apurou, eles chegaram a ser empacotados, mas não foram removidos da casa após nova promessa de quitação dos débitos nesta segunda"

Ainda segundo a reportagem, desde que os problemas com saques na NegocieCoins e TemBTC começaram, o controlado têm feito promessas mas sem concretizá-las, " desde que os problemas com os saques começaram, as narrativas sobre sucesso foram substituídas por promessas que, uma após a outra, foram descumpridas"

"No início de junho, sem a conta no Brasil Plural, disse que adquiriu, como pessoa física, uma companhia de "arranjo de pagamentos", sem dar o nome e sem que gerasse solução. No meio de julho, passou a prometer que a saída se daria pelo recém-criado AudaxBank, que se apresenta como banco digital. Os clientes consultados pela reportagem alegam que não conseguiram se registrar. Após o início da crise, ofereceu um acordo pelo qual clientes poderiam receber até 3 bitcoins em 60 dias - os prazos eram escalonados até que saques superiores a 14 bitcoins ocorressem em seis meses. Mas a proposta não resolveu a crise. Também fez acordos extrajudiciais para encerrar ações. Nos casos de que o Valor tomou conhecimento, pagou o sinal, mas quando chegaram as parcelas, não apareceu. A diversos clientes ofereceu a troca do saldo por produtos de sua loja virtual, Get4it, principalmente iPhones. Mas a maior parte dos que aceitaram dizem que ainda não receberam (...) Na semana passada, o GBB, admitindo ainda não ter uma solução e sem revelar qual saldo dispõe, pediu um prazo adicional de 30 dias e afirmou que, nesse período, permitiria a retirada de até R$ 10 mil ou 0,25 bitcoin por cliente. Mas investidores afirmam não conseguir receber. Entre os planos para resolver a crise, Oliveira chegou a divulgar a criação de uma moeda própria, a Br2Ex, com validade apenas em sua rede. Os clientes que aceitassem o novo criptoativo conseguiriam retirar até R$ 30 mil de uma nova plataforma, a NegocieCoins Express. O Valor, contudo, não conseguiu localizar ninguém que tenha tido sucesso na empreitada"

Cláudio disse que em breve "detalhará em entrevista qual será a saída para essa crise, que se diz empenhado em resolver" Entre março e maio de 2019, ele foi assíduo frequentador de colunas sociais com festas e jantares promovidos em São Paulo e Curitiba.

De acordo com uma nova decisão, publicada hoje, 19 de agosto, no Diário Oficial do Estado de São Paulo, a justiça determinou que as plataformas do GBB têm que depositar "no prazo de cinco dias", cerca de R$ 1.392.919,61 referentes a uma ação judicial aberta por um cliente do GBB.

"DEFIRO o pedido formulado em primeiro plano a fls. 836/843, intimando as rés para depositarem voluntariamente em conta judicial o valor de R$ 1.392.919,61, no prazo de 5 (cinco) dias. Não sendo efetuado o depósito, voltem-me novamente conclusos para apreciação do pedido formulado no item

Como reportou o Cointelegraph, Cláudio Oliveira, está com passagem marcada para viajar para a Suiça, país em que o controlador do GBB têm cidadania que premite com que resida, por tempo indeterminado, no país, caso deseje.

"Claudio Oliveira, o auto-proclamado rei do bitcoin, fundador do encrencado Bitcoin Banco, que quebrou deixando milhares de investidores com o pires na mão, está com viagem marcada para a Suíça quarta-feira que vem. Os credores temem que a passagem de Oliveira, que tem cidadania suiça, seja só de ida"