A Atlas Quantum, empresa que afirmava realizar arbitragem em Bitcoins, anunciou oficialmente hoje, 26 de março, (depois de ficar 72h fora do ar) sua nova plataforma e um plano para o pagamento dos clientes que, desde agosto de 2019, aguardam pela conclusão de suas solicitações de saque.

Segundo o anúncio da empresa o saldo de todos os usuários da Atlas será convertido em tokens ERC-20,construídos em Ethereum, chamados de: BTCQ, USDQ e BRLQ.

Por meio deste token os usuários poderão realizar negociações na plataforma, usar como crédito em produtos da Atlas como o Bot Phoenix, transferir para uma wallet externa com suporte a tokens Ethereum ou, solicitar a recompra junto a Atlas que prometeu utilizar 10% de sua receita para a compra dos tokens.

"Na nova plataforma, os valores em Bitcoin, Dólar e Real foram migrados às nomenclaturas BTCQ, USDQ e BRLQ, respectivamente. Esses tokens são criptomoedas que serão 100% readquiridas pela Atlas (...) Nossos clientes poderão utilizá-los como crédito em nossos novos produtos, como o Phoenix, mas também poderão negociar os tokens em outros mercados, guardá-los (Hold) em uma carteira ERC20 ou solicitar a recompra do Atlas Quantum. O processo de recompra será mensal, utilizaremos 10% de nossa receita para adquirir tokens BTCQ, cotados ao preço de mercado do Bitcoin (XBT/BTC). Em mercado, a cotação do BTCQ deverá seguir as forças de oferta e demanda.", disse a empresa.

Não há qualquer prazo para o atendimento das solicitações de recompra dos clientes.

Durante o anúncio a Atlas também afirmou que os tokens já estão disponíveis nas contas dos usuários, contudo, apenas para os clientes que não iniciaram um processo judicial contra e empresa. Nesta casos, contrariando as práticas do Código de Defesa do Consumidor, a companhia bloqueou o acesso ao sistema e pede que os clientes nesta situação procurem a companhia para negociar um acordo.

"Em razão do ajuizamento de medida judicial em face da Atlas, tendo por objeto valores investidos na plataforma toda e qualquer operação financeira, incluindo saque em real está condicionada ao trânsito em julgado de decisão judicial nesse sentido. Contudo, diante do interesse da Atlas em promover todas as medidas possíveis para melhor atender aos seus clientes, a Atlas, por mera liberdade aceita celebrar um instrumento de acordo que possibilite a retomada dos saques em Reais, ressalvada a necessidade de prévia homologação do referido instrumento pelo Juízo que preside a ação judicial em referência. Caso tenha interesse, favor nos comunique", destaca a empresa.

Ainda segundo o comunicado, na nova plataforma a Atlas também suportará negociações em Ethereum e atuará no mercado como uma exchange oferecendo pares de negociação em BTC, ETH e USDT, "Para os clientes que desejam adquirir tokens ou realizar negociações de moeda em BTC/ETH e BTC/USDT ou ETH/USDT será possível efetuar o depósito em criptomoeda e negociar com tarifa zero", destacou.

A Atlas também anunciou, neste caso em 25 de março, uma atualização na Phoenix, o bot da empresa, e segundo o comunicado houve um processo de redimensionamento do serviço, migração de servidores para garantir mais segurança, além disso, segundo  a empresa houve uma correção de bugs no bot. 

No caso da Phoenix a atualização ocorreu depois que diversos usuários relataram terem perdido todos os Bitcoins que possuíam 'investidos' no sistema após o robô ter liquidado toda as posições em alavancagem abertas na Bitmex  Na época, segundo relatos feitos nas redes sociais por investidores que estavam com o robô ligado, o 'problema' teria ocorrido por conta da forte queda no Bitcoin, que chegou a desvalorizar mais de 20% em uma hora.

O fato ocorreu pois o bot da Atlas trabalha alavancado, aumentando desta forma os riscos em ambos os lados. Os investidores do 'Phoenix' podem configurar os níveis de alavancagem para reduzir possíveis prejuízos em negociações. Investidores que adotaram estratégias mais 'conservadoras' com o Bot alegaram que não foram liquidados. Antes do ocorrido a Phonix declara ter 58 bitcoins no sistema, hoje, são, segundo o portal, são apenas 0.45520831.

Recuperação e estratégias de pagamento

Recentemente, como noticiou o Cointelegraph, a Atlas Quantum não explicou a Comissão de Valores Mobiliários, (CVM), como faria para pagar todos os clientes da plataforma e garantir a liquidez de suas atividades e por isso teve seu pedido de dispensa de regulamentação negado pela autarquia conforme documentos compartilhados com nossa reportagem.

Além disso a Atlas não conseguiu explicar a CVM a viabilidade de seu negócio e nem como as operações de arbitragem de Bitcoins oferecidas pela plataforma poderiam ser rentáveis.

No iníncio do ano. a Atlas afirmou que atendeu, parcialmente, cerca de 54 solicitações de saque na AnubisTrade, plataforma comprada pela empresa em 2019 e que também estava com saques atrasados. A informação foi confirmada por usuários da empresa que afirmaram terem recebido os saques solicitados contudo não no valor integral pedido.

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