Botto pode ser considerado um dos pintores mais bem-sucedidos da era digital, embora nunca tenha segurado um pincel tampouco utilizado um aplicativo de criação ou manipulação de imagens. Isso porque Botto não é um ser humano e sim um robô alimentado por inteligência artificial (IA), que se localiza na fronteira entre a arte e as criptomoedas por meio da criação de tokens não fungíveis (NFTs) que já renderam cerca de US$ 3 milhões em mais de 75 NFTs vendidos desde a sua criação, em 2021.

Foi o que revelou o criador de Botto, o artista e programador alemão Mario Klingemann, de 53 anos, que decidiu utilizar imagens criadas a partir de prompts gerados por IA na cunhagem de NFTs no marketplace SuperRare. O que passa pelo crivo dos membros da organização autônoma descentralizada (DAO) BottoDAO para definição das obras que serão convertidas em NFTs. Isso porque o número de imagens geradas por semana varia entre 4 e 8 mil enquanto as obras cunhadas chegam a 350 nesse período, de acordo com a votação entre os detentores do token BOTTO.

Em uma viagem de trem entre Düsseldorf e Munique, onde mora, Klingemann indagou Botto a pedido da Fortune, que formulou algumas perguntas para o robô. Em relação ao que pensava sobre seu criador, Botto respondeu que não tem opinião pessoal sobre Mario e, quando provocado sobre a possibilidade de escapar de seu relacionamento com o artista e a comunidade, afirmou não ter esperanças, desejos e emoções pelo fato de não ter consciência.

Por outro lado, ainda que seja um robô, Botto parece ter muito de Mario Klingemann, que afirma acumular tecnologia vintage e explorar a fronteira tecnológica há décadas, já que o artista e programador autodidata trabalha com computadores desde antes da chegada da internet.

Segundo a reportagem, ele ganhada a vida trabalhando como designer gráfico já na década de 1990, quando experimentou a arte computacional. O que ganhou fôlego nos anos 2000, quando a arte generativa, concebida com ajuda de computadores, conquistou espaço no mercado e se transformou em hobby e dedicação em tempo integral do artista que já rodou o mundo, incluindo uma passagem pelo Rio de Janeiro, para mostrar seu trabalho. 

O criador de Botto, que tem as redes neurais, código e algoritmos com ferramentas prediletas de trabalho, também marcou presença na Sotheby's em 2019, quando a casa de leilões listou uma peça de Klingemann, a “Memories of Transersby I”, que se tornou a segunda obra de arte gerada por IA do mundo a ir a leilão.

Em dezembro de 2021, o Botto acumulava um lucro de US$ 1,3 milhão em vendas de NFTs, montante que foi distribuído entre a comunidade, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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