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Lucas CaramLucas Caram

Envolvida em debates sobre privatização da Eletrobrás, Furnas anuncia criação de base de dados em blockchain

A maior subsidiária da Eletrobrás, Furnas, abriu licitação para desenvolver uma base de dados em blockchain.

Envolvida em debates sobre privatização da Eletrobrás, Furnas anuncia criação de base de dados em blockchain
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Envolvida nos debates pela privasão da estatal brasileira de energia, a Eletrobrás, a Furnas Centrais Elétricas S/A anunciou a criação de uma base de dados em blockchain nesta semana.

Em licitação aberta nesta terça-feira, a empresa anunciou a contratação de uma empresa especializada em blockchain. Sem dar muitos detalhes, a licitação revela que Furnas está em busca de contratar “empresa especializada em inovação tecnológica para criação e governança de ambiente com tecnologia Blockchain de bases de dados distribuídas.”

As empresas que se candidatarem devem comprovar capacidade técnica para o desenvolvimento de projetos em provedores de infraestrutura em nuvens, com "gestão do ciclo de vira de máquinas virtuais e orquestração e govenança de redes blockchain".

Entre as soluções em blockchain citadas como referência, estão plataformas conhecidas como Hyperledger Fabric, Hyperledger Sawtooth, R3 Corda ou Consensys Quorum. As propostas devem ser enviadas a partir do dia 9 de julho de 2021.

Meio século de energia

Furnas é uma das mais antigas empresas de energia do país, subsidiária da Eletrobrás e vinculada ao Ministério de Minas e Energia. A estatal atua na geração e transmissão de energia para as regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte do Brasil, operando com doze usinas hitroelétricas e duas termoelétricas. A empresa fundada em 1957 atende nada menos que 51% das residências brasileiras.

Desde o início do governo Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem cobiçado a privatização da Eletrobrás, apesar de resistência nas estatais e na oposição. Apesar de Guedes defender que a estatal é deficitária, a Eletrobrás fechou 2020 com lucro de R$ 6,4 bilhões para os cofres públicos.

A estatal de energia já havia sido alvo de uma tentativa de privatização no governo Fernando Henrique Cardoso, mas enfrentou forte reação de governadores e servidores públicos. Na época, o governador de Minas Gerais, o também ex-presidente Itamar Franco, mobilizou a polícia militar para impedir a privatização de uma subsidiária de Furnas no estado.

Hoje, o governo tenta um acordo no Senado para aprovar a medida provisória que autoriza a privatização da Eletrobrás. A piora da crise hídrica tem atrapalhado o debate, já que o Brasil pode viver a pior falta de água dos últimos 90 anos em 2021. Além disso, funcionários públicos de subsidiárias da Eletrobrás anunciaram greve nesta semana.

A iniciativa blockchain também não é a primeira de uma estatal brasileira para o desenvolvimento de bases de dados usando a tecnologia descentralizada. O Projeto Harpia, que funciona desde 2020 no Paraná, também busca o uso de blockchain para dados públicos e como forma de combate à corrupção na gestão pública, entre outros que adotam blockchain pelo Brasil.

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