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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

IA pode se tornar obrigatória na formação de professores no Brasil

Tecnologia pode se tornar assunto obrigatório em cursos de Pedagogia e Licenciaturas, em caso de aprovação pelo CNE.

IA pode se tornar obrigatória na formação de professores no Brasil
Brasil

O Conselho Nacional de Educação (CNE) avalia uma proposta para incluir a inteligência artificial (IA) na grade de temas obrigatórios em cursos de graduação em Pedagogia e Licenciaturas no Brasil.

Segundo o relator, Celso Niskier, o documento não deve apontar a tecnologia como ameaça e sim uma oportunidade que requer cuidados. No caso, o potencial da tecnologia em diminuir a sobrecarga sobre os docentes, permitir a personalização da aprendizagem e encontrar caminhos para aprendizagem de portadores de deficiência.

Niskier acrescentou que a proposta deve deixar a cargo das instituições de ensino a forma de inserir o tema obrigatório, podendo ser uma disciplina obrigatória ou através de abordagem transversal.

O trabalho vai apresentar recomendações para o uso da IA com pensamento crítico. Cada instituição de ensino terá liberdade para estabelecer seus códigos de ética, explicou.

A IA já é adotada nas redes públicas e privadas de estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, que anunciou em maio um projeto-piloto que usa um chatbot na correção de 5% das tarefas dos estudantes do 8º ano do ensino fundamental ao 1º ano do ensino médio. 

Segundo a secretaria de Educação, a ferramenta já cobre correções de disciplinas como Português, Matemática e Ciências e já está integrada à plataforma TarefaSP. O que representa um acumulado de 95 milhões de questões resolvidas desde o início do ano, coma IA corrigindo até 5 milhões de respostas dissertativas mensalmente e com feedback imediato.

Brics

A adoção da IA na Educação também foi o foco de um seminário do Brics, realizado em fevereiro pelo Ministério da Educação (MEC) junto a países do grupo. Com o tema “Adoção ética e inclusiva da inteligência artificial na educação básica: compartilhando padrões”, o evento permitiu que os participantes conhecessem mais de perto a forma como cada país do Brics tem lidado com a pauta. Além do Brasil, especialistas da China, da Etiópia, da Indonésia, da Rússia, dos Emirados Árabes Unidos e da África do Sul apresentaram suas experiências. 

Na ocasião, a diretora de Apoio à Gestão Educacional da Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC, Anita Stefani, abriu o encontro informando que o MEC desenvolve estratégias, como cursos e o referencial de saberes digitais docentes, para que a inteligência artificial (IA) favoreça e amplie oportunidades, sem deixar a equidade de lado. 

Entendemos que professores e gestores escolares devem se apropriar do potencial tecnológico da IA de forma crítica e produtiva, e, por isso, o trabalho com adaptação curricular e formação é fundamental, explicou. 

A utilização da IA no âmbito dos processos de ensino e aprendizagem e na gestão escolar foi destacada por Fernando Filgueiras, diretor de Informações Estratégicas e Inovação da Secretaria de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais (Segape) do MEC. Segundo ele, foi interessante entrar em contato com uma diversidade de experiências sobre pesquisa, desenvolvimento e uso de IA.

Todos estão procurando incorporar a inteligência artificial nas escolas de alguma forma, atentos a como professores podem usar a tecnologia como instrumento para aprimorar a educação”, afirmou Filgueiras. 

O assessor especial para Assuntos Internacionais do MEC, Francisco Figueiredo de Souza, destacou que o seminário deu continuidade a debates sobre o uso de ferramentas digitais na educação, conduzidos no âmbito do Brics em anos anteriores. Ademais, ressaltou que o tema da IA foi identificado pela Presidência da República do Brasil como uma prioridade para o Brics como um todo, sendo objeto de discussões também em outros grupos de trabalho além do educacional, como aqueles dedicados às áreas de emprego e ciências. 

O que queremos é que as novas ferramentas corrijam as desigualdades, ao invés de aprofundá-las”, defendeu Souza. 

O Serpro, Empresa Nacional de Inteligência em Governo Digital e Tecnologia da Informação, também lançou recentemente o curso "IA: Aplicações no Governo Federal", disponível na Escola Virtual de Governo (EV.G), da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Trata-se de um curso on-line gratuito para capacitar agentes públicos e cidadãos interessados no uso ético e estratégico da inteligência artificial na gestão pública brasileira, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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