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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

IA aumenta riscos de roubo de criptomoedas e de ‘alucinações’ em tomadas de decisão, revelam análises

Relatório da Moody's diz que IA se mostra cada vez mais eficaz para lançar ataques automatizados; 'Híbridos' diz que erros de interpretação de dados pela tecnologia podem acarretar grandes impactos no ambiente de trabalho.

IA aumenta riscos de roubo de criptomoedas e de ‘alucinações’ em tomadas de decisão, revelam análises
Brasil

Resumo da notícia:

  • IA se mostra cada vez mais eficaz para lançar ataques automatizados.

  • Aumento do roubo de criptomoedas expõe fragilidades de segurança em meio à crescente adoção institucional.

  • Alucinações da IA também trazem riscos às tomadas de decisão corporativas.

A Moody's divulgou esta semana um relatório apontando que a exploração de ferramenta de inteligência artificial (IA) deve acelerar o risco cibernético em 2026, incluindo o roubo de criptomoedas. Em direção parecida, o livro “Híbridos: o futuro do trabalho entre humanos e máquinas” avalia que as “alucinações da IA” podem afetar as tomadas de decisão corporativas.

Segundo a agência global de classificação de risco de crédito, a IA se mostra cada vez mais eficaz para aprimorar suas táticas voltadas a ataques cibernéticos, que, embora estejam em estágio inicial, sinais indicam plataformas capazes de lançar ataques automatizados em larga escala e malwares que se adaptam dinamicamente para evitar detecção.

Intitulado "Perspectivas 2026 – As ameaças cibernéticas se intensificarão à medida que as ferramentas de IA se proliferarem", o estudo mostra que, ao mesmo tempo, os defensores estão implantando ferramentas de IA para identificar vulnerabilidades antes que os adversários possam explorá-las. À medida que a tecnologia avança, ela intensificará o jogo estratégico contínuo entre atacantes e defensores, remodelando o cenário da cibersegurança.

O relatório acrescenta que uma nova era de ameaças adaptativas e em rápida evolução está surgindo, com a IA já tornando ataques de phishing mais convincentes. Mas, à medida que as empresas incorporam IA mais profundamente em seus fluxos de trabalho, ameaças existentes como prompt injections e model poisoning se tornarão mais prevalentes e pronunciadas. O avanço dos sistemas de IA “agentes”, capazes de executar uma série de tarefas autônomas, também adiciona potencial para comportamentos imprevisíveis e acúmulo de erros, complicando a detecção e resposta a ciberameaças, segundo a Moody’s.

Para a agência, o impacto do ransomware diminui para empresas menores. Ataques de ransomware normalmente têm o maior impacto de crédito devido à grave interrupção nos negócios que podem causar. A criptografia bem-sucedida de dados via ransomware caiu em 2025 entre empresas pequenas e médias. Entidades maiores, no entanto, permanecem expostas. Suas redes complexas dificultam a prevenção e sua maior capacidade de pagar resgates elevados aumenta sua atratividade para atacantes.

O relatório destaca que o aumento do roubo de criptomoedas expõe fragilidades de segurança em meio à crescente adoção institucional. Exchanges de criptomoedas e plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) sofreram grandes violações e perdas financeiras em 2025. Alguns ataques cibernéticos tiveram como alvo aplicativos construídos em plataformas blockchain, explorando falhas na forma como transações e contratos inteligentes são codificados. Outros ocorreram fora da rede (off-chain), mirando fragilidades na forma como ativos cripto são armazenados e gerenciados, salienta a agência.

De acordo com a pesquisa, Interrupções na computação em nuvem destacam riscos sistêmicos. Recentes falhas em provedores de serviços de nuvem como AWS e Azure, e na empresa de segurança na internet Cloudflare, causaram ampla interrupção e destacaram a complexidade operacional dos ambientes de nuvem. As falhas foram técnicas, não maliciosas, mas ressaltam o potencial de impacto catastrófico se exploradas por atacantes.

A Moody’s diz ainda que o esforço global por regras harmonizadas de cibersegurança enfrenta desafios. A expansão do mosaico de regras de cibersegurança em diferentes jurisdições está criando complexidade operacional para empresas globais, que precisam lidar com requisitos sobrepostos e riscos de conformidade. Iniciativas globais buscam harmonizar padrões e reduzir duplicações. O progresso, no entanto, é lento, segundo a agência.

Em relação ao livro lançado no final do ano passado pelo filósofo e cientista de dados Ricardo Cappra, “Híbridos” defende que humanos e algoritmos já vivem uma relação de interdependência. À Rádio Senado, o autor disse que “a gente não percebe que a IA tá presente em todas nossas atividades do dia a dia. Quando a gente se desloca no trânsito, quando a gente fala com uma outra pessoa, quando a gente consome um produto, é porque ela é invisível. Inclusive, eu faço um exercício com as pessoas”.

E as pessoas não conseguem, elas não conseguem transformar isso num objeto, porque ela não é um robô, um bit byte, é muito difícil a gente representar. Isso faz com que isso se torne invisível e a gente não perceba essa interdependência entre humano, dado e máquina, que é constante, emendou.

Segundo Ricardo Cappra, essa convivência cada vez mais intensa cria o que ele chama de “seres híbridos”, quando já não é possível separar completamente o pensamento humano da intervenção dos dados e dos algoritmos”.

O ser híbrido é isso, né? Ele nasce de uma conjuntura onde a gente tem um processo cognitivo do pensar misturado com o IA e não consegue separar uma coisa de outra. A gente não sabe onde começa a intervenção da IA, dos dados na nossa vida e onde termina, ou seja, onde começa o nosso processo cognitivo natural, explicou.

Diante desse cenário, o autor destaca que o desafio não é competir com a tecnologia, mas aprender a usá-la de forma consciente, preservando características essencialmente humanas, como o pensamento crítico, a criatividade e a empatia. Para ele, o futuro do trabalho passa por manter o controle das decisões, usando a inteligência artificial como apoio e não como substituição.

O livro também aborda os riscos das alucinações da IA no ambiente de trabalho, incluindo as tomadas de decisões corporativas com base em interpretações de dados equivocadas da tecnologia. Segundo autor, as alucinações artificias têm como consequência o questionamento da credibilidade das análises automatizadas por parte dos gestores. Um cenário que exige que os profissionais compreendam como a IA processa os dados, localizem suas limitações e supervisionem o trabalho da tecnologia. O que, a reboque, deve incluir protocolos de alerta rápidos, auditorias e processos de validação em 2026, para mitigar os riscos das alucinações da IA.

Esta semana, a IA chegou ao SUS em um contrato de R$ 1,7 bilhão com o Brics para construção de “hospitais inteligentes”, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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