O Google DeepMind desenvolveu um assistente de inteligência artificial (IA) que visa oferecer vantagens competitivas a equipes da elite do futebol mundial, a partir de análise de dados e modelos preditivos.

Desenvolvido em parceria com o Liverpool FC, o TacticAI é um modelo baseado em "aprendizado profundo geométrico" (geometric deep learning) que foi treinado com dados de cobranças de escanteio de jogos do tradicional clube do futebol inglês. 

De acordo com o artigo científico sobre o TacticAI publicado na Nature, os escanteios foram escolhidos como ponto de partida para o treinamento do sistema porque são "momentos no jogo em que os técnicos têm oportunidades diretas de intervenção para obtenção de melhores resultados."

Segundo o artigo, o TacticAI mostrou-se comprovadamente útil em diversas situações de jogo relevantes, indicando os jogadores mais aptos a receber a bola em cobranças de escanteio para resultar em finalizações ao gol, além de recomendar ajustes de posicionamento:

"Combinando componentes preditivos e generativos, o TacticAI permite aos técnicos avaliar e explorar diferentes configurações de jogadores para cada situação de escanteio, identificando aquelas com maior probabilidade de sucesso."

Cinco profissionais da comissão técnica do Liverpool foram responsáveis por avaliar os resultados apresentados pelo assistente e confirmaram a utilidade do TacticAI. De acordo com três cientistas de dados, um analista de vídeo e um assistente técnico, as sugestões do modelo não são apenas indistinguíveis das táticas reais, mas também foram apontadas como mais eficientes do que a mecânica de jogo adotada pela equipe em 90% das vezes.

O alto nível da performance do TacticAI, mesmo com a limitada disponibilidade de dados de qualidade restritos a uma situação de jogo específica, sugere que o uso de modelos de IA para aprimorar esquemas táticos em esportes coletivos é promissor e pode ir além das cobranças de escanteio.

Em um esporte cujo nível competitivo é extremamente alto e pequenos detalhes podem fazer a diferença no resultado final das partidas, a adoção da inteligência artificial por parte das comissões técnicas tende a se tornar um procedimento padrão, disse Petar Veličković, cientista de pesquisa da equipe do Google DeepMind que trabalhou no projeto:

“Os grandes clubes estão sempre buscando alguma vantagem competitiva, e acho que os resultados do TacticAI indicam que modelos como esse provavelmente se tornarão parte do futebol moderno daqui para frente.”

Além da utilização do assistente em outras situações em jogos de futebol, esportes como basquete, vôlei, ou futebol americano também poderiam adotar o TacticAI para aprimoramento de mecânicas de jogo coletivas, concluiu Veličković:

"Desde que haja um esporte coletivo no qual você acredite que a modelagem das relações entre os jogadores será útil e que você tenha uma fonte de dados ampla e confiável, o modelo é aplicável."

Embora os potenciais benefícios da IA em termos de produtividade e eficiência possam revolucionar diversas áreas do conhecimento humano, as inovações do setor têm causado preocupação a empresas e profissionais da indústria criativa. 

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, um grupo de 27 entidades brasileiras enviou uma carta ao Senado Federal pedindo que a regulamentação da IA no país contenha dispositivos contra a violação de direitos de propriedade intelectual.

Assim como diversos outros movimentos em diferentes partes do mundo, a iniciativa destaca a necessidade de equilibrar a inovação e proteção legal, assegurando que as vantagens da IA possam ser exploradas sem comprometer valores éticos e direitos fundamentais dos seres humanos.