Uma das principais agências de checagem de informações e notícias do Brasil, a Agência Lupa, anunciou o lançamento de um marketplace para a compra e venda de checagem de informações em formato de tokens não fungíveis (NFT).

Segundo um post no site da revista Piauí, matriz da Agência Lupa, o lançamento tem objetivo de disponibilizar um novo modelo de financiamento para a agência, reunindo mais recursos para plataformas de checagem de fatos e negociando atuações consideradas históricas, transformadas em NFT.

A iniciativa foi anunciada no Dia Internacional do Fact-Checking em conjunto com outras três plataformas internacionais de verificação de informações: a Lead Stories, dos EUA, a Newtral, da Espanha, e a Taiwan FactCheck Center.

O marketplace lançado, chamado FACTS-NFT, reúne mais de 20 fact-chechings das agências, selecionadas a partir da importância histórica de cada uma e apresentadas em tokens para "colecionadores internacionais ou qualquer pessoa que queira apoiar o trabalho dos verificadores de fatos.

Gilberto Scofield Jr., diretor de Negócios e Estratégia da Lupa, diz:

“Os mercados de NFTs são a mais nova fronteira de negócios para bens intangíveis, como o conteúdo noticioso. Nossa intenção, ao decidir participar desta ideia inovativa ainda em desenvolvimento, é fazer com que as pessoas preocupadas com a desinformação no Brasil possam nos ajudar financeiramente a ampliar a nossa luta. Há um apelo colecionável também. Meu pai costumava cortar e emoldurar capas históricas de jornais. Por que não fazer o mesmo e comprar o combate à desinformação em momentos históricos do país?”

Cada agência terá sua própria coleção no FACTS-NFT, com os primeiros NFTs lançados sendo negociados a 0,05 ETH (cerca de R$ 500). Os tokens comprados vão para as carteiras dos usuários, que podem então formar uma coleção, doá-los ou revendê-los.

A agência acredita que pode ter uma fonte de receita relevante através do marketplace de NFT:

"Para a FACTS-NFT, esse sistema pode garantir uma linha de receita relevante para estabilidade dos fact-checkers do mundo e ser impactante na luta contra a desinformação."

A iniciativa conta com apoio do Instituto Vero, criado por comunicadores e pesquisadores para combater a desinformação, que cresceu exponencialmente no Brasil desde 2018 e tem causado inclusive mortes, como no caso da propagação dos chamados "kits de tratamento precoce contra a COVID-19", que tentam dar um destino às toneladas de hidroxicloroquina sem eficácia contra a doença adquiridas pelo governo federal, ou da aplicação de vacinas falsas.

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