O setor DeFi (finanças descentralizadas) foi fortmente abalado no último fim de semana quando o TerraUSD (UST), stablecoin algorítmica do ecossistema Terra (LUNA), perdeu a paridade com o dólar e entrou em colapso após um despejo massivo de US$ 285 milhões em UST no mercado.

Imediatamente a Luna Foundation Guard (LFG) tomou providências para reestabelecer a paridade do UST com a moeda norte-americana, mas as medidas iniciais acabaram não surtindo o efeito esperado. No entanto, o pior ainda estava por vir.

Ironicamente, justamente no momento em que ficou evidente que a LFG recorreria às recém acumuladas reservas em Bitcoin para tentar salvar sua stablecoin – e todo o ecossistema da Terra, o pânicou chegou ao seu patamar mais alto e o UST chegou a ser negociado a 0,6065, de acordo com dados do CoinMarketCap.

No momento em que este texto está sendo escrito, o UST está cotado a 0,9132. Ou seja, 9% abaixo da proporção de 1:1 com o dólar. Enquanto isso, o LUNA, token nativo da Terra, já acumula uma desvalorização de mais de 70% desde o início dos dramáticos eventos que ameaçam levar todo o ecossistema ao colapso.

Gráfico de 1 hora UST (azul) e LUNA (laranja) desde a noite de 5 de maio. Fonte: Trading View

Puxado pelas liquidações massivas e a desvalorização dos dois principais tokens da Terra, até a semana passada a segunda maior rede de finanças descentralizadas em valor total bloqueado (TVL), o setor DeFi registrou perdas de US$ 33,5 bilhões (31%) em capitalização de mercado, de acordo com dados do CoinGecko, e US$ 48,5 bilhões em TVL nos últimos sete dias, de acordo com informações da plataforma de monitoramento de dados DeFi Llama.

Em 7 dias, o LUNA perdeu 71,5% em valor de mercado, despencando de US$ 81,52 em 3 de maio para US$ 24,11 no final da tarde desta terça-feira, 10. As perdas de Fantom (FTM), Avalanche (AVAX) e Solana (SOL) no mesmo período superam os 20% – 24,7%, 22,2% e 21,2%.

O Ethereum (ETH) caiu 15%, apresentando um desempenho levemente superior ao Bitcoin (BTC). A maior criptomoeda do mercado acumula desvalorização semanal de 17%, motivada em parte, provavelmente pela liquidação das revervas de US$ 2,2 bilhões em BTC da LFG.

Naturalmente, o ecossistema Terra registrou as maiores perdas em valor total bloqueado esta semana. A queda de 58,83% do TVL fez com que os protocolos DeFi da Terra perdessem US$ 19,3 bilhões nos últimos sete dias. A Fantom manteve o seu declínio constante e perdeu 17,9% em TVL, e agora já é a oitava rede em TVL, ultrapassada pela Polygon (MATIC) e a Tron (TRX).

A Avalanche não ficou muito atrás, com 17,8%, seguido por Ethereum, com 14,6%, Solana, com 12%, e a BNB Chain (BNB) limitou suas perdas a 1,5%.

Em uma semana caótica para o setor DeFi e para o mercado de criptomoedas como um todo, Haven Protocol (XHV), Anysap (ANY) e Ampleforth (AMPL) foram os principais destaques.

Haven Protocol (HVX)

O Haven Protocol é um hard fork da blockchain da Monero (XMR) que se promove como um "banco offshore". O protocolo oferece aos usuários transações protegidas, privativas e não rastreáveis.

Assim como o Monero, o Haven Protocol também utiliza a prova de fungibilidade como recurso, permitindo que diferentes classes de ativos sejam equacionadas com base em seus respectivos valores monetários, e não apenas em função do valor nominal do token.

Com o Haven Protocol, os usuários podem criar tokens de privacidade que incorporam diferentes classes de ativos, incluindo commodities, como o ouro, moedas fiduciárias, como o dólar, e outros criptoativos, como o Bitcoin.

Recentemente, assim como outras moedas de privacidade, o Haven Protocol vem se beneficiando da instabilidade geopolítica desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia e pelas ameaças regulatórias disseminadas nos EUA e especialmente na Europa.

Sob a justificativa de que as criptomoedas facilitam manobras que permitem ao governo e aos oligarcas russos contornar as sanções impostas pelo Ocidente, regras mais estritas para a comercialização e a custódia de ativos digitais poderão ser aprovadas em breve.

Em função disso, investidores de criptomoedas tem se voltado para as moedas de privacidade que prometem proteger transações financeiras de entidades fiscais e intermediários desde os dias seguintes ao início do conflito no leste europeu. 

Como resultado, além do HVX, Monero, Kyber Network (KNC), Tornado Cash (TORN) apresentaram desempenhos superiores aos do restante do mercado de criptomoedas desde o início do conflito no leste europeu.

Outro fator que impulsionou o crescimento do HXV recentemente foi o anúncio de uma parceria como o THORchain (RUNE), que oferece privacidade a quaisquer ativos de camada 1 que estejam disponíveis na DEX (exchange descentralizada).

O THORchain é um protocolo descentralizado que permite a qualquer usuário de criptomoedas a realizar swaps entre diferentes tokens sem necessidade de intermediação de exchanges tradicionais. O XHV é a primeira moeda de privacidade adicionada ao ecossistema do THORchain. Juntos, eles garantem aos usuários privacidade, liquidez, estabilidade e rendimentos competitivos.

Também fazem parte do ecossistema do Haven Protocol a primeira stablecoin algorítmica totalmente privada atrelada ao dólar. A lógica econômica do xUSD é muito similar ao do UST, a stablecoin algorítmica do ecossistema Terra. Novas unidades da stablecoin podem ser emitidas a partir da queima do HXV.

Esta semana, o Haven Protocol foi implantado na Flux, um sistema em nuvem descentralizado onde os usuários do protocolo podem criar seus próprios vaults, mantendo todas as suas informações e ativos armazenados na blockchain.

O vault da Web , os nós do vault, o explorador e a carteira de papel do Protocolo Haven estão oficialmente em execução no @RunOnFlux. Para obter mais informações, consulte o seguinte artigo adicionado à nossa Base de Conhecimento

https://havenprotocol.org/knowledge/running-on-flux/… Adiante rumo a um futuro descentralizado.

— Haven Protocol (@HavenXHV)

Assim, apesar da forte turbulência que abalou o mercado nos últimos dias, o HXV registrou ganhos de 15% nos últimos sete dias e atualmente está cotado a US$ 2,85. Sua capitalização de mercado é de US$ 69 milhões, de acordo com dados do CoinMarketCap, o que coloca o token na 383ª posição no ranking de criptomoedas.

Desempenho semanal do HXV. Fonte: CoinMarketCap

Anyswap (ANY)

O Anyswap é um protocolo de swap cross-chain descentralizado, baseado na tecnologia Fusion DCRM, com sistema automatizado de precificação de ativos e de fornecimento de liquidez. O Anyswap permite a transferência e o intercâmbio de criptoativos de plataformas heterogêneas de primeira e segunda camadas, incluindo BTC, ETH, AVAX, FTM, BSC, entre outros.

O Anyswap é suportado pela Fusion Network, que utiliza em suas transações um processo conhecido como fragmentação de chave privada — no qual a chave privada é dividida em vários bits e gerenciada por vários nós da rede para garantir que os ativos transacionados estejam seguros. 

As diferentes partes da chave privada nunca são combinadas durante as transferências ou negociações para aumentar a segurança.

No início deste ano, o protocolo já suportava 24 redes e 997 tokens e as adesões continuam aumentando de forma recorrente, atraindo mais capital, liquidez e usuários para o protocolo.

No final da tarde desta terça-feira, o ANY subiu 8,1%, está cotado a US$ 18,39 e acumula uma valorização semanal de 8,1%. A capitalização de mercado do token é de US$ 191,4 milhões e ele ocupa a 241ª posição no ranking de criptomoedas, de acordo com dados do CoinMarketCap.

Desempenho semanal do ANY. Fonte: CoinMarketCap

Ampleforth (AMPL)

O Ampleforth é uma criptomoeda algorítmica que foi projetada para servir de base monetária de uma nova economia descentralizada. Com o suprimento em circulação controlado por códigos de programação, o valor do AMPL é imune à oferta inflacionária, além de manter-se descorrelacionado da ação de preço de outras criptomoedas - e do Bitcoin (BTC) em particular.

Os detentores do AMPL possuem uma fração fixa do fornecimento total de AMPL em circulação, e não um número fixo de tokens. Quando o algoritmo detecta que o preço da AMPL está muito alto, ele aumenta a oferta circulante, ao passo que a oferta é reprimida quando o preço está muito baixo.

Sempre que há uma alteração na cotação do AMPL, todos os tokens presentes em carteiras Ampleforth têm seu saldo ajustado proporcionalmente. Independentemente da mudança do valor de face, os detentores do AMPL seguirão tendo a mesma porcentagem do estoque em circulação. Ou seja o suprimento se ajusta ao valor - e não o contrário, como é comum.

Esse processo de ajuste automático de oferta é conhecido como “rebase”, ou rebalanceamento, e ocorre uma vez por dia. O rebalanceamento é positivo se o preço ficar acima de US$ 1,06 ou negativo se ficar abaixo de $ 0,96. O objetivo geral do sistema é criar incentivos que levem o preço de mercado da AMPL de volta em torno de US$ 1.

O Ampleforth pode ser utilizado para diversificar carteiras de criptomoedas, funcionando como colateral para aplicações de finanças descentralizadas e, eventualmente, como uma alternativa a moedas fiduciárias ou CBDCs (Moedas Digitais de Banco Central).

A comunidade tomou proveito do colapso do UST para garantir que o modelo do Ampleforth produz um ativo descentralizado e estável mais eficiente e imune à "corridas bancárias".

O $AMPL não é uma stablecoin! Não tem paridade.. e não quebra! Aqui está o que $AMPL faz: https://t.co/5fUucZElXu

— Ampleforth #AMPL (@AmpleforthOrg)

Enquanto a stablecoin e o token nativo da Terra lutavam para evitar o colapso, o AMPL valorizou 7% ao longo dos últimos sete dias, subindo de US$ 1,036 em 3 de maio para 1,12 no final da tarde desta terça-feira. O token ocupa a 322ª posição no ranking de criptomoedas e tem US$ 96 milhões em capitalização de mercado, de acordo com dados do CoinMarketCap.

Desempenho semanal do AMPL. Fonte: CoinMarketCap

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