Fundos de capital de risco (VCs) e investidores de criptomoedas estão de olho no setor de DePin (infraestruturas descentralizadas). Em um ano, os investimentos de VCs em projetos do setor cresceram 296%, somando US$ 246 milhões. Ao mesmo tempo, a capitalização total de mercado de tokens DePin cresceu 400%, atingindo a marca de US$ 20 bilhões, revela um relatório lançado recentemente pela plataforma de análise Messari.
O setor de DePIN, ou Redes de Infraestrutura Física Descentralizada, integra redes blockchain com infraestruturas físicas no mundo real e é relativamente novo na indústria de criptomoedas. Embora a maior parte dos projetos líderes do setor já existisse no ciclo de 2018 a 2021, a narrativa que os une começou a ser construída durante o mercado de baixa de 2022.
Os investimentos de fundos de capital de risco revelam que o setor é particularmente promissor porque seus impactos não se limitam a ambientes digitais. Os projetos de DePin têm o potencial de transformar diversos aspectos da vida cotidiana, desde a gestão de recursos energéticos e computacionais até serviços de geolocalização e Internet das Coisas (IoT).
O relatório da Messari revela que os US$ 246 milhões investidos no setor foram distribuídos entre 70 projetos. As maiores alocações indicam os projetos em estágio inicial de desenvolvimento nos quais os VCs identificam maior potencial de crescimento:
"Duas das três maiores rodadas de financiamento de 2024 resultaram em investimentos em blockchains de camada 1 adaptadas às necessidades de DePIN, incluindo a Iotex (IOTX), que levantou US$ 50 milhões, e a Peaq Network, que levantou US$ 30 milhões."
O Io.net (IO) também está entre os destaques do setor. O protocolo de computação distribuída baseado na Solana (SOL) levantou US$ 30 milhões em uma rodada de financiamento de Série A com participação da Multicoin e da OKX Ventures.
Panorama dos investimentos de fundos de capital de risco em DePin. Fonte: Messari
O relatório da Messari inclui quatro novos subsetores de protocolos DePin que surgiram ao longo de 2024: infraestrutura de jogos descentralizada (DeGIN) – redes de computação; camada de dados de IA – redes de largura de banda; robótica – redes de mobilidade; e manufatura – redes de mobilidade.
Capitalização de mercado DePin cresce 400%
A Messari destaca que atualmente a capitalização de mercado do setor de DePin está concentrada em Redes de Recursos Digitais (DRNs). Sete dos oito maiores tokens em capitalização de mercado são DRNs. A única exceção é o Helium (HNT), que oferece serviços de 5G e internet a partir de redes descentralizadas.
O líder do setor é o Filecoin (FIL), com uma capitalização de mercado em torno de US$ 2,5 bilhões, seguido por Render Network (RENDER), Bittensor (TAO), Arweave (AR) e The Graph (GRT).
Os protocolos que puxaram o crescimento de 400% da capitalização de mercado do setor foram o Akash (450%) e o Arweave (426%).
Capitalização de mercado dos 8 maiores projetos DePin. Fonte: Messari
Apesar do crescimento dos investimentos e da capitalização de mercado do setor, a geração de receitas dos protocolos DePin ainda é reduzida, afirma a Messari:
"As receitas ainda são significativamente baixas em todo o setor de DePIN, com apenas quatro dos maiores protocolos classificados entre os oito primeiros no ranking de receitas."
Segundo a Messari, a demanda de usuários por serviços de infraestrutura descentralizada é restrita devido a desvantagens competitivas:
"As plataformas centralizadas continuam a oferecer soluções mais integradas que combinam recursos brutos com serviços personalizados."
A Solana é a rede preferencial para os desenvolvedores do setor, concentrando 78 projetos, de acordo com a Messari. A Ethereum (ETH) vem logo a seguir, com 74. No entanto, "L1s com foco em DePIN, como IoTeX e Peaq, também estão ampliando seus ecossistemas."
Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, o HNT, token nativo da Helium Network, liderou os ganhos do mercado de criptomoedas em julho.