Com uma proposta de valor inspirada no Bitcoin (BTC) que tem atraído a atenção dos usuários da Solana (SOL), a criptomoeda Ore (ORE) lançou sua aguardada versão 2 na terça-feira, 6 de agosto. Mais uma vez, a mineração do ORE concentrou grande parte das atividades da rede.
Lançado em abril por um desenvolvedor anônimo identificado como Hardhat Chad, o Ore utiliza um mecanismo de prova-de-trabalho (PoW) para emissão de tokens e tem um suprimento total limitado a 21 milhões de tokens, assim como o Bitcoin.
A prova-de-trabalho é um mecanismo de consenso utilizado por redes blockchain que exige que os mineradores gastem energia para resolver problemas matemáticos complexos. As entidades que conseguem resolver esses problemas ganham o direito de validar um conjunto de transações e são recompensadas com uma quantidade de tokens pelo seu esforço.
Em menos de 24 horas após o lançamento da versão 2 do Ore, mais de 5 milhões de transações haviam sido submetidas, consumindo milhares de dólares em SOL em tentativas de minerar o token.
No auge da atividade, mais de 16% de todas as transações submetidas na blockchain da Solana estavam atreladas à mineração do ORE. Atualmente, a mineração do token representa 9,8% das transações na rede, de acordo com dados da Dune Analytics.
Em abril, o Ore fora responsável por problemas de congestionamento e falhas no processamento de transações na Solana, chegando a causar a interrupção da rede.
A versão 2 recém lançada promete aprimorar a eficiência e o design original do token, além de introduzir incentivos para que os mineradores mantenham as suas participações e não as despejem no mercado.
"ORE – Dinheiro nativo da Internet"
O site oficial do projeto apresenta o ORE como "um dinheiro nativo da Internet que se move na velocidade da luz e pode ser enviado a qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, em menos de um segundo, com taxas irrisórias."
A emissão do token a partir de um mecanismo de prova de trabalho não envolve a validação de transações – trata-se de uma estratégia alternativa para atrair usuários e gerar engajamento, similar a um airdrop.
"O Ore oferece a cada minerador seu próprio desafio computacional personalizado", explica o site do projeto. "Desde que você forneça uma solução válida para seu próprio quebra-cabeça individual, a Ore garante que você ganhará uma parte do suprimento."
A taxa de emissão do ORE é de um token por minuto. Até agora 14.807 unidades já foram mineradas, de acordo com dados do site oficial. Nesse ritmo, o suprimento total do Ore estará em circulação somente em 2064. Além da proposta de valor inspirada no Bitcoin, o ORE não conta com financiamento de fundos de capital de risco nem foram feitas pré-alocações para desenvolvedores ou a comunidade envolvida com o projeto.
O Ore pode ser minerado com telefones celulares, laptops e computadores de mesa, através da instalação de uma interface disponível para download no site do projeto.
Apesar da pretensão de tornar-se uma "moeda digital transfronteiriça e não permissionada", o ORE tem se revelado extremamente volátil.
Em cinco meses, o preço do ORE oscilou entre mínimas de US$ 54,18, logo após o lançamento, e a máxima histórica de US$ 1.451, registrada em 30 de julho. Desde então, o token despencou mais de 85% e atualmente está cotado a US$ 201,35, de acordo com dados do CoinGecko.
Desempenho do ORE desde o seu lançamento em abril deste ano. Fonte: CoinGecko
Apesar de ter provocado problemas no funcionamento da rede, o Ore foi o vencedor do Grande Prêmio do Solana Renaissance Hackathon em maio, conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil na ocasião. O evento, que tinha como objetivo identificar a próxima onda de projetos de alto impacto da Solana, premiou os desenvolvedores do projeto com US$ 50.000 em USD Coin (USDC).