As diferença entre tokens, moedas fiduciárias e criptomoedas e como lidar com elas

Stephen O'Neal
01 DEZ 2019
As diferença entre tokens, moedas fiduciárias e criptomoedas e como lidar com elas

Cointelegraph

1.

Existe alguma diferença entre token, moeda, moeda digital e moeda virtual?

De maneira rápida: Sim, existe.

De fato, existem diferenças entre todos esses termos, maiores e menores. Por exemplo, quando o JPMorgan Chase lançou seu JPM Coin, ele o apresentou como uma “moeda digital”, enquanto o Libra do Facebook foi introduzido como uma “criptomoeda” sólida - e, ironicamente, isso poderia ser parte da razão pela qual os reguladores de todo o mundo se mostram tão preocupados com este último.

No entanto, embora o JPM Coin e o Libra sejam diferentes em termos de design, em ambos os casos, os especialistas em descentralização foram rápidos em descartá-los não como "criptomoedas", mas como "dinheiro virtual" ou "moedas digitais" - basicamente porque são administrados por empresas e, portanto, são centralizados. Infelizmente, não é tão simples: embora a descentralização seja uma ideologia central por trás das criptomoedas, algumas delas podem ser centralizadas, pelo menos até certo ponto.

Assim, uma criptomoeda é uma moeda digital ou virtual (as sutilezas entre elas serão discutidas mais adiante neste artigo) que são construídas com criptografia forte, o que a torna altamente segura e imutável. A maioria das criptomoedas é baseada na tecnologia blockchain, um ledger distribuído imposto por uma rede descentralizada de computadores. Contudo, as criptomoedas sem blockchain também são tecnicamente possíveis - na verdade, o Digicash, uma das primeiras formas de pagamentos eletrônicos cripto lançado no início dos anos 90, não possuía blockchain.

Para tornar as coisas ainda mais complicadas, também existem subcategorias dentro das criptomoedas modernas convencionais (baseadas em blockchain) - o NEO por exemplo é uma moeda, enquanto o Binance Coin (BNB) na verdade é um token. Como você pode ver agora, há muita confusão no espaço cripto em torno desses termos e este artigo tentará deixar as coisas claras.

2.

O que é uma moeda?

Moedas digitais que são nativas de sua própria blockchain.

Bitcoin (BTC), Monero (XMR) e Ether (ETH) são exemplos de "moedas" de criptomoeda. O que eles têm em comum? Todos eles existem em seus próprios registros independentes: o BTC opera na blockchain original do Bitcoin, o ETH é usado na blockchain da Ethereum, o XMR existe na blockchain da Monero e assim por diante. Todos eles também podem ser enviados, recebidos ou minerados.

Como indica seu nome, as moedas tendem a ter as mesmas características do dinheiro: são fungíveis, divisíveis, portáteis e possuem fornecimento limitado. Assim, normalmente, as moedas de criptomoeda devem ser usadas exatamente como o dinheiro físico: para pagar pelas coisas (embora a adoção no varejo venha sendo lenta). Porém, existem exceções: embora o Ether tenha todos os atributos de uma moeda, ele funciona além do seu papel de "dinheiro", porque é usado dentro da blockchain da Ethereum para facilitar as transações.

Existem também as chamadas "altcoins", que ganharam este título porque se assemelham a uma alternativa ao Bitcoin, a criptomoeda original. Muitas altcoins são um fork do Bitcoin e foram desenvolvidas usando o protocolo de código aberto do Bitcoin - como (LTC) e Dogecoin (DOGE) - mas o ETH e o XMR mencionados acima também são chamados de altcoins, apesar de serem construídos em blockcoins inteiramente novas. Portanto, deve-se aplicar a seguinte pergunta ao definir uma altcoin: Ele é uma moeda de criptomoeda que possui sua própria blockchain, mas não é o Bitcoin (ou seja, a blockchain original)? Se sim, então é uma altcoin.

3.

Certo mas, um token, o que é?

Ativos digitais que podem ser usados ​​dentro do ecossistema de um determinado projeto.

A principal distinção entre tokens e moedas é que os primeiros exigem outra plataforma blockchain para operar. A Ethereum é a plataforma mais comum para criar tokens, principalmente devido a seu recurso de contratos inteligentes. Os tokens criados na blockchain da Ethereum são geralmente conhecidos como tokens ERC-20 - como a stablecoin mais popular do setor, o Tether (USDT) por exemplo. É claro que existem outras plataformas para tokens, como NEO ou Waves.

A finalidade dos tokens também é diferente em comparação às moedas, embora eles também possam ser usados como meio de pagamento (os chamados "tokens de moeda").

Muitos tokens são criados para serem usados ​​em aplicativos descentralizados (DApps) e suas redes. No entanto, esses são chamados de "utility tokens". Sua principal função é conceder ao detentor do token acesso à função do projeto - como o Token de Atenção Básica (Basic Attention Token - BAT). O BAT é um token ERC-20 (ou seja, sua plataforma blockchain é a Ethereum) criado para o aprimoramento da publicidade digital. Os anunciantes compram anúncios com tokens BAT, que são distribuídos entre editores e usuários do navegador como compensação pela hospedagem e exibição dos anúncios, respectivamente.

Além disso, existem "security tokens", que representam essencialmente o investimento de alguém em um projeto. Embora eles tirem valor da startup por trás do projeto, eles não dão ao detentor a propriedade real dessa startup. As pessoas compram esses tokens unicamente com a ideia de que seu valor aumentará no futuro. Esse era o raciocínio por trás do boom das ofertas iniciais de moedas (ICOs) que ocorreu em 2017 quando, infelizmente, as pessoas estavam comprando security tokens disfarçados de utility tokens. Normalmente, os valores mobiliários estão sujeitos a um exame minucioso de regulamentação e possuem políticas completas de Conheça seu Cliente (KYC), o que não era o caso do mercado de ICO.

4.

E a diferença entre moedas virtuais e digitais, então? Elas não são a mesma coisa? São sinònimos?

Não. Um é um termo muito mais abstrato, enquanto o outro é bastante concreto.

Na verdade a diferença é muito mais simples do que toda aquela entre token e moeda. “Moeda digital” é um termo genérico usado para descrever todas as formas de dinheiro eletrônico - seja moeda virtual ou criptomoeda (não, elas também não são exatamente a mesma coisa). O próprio conceito de moedas digitais foi introduzido pela primeira vez em 1983 em um trabalho de pesquisa de David Chaum, que posteriormente o implementou na forma de Digicash.

O recurso que define as moedas digitais é que elas existem apenas na forma digital ou eletrônica e, diferentemente de uma nota de dólar ou uma moeda de real, são intangíveis. Elas só podem ser de propriedade e gastas on-line por meio de carteiras eletrônicas ou redes conectadas designadas. Normalmente, não há intermediários (sem bancos), razão pela qual as transações são instantâneas e pouca ou nenhuma taxa é aplicada. Boas notícias: moedas digitais e dinheiro digital são a mesma coisa.

Portanto: moedas, tokens, moedas virtuais - todos são moedas digitais.

As moedas virtuais são uma outra coisa, embora sejam digitais por definição. Como definido pelo Banco Central Europeu pela primeira vez em 2012, o termo moeda virtual é "dinheiro digital em um ambiente não regulamentado, emitido e controlado por seus desenvolvedores e usado como método de pagamento entre membros de uma comunidade virtual específica". Um excelente exemplo de moedas virtuais que não são baseadas em criptografia seriam o dinheiro integrado aos videogames, como os tokens de World of Warcraft, os cartões de GTA Online ou os pontos da FIFA do jogo homônimo da EA Sports. Elas normalmente existem no ecossistema do jogo correspondente e são usadas ​​para desbloquear conteúdo bônus, como novos itens e animações.

Assim, diferentemente do dinheiro comum ou mesmo de moedas digitais específicas, as moedas virtuais não podem ser emitidas por um banco central ou outra autoridade reguladora bancária - o que explica a volatilidade a que eles estão sujeitas. Portanto, as criptomoedas são completamente separadas das moedas virtuais e não devem ser misturadas, pelo menos de acordo com o AP Stylebook, enquanto ambas se enquadram na categoria mais ampla de "moedas digitais".

5.

Estas definições são universais?

Não, dado que o espaço está em constante evolução.

As criptomoedas como as conhecemos existem há apenas 10 anos, enquanto a maioria das agências governamentais começou a prestar atenção nelas apenas de três a cinco anos atrás, quando a popularidade do Bitcoin começou a aumentar dramaticamente junto com seu valor. Notavelmente, o Libra do Facebook acabou por causar outro grande alvoroço entre os vigilantes financeiros: Certos países estão formando forças-tarefa para discutir o que é o Libra e como ele pode ser regulado.

Assim, as definições de criptomoedas tendem a variar entre jurisdições ou mesmo dentro das jurisdições: Somente nos Estados Unidos, cinco agências reguladoras diferentes definem as criptomoedas de cinco maneiras diferentes, dependendo de sua competência. O IRS (a "Receita Federal" dos EUA) vê as criptomoedas e a maioria das outras moedas virtuais como propriedade, a Securities and Exchange Commission (equivalente norte-americana da Comissão de Valores Mobiliários) pensa que elas representam valores mobiliários, enquanto a Financial Crimes Enforcement Network considera que as criptomoedas são dinheiro. Além disso, a estrutura reguladora de criptomoedas do Japão - a Lei de Serviços de Pagamento - define "criptomoeda" como um valor da propriedade. Finalmente, o diretor do banco central da Rússia uma vez chamou o Bitcoin de "substituto da moeda".

Além disso, considerando que o espaço está evoluindo a uma velocidade tremenda - e que os reguladores estão sempre atrasados ​​- é justo supor que novos termos para moedas digitais possam aparecer no futuro, o que torna especialmente importante estar sempre em dia com as atuais denominações.