Gabriel Aleixo #9

Analista-sênior da QR Capital

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Gabriel Aleixo & Analista-sênior da QR Capital
Residência Rio de Janeiro
Categoria Educação, Tecnologia,
Formação FGV - RJ
Conhecido por Ser um dos principais pesquisadores brasileiros sobre criptomoedas e blockchain, já tendo participado e liderado diversos projetos
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Estou realmente triste pelo mundo, pelo que muitos estão passando e outros ainda vão passar, mas fico minimamente confortável sabendo que há um plano B (de Bitcoin)

Bio:

Gabriel Aleixo é graduado em Administração pela FGV, com cursos de extensão em Inovação e Criptografia pela Universidade de Cambridge, e atualmente cursa MBA em Gestão de Tecnologia da Informação pela FGV.

Aleixo também é co-criador e apresentador da websérie “Bitcoin em Português”, primeiro curso aberto sobre Bitcoin em língua portuguesa.

Foi pesquisador do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) por 6 anos, tendo atuado nas frentes de moedas digitais e contratos inteligentes desde 2013.

Atua como mediador e professor em diversos congressos, eventos e cursos de blockchain e tecnologias emergentes em todo o território nacional.

Atualmente, é pesquisador e analista sênior da QR Capital, um grupo de marcas focado em soluções de investimento na indústria de blockchain. 

O impacto do Covid-19 no mercado de criptomoedas

O impacto direto é baixo, mas o impacto indireto é gigantesco. A liquidez global e a transmissão de valores de forma rápida, barata e desburocratizada ajudam muito na hora de doações emergenciais, o que certamente contribui para evidenciar um dos casos de usos mais importantes dos ativos digitais.

Na dimensão macroeconômica, tudo converge para uma “tempestade perfeita” para o Bitcoin e alguns outros criptoativos. Não é possível assegurar que o mundo irá assimilar a potencialidade dessas tecnologias de forma rápida ou que o preço vá subir vertiginosamente amanhã.

Mas estamos testemunhando a ascensão dez vezes mais forte de tudo o que levou o Bitcoin a ser criado, tudo contra qual ele foi concebido para lutar, etc. Em termos de mercado, pensando a longo prazo, nunca estive mais otimista com a relevância e a importância do Bitcoin.

Estou realmente triste pelo mundo, pelo que muitos estão passando e outros ainda vão passar, mas fico minimamente confortável sabendo que há um plano B (de Bitcoin) integralmente voluntário e fora do alcance do lobby político ou das políticas monetárias ruins.

O mercado global de criptomoedas daqui a 10 anos

Difícil ter essa resposta, especialmente num mundo em que os ciclos econômicos são fortemente agravados por políticas insustentáveis no longo-prazo, mas que enganam muitos no curto prazo.

É muita imprevisibilidadepara tentar adivinhar para onde as criptomoedas vão. Mas para mim é mais ou menos certo que algumas delas estarão lá.

Certamente as criptomoedas estarão presentes na vida de milhões de pessoas. O Bitcoin não será desinventado. Projetos vêm e vão, mas a tecnologia em si fica. E quanto mais tempo passa e o Bitcoin segue de pé, mais tempo ele tende a seguir dessa forma. É o "Lindy Effect".

São mais de 5.000 criptoativos publicamente listados em corretoras mundo afora. É provável que em 10 anos apenas 5% deles existam, e que desses existentes apenas metade tenha uso prático, adoção institucional, etc.

10 anos me parece tempo mais do que suficiente para que 95% deles quebrem e 5% virem a “Google / Amazon / Facebook” de seus segmentos.

O futuro para as criptomoedas no Brasil?

Acho que as criptomoedas são essenciais para inclusão massiva de indivíduos no sistema financeiro num país como o nosso. A discrepância entre indivíduos com acesso à internet e com acesso ao sistema bancário ainda é enorme.

Como eu acho que certos serviços de hoje estão fadados à obsolescência, seria fantástico já incluir essas pessoas no novo sistema financeiro.

É claro que há uma grande curva de aprendizagem e de adaptação na usabilidade dessas tecnologias para que isso seja possível, mas começando por tornar o Bitcoin acessível a mais pessoas e uma stablecoin em moeda local que funcione como meio de pagamento rápido e fácil já seria excelente.

E, claro, acredito na necessidade de integrarmos os criptoativos no mercado financeiro tradicional brasileiro. Num país que passou há pouco tempo por inflação e que de certa forma não consegue assegurar uma visão monetária saudável a longo-prazo, o acesso a fundos de investimento regulados ou à compra simplificada pode ser crucial para o crescimento do mercado em território nacional.

Seu papel na indústria de criptomoedas e blockchain

Sigo trabalhando incansavelmente para popularizar o tema, educar o leigo e contribuir para a racionalização do mercado. Basicamente, é o que eu sempre procurei fazer e creio ser meu papel também no futuro.

Produzir conteúdo em áudio, vídeo, textos, sempre que possível de forma aberta e gratuita. E também cuidar para que agendas específicas não “sequestrem” o Bitcoin e outros.

É importantíssimo incluir o máximo de gente possível na comunidade, mas sem deixar de defender aqueles princípios “raiz” do Bitcoin, de liberdade, autonomia, do código aberto, etc. Trabalharei pra que todos sejam bem-vindos, mas sem esquecer de onde viemos e por quê.