Recentemente o presidente dos EUA, Donald Trump assinou uma order executiva 'banindo' as CBDCs dos EUA. Segundo a ordem do presidente, nenhum órgão federal americano pode desenvolver ou continuar o desenvolvimento ou planejar desenvolver uma CBDC, como o Drex no Brasil ou como o Yuan Digital na China.

Segundo Trump, os EUA devem se tornar a capital mundial das criptomoedas e, com isso, o presidente americano quer fortalecer o papel das stablecoins baseadas no dólar para manter a moeda americana forte e influente em todo o mundo.

Especialistas acreditam que isso pode legitimar o mercado de pagamentos transfronteiriços com stablecoins que podem superar o marketcap do Bitcoin. Dados do DefiLhama já apontam um grande crescimento do marketcap das stablecoins que, somados, já superam o XPR e ficam atrás apenas do Ethereum e do próprio Bitcoin

Somente em 2024, o valor de mercado das stablecoins subiu mais de US$ 100 bilhões, impulsionado pelo bull market, pelo crescimento das aplicações em DeFi, pela frebre das memecoins e também pelo crescimento de seu uso no mercado de remessas.

No entanto, segundo Jack McDonald, Vice-Presidente Sênior de Stablecoin, os desafios regulatórios estão tornando a entrada de novos players cada vez mais difícil. Apenas emissores com respaldo institucional e compliance rigoroso, como o USDC, têm conseguido se manter competitivos diante dos altos custos de operação e da exigência de transparência na gestão de reservas.

Ele aponta que as grandes exchanges e provedores de liquidez também estão cada vez mais seletivos, priorizando stablecoins com maior liquidez e confiabilidade. Essa tendência deve marginalizar emissores menores e consolidar o domínio de gigantes do setor como USDT e USDC.

McDonald também destaca que apesar da consolidação, novas oportunidades estão surgindo. Algumas stablecoins, como RLUSD, estão focando em nichos específicos, como transações corporativas, enquanto outras apostam em modelos consorciados, como o USDG, lançado por Robinhood, Paxos e parceiros.

"A inovação continuará a ser um fator crucial, com projetos explorando novas formas de interoperabilidade e rendimento dentro do ecossistema DeFi", disse.

Crescimento das stablecoins

O VP da Ripple também afirma que o cenário econômico também desempenha um papel determinante. Em períodos de alta do mercado, novos entrantes podem explorar alternativas, como stablecoins atreladas a moedas diferentes do dólar e modelos de rendimento. Já em um cenário de baixa, a tendência é de fusões e aquisições, consolidando ainda mais o domínio dos maiores emissores.

"A utilização das stablecoins vem se expandindo para além do mercado cripto. Dois novos motores de demanda prometem impulsionar esse crescimento em 2025: os pagamentos transfronteiriços e o uso como colateral em negociações", destaca.

Ele aponta que as stablecoins estão sendo vistas como um meio eficiente para transações internacionais, oferecendo liquidação instantânea, baixo custo e estabilidade em comparação com moedas fiduciárias voláteis. Isso tem atraído tanto empresas quanto indivíduos que buscam alternativas mais rápidas e baratas para transferências internacionais.

Além disso, o uso de stablecoins como colateral está se tornando mais comum no setor financeiro. Com a tokenização de ativos do mundo real, como imóveis e ações, investidores podem utilizar stablecoins para operar com alavancagem, financiar operações e até acessar mercados tradicionais de forma mais eficiente.

Segundo Rocelo Lopes, fundador da Truther, ainda em 2025, máquinas de pagamento (POS) poderão oferecer opções como PIX, cartões tradicionais e USDT, refletindo o crescente uso das stablecoins no comércio. Esse avanço pode representar um novo estágio para o setor, tornando os pagamentos em cripto mais acessíveis ao consumidor comum.

Lopes aponta ainda que apesar da crescente diversificação do mercado, o USDT (Tether) continua sendo a principal stablecoin global, mantendo 90% de participação no mercado mundial, mesmo diante das recentes regulamentações na Europa. Esse domínio impõe desafios aos novos emissores, que precisam apresentar diferenciais para conquistar espaço.

O executivo destaca que a concorrência deve se intensificar com stablecoins menores buscando se destacar por meio de tecnologia mais eficiente, como blockchains mais rápidas, custos operacionais reduzidos e integração direta com moedas nativas estáveis. Esse movimento pode pressionar a Tether e outras grandes emissoras a aprimorarem seus serviços para manter sua liderança.

"Além do USDT, outras stablecoins têm surgido com características específicas para atender demandas locais. No Brasil, por exemplo, a SmartPay lançou uma stablecoin lastreada em Tether Gold (XAUT), permitindo que qualquer usuário monitore sua movimentação e garantia, reforçando a transparência e segurança do ativo", afirma.

Embora a dominância do USDT deva continuar nos próximos anos, Lopes acredita que o mercado seguirá evoluindo com novas moedas oferecendo funcionalidades inéditas para competir. O diferencial tecnológico será um fator crucial para garantir espaço entre as principais stablecoins do mundo.

Casos de uso em expansão

Conforme o relatório "Ecossistema de Stablecoins na América Latina", divulgado pela Bitso Business em parceria com a PCMI, as stablecoins estão revolucionando a maneira como empresas e indivíduos realizam transferências de valor ao eliminar intermediários, reduzir custos e acelerar operações. 

Também apontando um crescimento exponencial do setor em 2025, o relatório apontou 5 tendências para este mercado neste ano:

1. Remessas internacionais

O Banco Mundial estima que, em 2024, o fluxo global de remessas atingiu US$ 685 bilhões, com a América Latina representando uma parte significativa desse montante. No entanto, as transferências internacionais ainda sofrem com altas taxas e prazos prolongados devido à participação de múltiplos intermediários.

As stablecoins surgem como uma solução eficiente, tornando essas transações mais rápidas e acessíveis, beneficiando tanto empresas financeiras quanto usuários.

2. Games e entretenimento digital

O setor de games está em expansão e deve alcançar US$ 321 bilhões até 2026, segundo relatório da PwC. Nesse cenário, as stablecoins oferecem uma solução para a fragmentação de pagamentos e incompatibilidade entre plataformas, permitindo transações rápidas e transparentes que se integram a um ecossistema global, beneficiando desenvolvedores e jogadores.

3. Importação e exportação

Empresas que operam com redes globais de fornecedores enfrentam desafios como regulamentações complexas e processos de pagamento demorados. As stablecoins proporcionam uma alternativa eficiente, permitindo transações 24/7, eliminando burocracias e reduzindo riscos de fraude, melhorando a eficiência nas cadeias de suprimentos.

4. Expansão de empresas na América Latina

O mercado B2B transfronteiriço latino-americano, avaliado em US$ 600 bilhões, pode chegar a US$ 1,37 trilhão até 2030. No entanto, empresas que ingressam na região enfrentam desafios como volatilidade cambial e acesso restrito ao sistema bancário.

O uso de stablecoins por meio de plataformas como a Bitso Business facilita essa expansão, oferecendo soluções reguladas e conectadas aos sistemas de pagamento locais.

5. Folha de pagamento global

A digitalização do mercado de trabalho e o crescimento das contratações remotas aumentaram a necessidade de soluções financeiras eficientes. As stablecoins simplificam o pagamento de profissionais ao redor do mundo, garantindo taxas mais baixas, maior segurança e inclusão financeira, eliminando a necessidade de intermediários bancários e reduzindo barreiras geográficas.