"Queremos estar em tudo que se move".

Com estas palavras, Julio Ramos, Diretor-executivo para Mobilidade Urbana da Visa do Brasil, junto com Fernando Amaral, vice-presidente de Produtos e Inovação da Visa, Hugo Costa, diretor Executivo e Oscar Pettezzoni, diretor-executivo da consultoria, resumiu os planos da gigante mundial de pagamentos para 2023 e os próximos anos. 

O risco na palavra pagamentos não é um erro do editor, foi de propósito, já que a empresa global entende que o dinheiro digital nada mais é do que um dado e, como tal, se este dado, assim como dados no metaverso, na web3 e na internet das coisas, se movem, logo a Visa almeja ser a rede das redes destes dados conectados globalmente.

E, para conectar estes dados, a Visa revelou ao Cointelegraph que aposta em duas grandes soluções de infraestrutura: tokens e blockchain.

O processo de conversão das credenciais dos usuários da Visa em tokens é fundamental em toda a estratégia de redes da empresa, seja ela voltada para pagamentos no mundo digital ou para pagamentos no mundo físico.

A Visa aposta haver um só mundo, com experiências físicas e digitais interconectadas e interdependentes. Deste modo, com o processo de tokenização das credenciais a empresa que eliminar esta fronteira entre os mundos para o cliente poder pagar pelo estacionamento no shopping com a mesma agilidade e rapidez com que compra um avatar em NFT com cartão em um marketplace.

Segundo revelou a empresa, este processo de tokenização permite com que vários dispositivos compartilhem as mesmas credenciais e isso é a base de seus principais produtos 'para o futuro do presente': o Click to Pay, Tap To Phone, as soluções para mobilidade urbana (que já são realidade no Rio de Janeiro e devem ganhar corpo na cidade de São Paulo) e o P2M (Peer-to-Merchant), modalidade na qual os consumidores poderão fazer compras diretamente em aplicativo de mensageria com cartões de crédito e débito, sem precisar ir para links externos.

"Para pagamentos digitais, a tendência é o aumento da utilização de tokens para garantir transações cada vez mais seguras, buscando a diminuição da circulação de dados dos cartões. No ano de 2022, a Visa atingiu a marca de 4 bilhões de tokens emitidos no mundo, superando o número total de cartões em circulação", destacou a empresa.

Em 2022, no Brasil, a Visa identificou que o número de transações tokenizadas duplicou em relação ao mesmo período do ano anterior, representando mais de 20% de todas as transações com credenciais Visa no mundo online. Já a quantidade de fraudes em transações tokenizadas é extremamente baixa, chegando a ser 4x menor que as demais operações realizadas em compras virtuais.

Blockchain

Outra grande aposta da empresa é na interligação de pontos com o uso de blockchain e para isso a Visa vem ampliando o desenvolvimento do Visa Direct uma solução instantânea para remessa de valores que funciona, basicamente, como a RippleNet, conectando operadores financeiros em diferentes países para permitir o envio de valores por meio da rede que é garantida por blockchain.

Além disso, a ferramenta deve ganhar outros casos de uso no país, principalmente em dispersão de fundos, que é o pagamento de recursos por meio de Vida Direct, como antecipação de salário e empréstimos.

Outra aposta da empresa é o Universal Payment Channel (UPC) que atua como um hub, interconectando várias redes blockchain e permitindo a transferência de moedas digitais. Segundo a Visa a rede funciona como um “adaptador universal” entre blockchains, permitindo que bancos centrais, empresas e consumidores troquem valor entre todas as redes, independentemente do formato da moeda.

    universal payment channel connecting stable coin and central bank digital currency blockchain networks in a hub and spoke fashion

    Com tokens e blockchain a Visa também quer 'digitalizar' o mundo do agro e para isso, no Brasil, lançou uma parceria com a startup Agrotoken, com o anuncio do cartão Agrotoken Visa no Brasil que permite realizar transações com cartão de crédito lastreado em commodities agrícolas.

    Como noticiou o Cointelegraph, a solução torna possível que produtores rurais poderão tokenizar commodities e fazer compras de forma simples nos diferentes agentes fornecedores de serviço e produtos que já atuam na cadeia. O cartão de crédito internacional pode ser usado como meio de pagamento em mais de 80 milhões de estabelecimentos credenciados à Visa no mundo.

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