O preço do Bitcoin em alta não impulsiona apenas o trading e a expectativa dos investidores de lucrar, mas também contratações nas empresas que operam com criptoativos que, na busca por atender a demanda crescente dos investidores, investem em infraestrutura e em pessoal.
E, como os bancos no Brasil estão cada vez mais aumentando sua exposição ao mercado de criptoativos, as contratações também estão em alta e em grandeeeeee alta. Segundo o “Estudo de Remuneração” anual realizado pela consultoria Michael Page, os diretores de bancos tradicionais que trabalham com criptomoedas estão entre os mais bem remunerados do Brasil.
O estudo aponta que o salário anual para CEO regional em criptomoedas nos bancos do Brasil chega até a R$ 1,3 milhão por ano, ficando atrás apenas do diretor executivo comercial (R$ 1,3 milhão) e do diretor executivo de Produtos em fintechs (R$ 1,5 milhão).
O CEO regional em criptomoedas desempenha um papel importante na condução estratégica e operacional das iniciativas relacionadas a moedas digitais dentro de uma instituição bancária. Suas responsabilidades abrangem desde a definição de estratégias e implementação para a integração das criptomoedas conforme regulamentações locais até a gestão de riscos, desenvolvimento de produtos inovadores e o estabelecimento de relações estratégicas com diversas partes interessadas.
Além disso, lidera a equipe dedicada a essas questões, garantindo atualização constante, educação interna e externa sobre criptomoedas e comunicação eficaz das políticas e procedimentos associados à adoção dessas tecnologias emergentes.
Dados para este estudo foram compilados ao longo de meses por entrevistas conduzidas por consultores da Michael Page. Durante essas interações, profissionais compartilharam informações sobre seus salários. Além disso, dados sobre a remuneração foram fornecidos pelas empresas.
Foram analisados dados de 15 segmentos econômicos, abarcando desde bancos e serviços financeiros, engenharia e manufatura, até agronegócio, finanças, saúde e ciências, propriedade e construção, setor jurídico, marketing digital, recursos humanos, secretariado e administração, seguros, operações de cadeia de suprimentos, tecnologia da informação, varejo e vendas.
Bancos e criptomoedas no Brasil
Embora a relação entre bancos e criptomoedas tenha começado tensa no Brasil, desde 2017, diversas instituições começaram a aderir e anunciar iniciativas no mercado de criptoativos. As primeiras ações, ainda tímidas, foram do Banco Plural liberando API para integração com exchanges e do Banco Rendimento anunciando uma parceria com a Ripple.
Depois o BTG liderou a integração das finanças tradicionais com cripto, anunciando o primeiro token RWA de imóveis. Mais recentemente o BTG anunciou uma exchange própria de criptomoedas e diversas outras ações relacionada com o mercado cripto.
Além dele, o Nubank, o maior banco digital do Brasil, também anunciou integração com criptomoedas e agora oferece mai de 15 criptoativos para seus clientes. Quem também aderiu as criptomoedas foi o banco Mercado Pago, que oferece compra de criptos no app.
O Banco do Brasil também possuí diversas iniciativas com cripto, seja usando blockchain ou oferecendo fundos de investimento baseados em criptomoedas, assim como faz o C6 e o Inter.
O Itaú, outrora um dos grandes críticos dos critpoativos, também possuí ações em blockchain, iniciativas de tokens RWA com recebíveis e mais recentemente compra e venda de Bitcoin. Mesmo caminho que pretende seguir o Santander, que já anunciou ações do tipo no Brasil.
Além disso, todos os bancos e fintechs do Brasil participam (ou aguardam o lançamento) do DREX, a CBDC do Brasil que atualmente em sua fase e testes usa a blockchain do Hyperledger BESU, compatível com Ethereum. O objetivo do Banco Central, com esta moeda digital, é habilitar o ecossistema de tokenização na economia nacional e integrar o SFN com o ecossistema das finanças descentralizadas.