No dia 20 de dezembro de 2017, a revista Veja decidiu oferecer um “Bitcoin de papel” aos eleitores, através de uma brincadeira com a credibilidade da criptomoeda.

Segundo a publicação da empresa, quem recortasse aquela imagem do Bitcoin na revista poderia ter um ativo mais valioso que o próprio ‘Bitcoin original’, e em apenas um ano.

Embora o preço do Bitcoin tenha caído drasticamente até dezembro de 2018, a criptomoeda quebrou recordes jamais vistos pelo mercado, três anos após o lançamento daquela revista.

Além disso, em 2020 o BTC foi apontado como o investimento com melhor retorno do ano, enquanto que o “Bitcoin de papel” da Veja não possui valor algum no mercado atualmente.

Bitcoin de papel oferecido pela Veja

Há exatamente três anos, a Veja ofereceu um “Bitcoin de papel” aos eleitores através da seção “Sensacionalista”. Além de satirizar a criptomoeda, a página onde o BTC foi divulgado pela revista trazia piadas com políticos e os desdobramentos de investigações na época.

Assim, a imagem do “Bitcoin de papel” foi oferecida precisamente na página 49 da revista Veja de número 2561, publicada no dia 20 de dezembro de 2017. A criptomoeda aparece ao lado do ex-presidente Lula, em uma matéria sobre o julgamento dele que supostamente aconteceria em janeiro de 2018.

“Recorte este Bitcoin e guarde. Em um ano, ele valerá mais que um Bitcoin de verdade.”

A revista Veja decidiu ‘brincar’ com a credibilidade do preço do Bitcoin, três dias depois que a criptomoeda se aproximou de US$ 20 mil no mercado pela primeira vez. Em um ano, a Veja prometeu que o “Bitcoin de papel” valeria mais que o ‘BTC verdadeiro’, o que não aconteceu.


Bitcoin de papel foi oferecido pela revista em 2017 (Reprodução/Veja)

Revista foi vendida após dívidas do Grupo Abril

O preço do Bitcoin caiu logo após a publicação da Veja no final de 2017, e somente em 2020 que a criptomoeda conseguiu ultrapassar o recorde histórico atingido naquele ano.

Sem saber como seria o futuro da criptomoeda, a revista ofereceu um “Bitcoin de papel”, alegando que ele poderia ter mais valor que o próprio BTC. No entanto, um ano depois da publicação da Veja, quem teve problemas foi o grupo que administra o periódico.

Exatamente no dia 20 de dezembro de 2017, a família Civita perdeu o controle do Grupo Abril, do qual a revista Veja faz parte. Para os herdeiros do grupo, apenas um valor simbólico de R$ 100 mil foi pago por Fábio Carvalho, o empresário que comprou o Grupo Abril, através do Calvary Investimentos.

Endividado, o Grupo Abril devia R$ 1,6 bilhão aos bancos e por isso o valor de venda foi repassado aos credores da empresa. No entanto, desde agosto de 2018, o Grupo Abril passa por um processo de recuperação judicial.

Enquanto isso, a trajetória do Bitcoin foi diferente nos últimos três anos. Desde que a revista Veja publicou um “Bitcoin de papel”, a criptomoeda enfrentou uma queda, mas teve uma impressionante valorização em 2020.

Desse modo, no dia 20 de dezembro de 2017 o BTC valia por volta de US$ 16.500. Três anos mais tarde, a criptomoeda alcançou um valor de quase US$ 25 mil, em uma valorização superior a 50%.

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