A falência da stablecoin UST em manter sua paridade com o dólar está fazendo todo o mercado de criptomoedas sangrar, levando o Bitcoin a perder o importante suporte que estava estabelecido em US$ 30 mil, caindo mais de 20% nos últimos 7 dias e chegando perto de US$ 27 mil.

Porém a maior queda foi na Terra (LUNA), blockchain de camada 1 na qual o UST é construído. Além disso a Luna era a gestora do UST e responsável pelo seu lastro. Como resultado, o valor da criptomoeda despencou mais de 99% saindo de US$ 116 para US$ 0,01 em menos de 7 dias.

 

De acordo com Tammy Da Costa, do DailyFX, a falência do UST não foi a unica responsável pelo crash do mercado, mas há uma soma de fatores, como as preocupações inflacionárias exacerbadas pelo conflito em andamento entre a Rússia e a Ucrânia, pressionando ainda mais os preços das commodities.

"Depois que o Federal Reserve anunciou um aumento de 50 pontos base na última reunião do FOMC (em 4 de maio), as ações de tecnologia e as criptos despencaram, levando o Bitcoin de volta a US$ 30.000. No entanto, após o colapso do UST e um relatório de ganhos sombrio da Coinbase, uma impressão de CPI dos EUA acima do esperado enviou ondas de choque pelos mercados, que viu o mercado de criptomoedas perder aproximadamente US$ 200 bilhões de dólares", disse.

Já Martha Reyes, chefe de pesquisa da BEQUANT, destacou que os mercados em colapso apresenta oportunidade para os players institucionais começarem a construir posições em Bitcoin e impulsionar a regulamentação de stablecoins.

“Embora não possamos chamar o fundo e as correlações entre as classes de ativos permaneçam elevadas, o Bitcoin sobreviveu a correções de 70-80% no passado. Esta pode ser uma oportunidade para as instituições construírem posições em melhores níveis. A incerteza em torno das stablecoins é uma preocupação e pode levar a outra saída, mas podemos finalmente obter a estrutura regulatória tão necessária que pode atrair instituições. Os reguladores tendem a ser reativos, então isso pode ser o catalisador para uma maior regulamentação das stablecoins.”, apontou.

Aversão ao risco

Guilherme Rebane, Head de América Latina da OSL, reforça o argumento dos analistas e aponta que o movimento de queda nas criptomoedas é reflexo de um momento de grande aversão a ativos de risco por parte dos investidores. 

Para Rebane, apesar do mal momento que impacta as criptomoedas e os ativos de risco, o movimento desta semana é reflexo da evolução do mercado de ativos digitais.

 "A classe de ativos tem se sofisticado conforme ganha tamanho. Nesse cenário, as stablecoins têm sido tema de muita discussão por reguladores ao redor do mundo, e agora vemos os mecanismos que se propõem a sofisticar esses produtos sendo colocados a prova", diz. 

Ainda segundo ele, além do sell-off por conta de uma redução na exposição a ativos de risco, dessa vez o ecossistema de ativos digitais tem sido testado pelo o que alguns vinham caracterizando como um possível risco sistêmico para as criptomoedas.

"Estamos falando de uma stablecoin baseada em um algoritmo, que teve perda de paridade e  seu valor de mercado reduzido em mais de 8 bilhões de dólares em questão de horas. Mais uma vez o ecossistema é colocado a prova, e mostra resiliência”, conclui Rebane.

Busca por comprar Bitcoin aumenta 102%

Uma análise dos dados do Google Trends revela que as pesquisas em todo o mundo por “comprar criptomoedas” explodiram em 102% em 12 de maio, depois que o mercado de criptomoedas caiu para seu ponto mais baixo desde 2020.

Uma nova descoberta da Safe Trade Binary Options revelou que o interesse online por “comprar criptomoedas” explodiu em mais de duas vezes o volume médio de pesquisa nas últimas 24 horas.

“A criptomoeda está se tornando cada vez mais popular como opção para os investidores, mas também ainda é um mundo desconhecido para muitos. A recente queda no mercado pode ter levado as pessoas que estavam em cima do muro a 'comprar a queda' e investir em criptomoedas pela primeira vez, enquanto os preços estão no menor nível em dois anos”, destacou a empresa.

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