Usando Bitcoin no Uruguai: o que deu certo e o que deu errado

Aproveitando que o Cointelegraph me convidou para realizar uma cobertura jornalística sobre a Labitconf no Uruguai, resolvi aproveitar a oportunidade para ver como é usar Bitcoin naquele país, como disse no texto que escrevi sobre a mesma experiência em Singapura, a idéia é sempre mostrar o que funciona e o que não funciona tão bem no uso do BTC como meio de troca, dinheiro, ou seja lá como você prefere falar.

A primeira coisa, claro, foi ter os Bitcoins. Então comprei no Brasil cerca de US$ 300 em BTC para usar no Uruguai. Chegando no país, o primeiro problema: não existem ATM de Bitcoin no Uruguai e, para usar serviços de exchange ou a localbitcoins era preciso ter uma conta bancária associada a conta, resultado, zero chance de vender BTC com empresas.

A solução seria procurar a Urubits, uma espécie de OTC de Bitcoin que conecta vendedores p2p, como se fosse a localbitcoins, e na qual eu poderia tentar vender meus BTC e pegar pesos uruguaios, mas não funcionou porque o escritório, que fica em uma área nobre de Montevidéu, mas longe do centro, só abre das 10h às 15h e as duas vezes que cheguei no prédio o local já estava fechado.

Sem a chance de comprar Bitcoin diretamente fui tentar usar os ATM dos bancos tradicionais usando cartões que podem ser 'carregados' com Bitcoin, porém, só tinha levado para o Uruguai o cartão da Uzzo, que funciona com a bandeira Elo e, fora do Brasil, a rede da operadora é a Dinners, que infelizmente não tinha nenhum suporte em ATMs. Resultado, nada de Bitcoin para Cash nos ATM dos Bancos.

Tentei achar locais que aceitam Bitcoin direto e não foi nada fácil, pouquíssimos lugares e que não atendiam todas as necessidades, como comprar um carregador para o notebook que o meu quebrou, ou comer um chivito (um prato típico aqui), enfim, desisti de usar BTC diretamente.

Resolvi então usar as soluções da Atar e da Uzzo, diretamente nos restaurantes, (nota: nesta viagem não consegui trazer o cartão da Alterbank, mas prometo que na próxima vou levar). No caso da Uzzo, como disse eles usam a Elo e, no Uruguai, praticamente tudo é dominado por Visa e Mastercard. Tentei usar em 4 locais diferentes, mas, infelizmente ninguém aceitava Dinners, e não consegui usar o cartão.

No caso da Atar, estava com a pulseira que 'carreguei' com BTC usando a Stratum. No restaurante, na hora do pagamento, os funcionários estranharam a pulseira, acho que nunca tinham visto aquele tipo de pagamento, mas deu certo na máquina que funcionava com NFC, mas não é tão comum estabelecimentos com NFC.

 

Interessante notar que aqui, quando o pagamento é feito com cartão, há um desconto de 20% na conta.

No final, para garantir que eu não seria surpreendido em um restaurante ou em um supermercado que não tinha suporte para NFC, acabei vendendo 0.01 Bitcoin por Reais, usando um p2p brasileiro, o Rafael Felicio, que também estava no evento e troquei os reais na casa de câmbio por pesos uruguaios.

Resultado, funcionou melhor que em Singapura onde tive muita dificuldade para usar Bitcoin para pagar coisas no dia-a-dia. Contudo, pelo menos no Uruguai, não são todos os estabelecimentos que aceitam cartão e há alguma dificuldade entre os atendentes quando é preciso usar o NFC. 

Conclusão: o dinheiro ainda se saiu melhor que o Bitcoin no Uruguai. Mais fácil e mais aceito, inclusive há muitos estabelecimentos que aceitam pagamentos diretamente em reais, 'pagando' um valor muitas vezes melhor que nas casas de câmbio.

Mas, como pediu Andreas Antonopoulos, seguimos firme com Bitcoin.

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