O mês de julho trouxe um alívio para os investidores de criptomoedas já que o preço do Bitcoin mostrou sinais de recuperação e, mesmo com o aumento na taxa de juros na economia americana, a maior criptomoeda do mercado resistiu e conseguiu manter seu valor acima de US$ 22 mil.

Contudo, embora o mês tenha sido de consolidação e não de quedas, os analistas ainda permanecem divididos sobre como o preço do Bitcoin deve se comportar em agosto já que o cenário macroeconômico não seja portador de boas notícias.

Para o Dr. Martin Hiesboeck, chefe de pesquisa de blockchain e criptomoedas da Uphold, o mês de agosto pode confirmar a tendência apontada em julho de que o preço do Bitcoin encontrou um fundo em US$ 18 mil e, portanto, daqui para frente não deve retornar mais a este valor.

No entanto, isso não significa que o Bitcoin deve romper a tendência de baixa e iniciar um movimento de alta. Segundo ele, o BTC, assim como o amplo mercado de criptoativos, deve continuar negociando lateralmente ainda em agosto.

"Os sinais de fundo do Bitcoin continuam, mas não esperamos uma diminuição significativa na volatilidade de qualquer maneira. Os sinais de julho não foram suficientes para o bitcoin', disse.

O que preocupa o analista são as revisões para baixo nos lucros que devem ser divulgados por grande empresas em todo o mercado. Combinado com cortes de empregos, eles não pintam um quadro bonito e nem todas as más notícias podem ser precificadas.

"No geral, a situação macroeconômica não melhorou e o risco geopolítico é o fator decisivo que afeta o mercado de criptomoedas, como mostraram os ataques da Rússia a Odessa. No entanto, a correlação de 30 dias do Bitcoin com o S&P caiu para 0,76 , que é um sinal que nos deixa otimistas.", destacou.

Agosto será chato e entediante

Na mesma linha de Hiesboeck, Mikkel Mørch, Diretor Executivo da ARK36, argumenta que o alívio recente mostrou força para o BTC, mas não força suficiente para uma reversão de tendência. Mørch foi um dos únicos analistas em novembro de 2020, quando o Bitcoin chegou em US$ 69 mil, que não havia qualquer possibilidade do BTC chegar a US$ 100 mil naquele ano.

Mørch argumenta agora que agosto deve ser um mês 'morno', com alguma chance de uma alta para o BTC. Porém, segundo ele, os investidores devem prestar atenção maior em setembro, que pode ser o mês de um novo crash.

“Como a próxima alta não ocorrerá até setembro, pode haver algum espaço para alta agora – embora isso dependa da força do dólar e do ambiente macro mais amplo. Como se vê, então, o FOMC de setembro será muito mais importante. Teremos então muito mais clareza em relação ao efeito que os aumentos das taxas tiveram na economia e se estamos em um pouso suave ou manual. Portanto, uma alta de 75 ou talvez 50 pontos-base em setembro provavelmente desencadeará uma forte venda de ativos de risco", argumentou.

Chris Terry, vice-presidente de soluções corporativas da SmartFi, também aponta que agosto será um mês chato e tedioso no qual o Bitcoin deve continuar negociando lateralmente na faixa de US$ 20 mil com aumentos de até 15% ou 20%.

“Até a economia quebrar não vai acontecer muita coisa. Prevemos que o Bitcoin continuará sendo negociado nessa faixa estreita de US$ 20.000 mais ou menos 10-15%. Nada disso deve ser uma surpresa. Poderíamos estar neste mercado estagnado por semanas e semanas. Tedioso", resumiu.

Pode subir para US$ 30 mil mas a tendência ainda é de queda

Outro analista que acredita em alta mas não em reversão de tendência é o analista chefe da Titanium Asset Management, Ayron Ferreira. Para ele, o cenário macroeconômico americano seguirá ditando os rumos no curto prazo do mercado de criptoativos.

"Com o andamento do ajuste monetário ocorrendo nos EUA e após o discurso menos hawkish de Jerome Powell em 27 de julho vimos uma recuperação interessante no preço do Bitcoin, que desde o último fundo subiu em torno de 30%. Essa retomada aconteceu após um momento de extrema sobrevenda no preço, sinalizado por diversos indicadores, como o MVRV (Market Value to Realized Value), que calcula o valor dos bitcoins pela última vez que foram negociados. Esse indicador estava abaixo de zero e historicamente quando isso acontece indica momentos de sobrevenda", disse.

Ainda segundo ele, em julho ocorreu um forte movimento de capitulação de hodlers de longo prazo e de mineradores, ou seja, muitos desses players tiveram que vender e realizar prejuízo, devido ao momento de queda forte e prejuízo. Ele aponta que a capitulação também é um sinal de momento de queda extrema de mercado e de formação de fundos.

"Se não tivermos nenhum evento macroeconômico ou geopolítico inesperado e se a inflação der sinais de recuo, existe a chance de vermos o preço do Bitcoin retomando o patamar entre US$ 25.000 e US$ 27.000 em agosto. Já se houver algum driver que cause muito otimismo no mercado, podemos ver uma recuperação maior, com o preço podendo alcançar a região dos US$ 30.000 novamente", afirmou.

No entanto, Ferreira destaca que apesar da continuidade da recuperação parecer ser o mais provável no curto prazo, a tendência ainda é de queda e essa pode ser uma recuperação que poderá encontrar novamente apetite vendedor mais acima. Diante disso ele elencou os principais acontecimentos que devem movimentar o preço do Bitcoin em agosto.

  • Indicadores de atividade e consumo nos EUA, que continuarão mostrando o nível dos efeitos das altas de juros na inflação dos EUA e qual será o grau da recessão que deve ocorrer. Se leve ou pesada. Esses indicadores irão balizar a decisão do Fed na próxima reunião do FOMC, que ocorrerá nos dias 20 e 21 de setembro.
  • O assunto relacionado à situação das empresas que entraram em falência parece ter perdido um pouco a relevância, mas pode voltar à tona, especialmente se o bear-market continuar.
  • A regulação também é um tema que deve ficar cada vez mais em evidência, com órgãos reguladores tentando entender como classificar os criptoativos, se commodities, securities ou títulos financeiros.

Quero estar errado, mas não vai para US$ 30 mil

Paulo Aragão, co-fundador do CriptoFácil, aponta que o mercado de criptomoeda é muito dependente da análise fundamentalista e, por esse motivo, ele acredita que muitas previsões baseadas em análise gráfica acabam caindo por terra pois é impossível saber como o mercado irá se comportar.

"Porém, se nenhum acontecimento desastroso ocorrer, eu não acredito em qualquer alta acima de US$ 27 mil. Devemos negociar em agosto em um longo range de US$ 18 mil a US$ 27 mil, nada além disso", analisa.

Caio Villa, diretor de investimentos da Uniera, aponta que é mais provável o Bitcoin retroceder para US$ 18 mil do que subir para US$ 30 mil. Segundo ele, o BTC só deve voltar a atingir esta marca em setembro ou outubro, quando ele acredita que o amplo mercado de criptomoedas começará a esboçar uma recuperação.

"Muito difícil de acontecer uma subida expressiva. Então voltar na casa dos US $30 mil acho difícil no próximo mês, porém espero que eu esteja errado. Acredito que em agosto o BTC pode inclusive voltar a marca de US$ 18 mil dada a volatilidade que o ativo irá enfrentar no mês. Ainda estamos em um período de capitulação, então ainda tem que voltar mais um pouquinho para que possamos iniciar um novo movimento de alta", apontou.

Segundo Villa, o topo do BTC em julho deve ficar em US$ 24 mil e, já a partir do dia 29 a maior criptomoeda do mercado deve iniciar um período de 10 dias de baixa.

Já André Franco, Head da área de Research do Mercado Bitcoin, acredita que o Bitcoin deve subir em agosto e pode até bater os US$ 30 mil. O analista destaca que sua previsão é uma alta entre US$ 25 mil e US$ 30 mil para o mês, mas nada além disso.

"Dado o contexto em que estamos eu acho muito provável que o Bitcoin seja negociado acima de US$ 25 mil, não sei se tem força suficiente para chegar a US$ 30 mil, mas algo entre US$ 25 mil e US$ 30 mil é provável e é onde estamos posicionando parte de nosso portfólio com essa tese em mente", revelou.

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