Seguros Unimed financia conservação ambiental com pagamentos automatizados via blockchain desenvolvida pela 6BIOS.
Oráculos, IA e contratos inteligentes monitoram biomas e liberam recursos após confirmação da preservação.
Novo acordo com a UFPB amplia pesquisas em transparência e auditoria ambiental com tecnologia blockchain.
A Seguros Unimed revelou que passou a usar blockchain, oráculos e contratos inteligentes para financiar a conservação de biomas brasileiros por meio de um projeto desenvolvido pela empresa 6BIOS Tecnologias Ambientais.
A iniciativa, criada a partir de pesquisas da PUC-Rio e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), combina monitoramento ambiental automatizado e pagamentos digitais condicionados à preservação da vegetação nativa. Recentemente, o projeto também recebeu um novo aporte para pesquisa e desenvolvimento, conforme publicado nesta terça, 24, no Diário Oficial da União.
A proposta integra empresas patrocinadoras, proprietários de áreas preservadas e sistemas de verificação ambiental em uma única plataforma digital. O modelo busca automatizar processos de monitoramento e repasse financeiro, reduzindo intervenção humana e ampliando a rastreabilidade das ações de conservação.
Projeto conecta preservação ambiental a pagamentos automatizados
O sistema desenvolvido pela 6BIOS reúne dados ambientais, contratos digitais e mecanismos de auditoria em uma arquitetura baseada em blockchain. A Seguros Unimed financia áreas preservadas, enquanto proprietários rurais, comunidades tradicionais e pequenos produtores atuam como responsáveis pela proteção da vegetação nativa.
Cinco propriedades apoiadas pela seguradora já recebem pagamentos mensais vinculados à conservação efetiva das áreas. Segundo os desenvolvedores, o projeto alcançou a segunda parcela de seu contrato anual, indicando continuidade operacional do modelo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
A plataforma utiliza dados multisensoriais e imagens de satélite para acompanhar as condições ambientais das reservas. Esses dados alimentam sistemas chamados oráculos, que funcionam como pontes entre o ambiente físico e o registro digital em blockchain.

Quando os algoritmos confirmam a manutenção da vegetação nativa, contratos inteligentes executam automaticamente o pagamento aos responsáveis pela preservação. O sistema registra todas as operações de forma permanente e auditável.
A estrutura tecnológica também incorpora inteligência artificial e técnicas de aprendizado profundo para analisar informações ambientais e validar indicadores de preservação. Segundo a empresa, os algoritmos processam dados sobre cobertura vegetal, sequestro de carbono e evolução dos biomas.
Além do monitoramento remoto, a plataforma armazena contratos digitais com dados de patrocinadores, preservadores e áreas protegidas. O sistema opera em arquitetura de microserviços hospedada em servidores distribuídos globalmente.
Os usuários acessam a plataforma por aplicativos móveis. Patrocinadores acompanham o status das reservas e recebem certificados de preservação, enquanto proprietários monitoram pagamentos e contratos firmados.
O modelo também prevê a geração de créditos ambientais associados às áreas monitoradas. Empresas patrocinadoras podem utilizar esses ativos para estratégias de sustentabilidade corporativa, embora o mercado de créditos de carbono ainda enfrente questionamentos sobre padrões de verificação e qualidade metodológica.
A 6BIOS afirma que o uso de blockchain pode reduzir riscos de fraude, atrasos ou decisões administrativas subjetivas, ao automatizar pagamentos com base em dados verificados.

