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Helen Partz
Escrito por Helen Partz,Redator
Bryan O'Shea
Revisado por Bryan O'Shea,Editor da Equipe

CEO do Telegram enfrenta investigação na Rússia por alegações de facilitação de terrorismo

Autoridades russas afirmam que o aplicativo de mensagens Telegram se recusou a remover 155.000 canais sinalizados por conteúdo ilegal, segundo vários relatos da mídia.

CEO do Telegram enfrenta investigação na Rússia por alegações de facilitação de terrorismo
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Autoridades russas abriram uma investigação criminal contra o cofundador e CEO do Telegram, Pavel Durov, segundo relatos da mídia estatal.

Durov está sendo investigado na Rússia como parte de um processo criminal envolvendo alegações de facilitação de atividades terroristas, informou na terça-feira a publicação estatal Rossiyskaya Gazeta, citando o Serviço Federal de Segurança (FSB).

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, teria confirmado a investigação, afirmando que as notícias se baseavam em materiais do FSB, que estava “cumprindo suas funções”.

A nova informação aumenta a pressão contínua contra o Telegram na Rússia desde que o órgão regulador estatal Roskomnadzor endureceu as restrições ao aplicativo de mensagens no início de fevereiro.

O Telegram não havia respondido aos relatos até o momento da publicação. O Cointelegraph entrou em contato com a empresa para comentar, mas não recebeu resposta imediata.

Telegram se recusa a cooperar com autoridades russas

A investigação relatada ocorre após a recusa do Telegram em cumprir as exigências da Roskomnadzor para remover conteúdos que o órgão classificou como ligados ao extremismo.

Segundo o jornal Komsomolskaya Pravda, ligado ao Estado, o Telegram não removeu quase 155.000 canais, chats e bots sinalizados localmente por conteúdo ilegal ou nocivo.

As maiores categorias incluem 104.093 canais contendo informações falsas, 10.598 promovendo extremismo, 4.168 justificando atividades extremistas e 3.771 relacionados a drogas.

A investigação pode levar toda a plataforma a ser classificada como extremista, alertou o ex-conselheiro presidencial russo para internet German Klimenko. Segundo ele, isso poderia criminalizar pagamentos de assinaturas do Telegram Premium e publicidade na plataforma.

Durov acusa a Rússia de pressionar o Telegram para favorecer aplicativo de mensagens estatal

O CEO do Telegram confirmou posteriormente que autoridades russas abriram um processo criminal contra ele em uma publicação no X na terça-feira.

“A cada dia, as autoridades fabricam novos pretextos para restringir o acesso dos russos ao Telegram enquanto tentam suprimir o direito à privacidade e à liberdade de expressão”, escreveu Durov. “Um triste espetáculo de um Estado com medo do próprio povo”, acrescentou.

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Fonte: Pavel Durov

Durov já havia afirmado que a pressão busca direcionar usuários para um novo aplicativo de mensagens apoiado pelo Estado chamado MAX.

Ele acrescentou que outros países, incluindo o Irã, tentaram estratégias semelhantes e fracassaram. “Apesar da proibição, a maioria dos iranianos ainda usa o Telegram e o prefere a aplicativos sob vigilância”, escreveu Durov em seu canal no Telegram em 10 de fevereiro.

“Restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta correta. O Telegram defende a liberdade de expressão e a privacidade, independentemente da pressão”, acrescentou.

A investigação russa ocorre enquanto Durov continua sob escrutínio no exterior. Ele também faz parte de uma investigação em andamento na França desde sua prisão em agosto de 2024.

As autoridades francesas suspenderam a proibição de viagem imposta a Durov em novembro de 2025, após afirmarem anteriormente que ele poderia enfrentar até 10 anos de prisão.


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