'Infelizmente amigo, vocês estão certos', diz consultor jurídico do Grupo Bitcoin Banco a cliente desesperado

Usuários em grupos do aplicativo Telegram repercutem nas últimas horas uma série de capturas de tela que teriam como origem uma conversa datada desta quinta feira (19) entre um cliente insatisfeito do Grupo Bitcoin Banco (GBB) e o consultor jurídico do grupo, Jorge Fayad.

As capturas mostrariam o cliente cobrando o consultor sobre os prazos anteriormente mencionados em uma conversa particular entre eles dizendo que Fayad havia pedido que ele esperasse de 7 a 14 dias para solução dos problemas, mas a conversa já datava de 19 dias. Então a pessoa diz: "Qual a opinião agora? Estou cada vez mais desesperado. Nem o saldo aparece mais na plataforma nova".

A essa abordagem o consultor jurídico responde: "infelizmente amigo, vocês estão certos. Compreendo a angústia de vocês. Infelizmente não tenho a chave do cofre. Sequer posso falar a palavra acreditar", desabafa Fayad.

Os usuários que trocam as imagens pelo Telegram especulam se Fayad estaria se referindo não somente ao seu interlocutor imediato, mas a todos os clientes que estariam desesperados e revoltados com a situação do bloqueio dos saques dos seus valores pelas plataformas do GBB.

Depois disso, o suposto cliente insiste em respostas às suas perguntas: "Quem tem a chave? Onde está o dinheiro? Onde estão os bitcoins? É vergonhoso tudo isso. Todos vocês se envolveram com um bandido estelionatário."

Então Fayad dá a seguinte resposta: "Lamentável. Não tenho mais nada a dizer a não ser dizer que vocês todos estão corretos. Sem sombra de dúvidas se realmente alguém agiu de má-fé a Justiça saberá distinguir o joio do trigo."

O cliente posteriormente pergunta se Fayad continua trabalhando para o GBB ou se "saiu desse lugar maldito" e recebe a seguinte resposta evasiva: "Não estou indo mais aí. Meu sócio está indo para atender áreas cíveis", diz, finalizando a conversa.

Depois da repercussão da conversa, Fayad se manifestou nos grupos do Telegram dizendo ser "profissional íntegro e pessoa transparente" repudiando interpretações maldosas de suas mensagens. 

O consultor jurídico esclarece que é "advogado externo e não funcionário do GBB" e em decorrência disso não tem poder de decisão nem de pagamento. 

"Entendo e compreendo a situação dos clientes em reivindicarem aquilo que entenderem de direito, mas não emiti qualquer opinião ou juízo de valor sobre pessoas e muito menos sobre meus clientes", finaliza.

O GBB bloqueou os saques há cerca de 4 meses e desde então tem anunciado uma série de iniciativas para tentar acalmar os ânimos dos clientes de suas plataformas, mas nenhuma delas foi efetiva e os saques permanecem indisponíveis. Há centenas de processos judiciais de pessoas lesadas nesse contexto.

Conforme publicado pelo Cointelegraph, a Justiça brasileira autorizou recentemente busca e apreensão no valor de R$ 63 milhões no GBB.