ONU faz parceria com ONG para tokenizar barras de chocolate para comércio equitativo

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento fez parceria com a ONG holandesa FairChain Foundation para usar a blockchain para o financiamento mais equitativo dos produtores de cacau.

De acordo com uma reportagem de 17 de outubro da SpringWise, os parceiros lançarão uma nova barra de chocolate, feita com cacau cultivado no Equador, juntamente com um esquema baseado em token que permite que os consumidores contribuam diretamente com os produtores de cacau.

A blockchain pode "transformar todos os produtos em um mecanismo de impacto capitalista"

Conforme descreve a matéria, cada barra - comercializada sob o nome "The Other Bar" - contém um código QR em seu invólucro que os consumidores podem usar para doar um token de blockchain diretamente aos agricultores.

Quando digitalizado, o código QR também revela quanto foi pago ao agricultor pelo cacau usado para produzir sua barra, além de indicar as coordenadas GPS do produtor da fruta a partir da qual o cacau de sua barra foi colhido.

De acordo com a SpringWire, enquanto a produção de chocolate representa uma indústria global de US$ 92 bilhões, atualmente os agricultores recebem apenas 3% do valor do cacau usado para produtos comercializados. Muitos deles não recebem um salário digno.

O projeto da FairChain aspira garantir que os agricultores sejam mais bem pagos pelo cacau, com o objetivo de atingir um preço de 3.080 € por tonelada métrica para o cacau. A FairTrade paga aos agricultores 3.080 € por tonelada, enquanto os compradores comerciais pagam aproximadamente 1.721 €.

O fundador da FairChain Foundation, Guido van Staveren, disse que:

"A ideia toda é usar a tecnologia para influenciar o comportamento do consumidor e basicamente transformar todos os produtos em um mecanismo de impacto capitalista".

Transparência na doação

Segundo informações, cada um dos tokens do projeto The Other Bar vale cerca de um quarto do valor de um cacau. O financiamento arrecadado será usado para plantar novas árvores, com os consumidores capazes de rastrear o impacto de suas doações usando dados registrados no blockchain.

Conforme relatado, a ONU vem explorando vários casos de uso - em grande parte humanitários - da tecnologia blockchain, começando com o uso da blockchain Ethereum para transferir cupons baseados em criptomoedas para refugiados na Síria, seguidos por um sistema de identidade digital baseado em blockchain projetado para combater o tráfico de crianças em todo o mundo.

Em julho, a ONU divulgou sua pesquisa sobre soluções blockchain para promover o desenvolvimento urbano sustentável no Afeganistão.

Porém, o chefe do Programa Global de Cibercrime do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime alertou recentemente que as criptomoedas descentralizadas tornaram o combate à lavagem de dinheiro, cibercrime e financiamento ao terrorismo significativamente mais difícil.