A ‘primeira onda das fintechs’, iniciada em 2013, foi caracterizada pela atuação de novas instituições para serviços de pagamento, com efeitos como a inclusão financeira e melhor eficiência em diversos serviços. John Paz, COO e Country Manager Brasil da Pomelo, diz ao Cointelegraph Brasil como será a segunda onda das fintechs, e como a ‘tokenização como serviço’ se encaixa nesse movimento.

Serviços especializados

A diversidade na oferta de serviços vista nos últimos dez anos tem permitido que as empresas, fintechs ou não, não precisem desenvolver soluções ‘em casa’, aponta Paz. Ele menciona como exemplos de serviços que podem ser terceirizados: a infraestrutura financeira, a operação de cartões, a licença da bandeira e os trâmites regulatórios de atividades. 

“A alta competitividade, junto de nichos mal atendidos, permite que as empresas e fintechs estejam muito mais focadas em sua atividade principal, na qual conseguem trazer mais valor a seus usuários”, destaca Paz. 

Nesse ambiente de fintechs que oferecem serviços especializados, a oferta de "tokenização como serviço" encontrará espaço, afirma o COO da Pomelo. Paz indica como possíveis áreas de atuação dessas fintechs a emissão de tokens, conformidade regulatória, custódia de ativos digitais e facilitação de negociação e liquidez, embora desafios regulatórios e de confiança precisem ser superados para garantir a adoção em larga escala.  

Apesar dos diversos cenários de aplicação, Paz dá destaque especial à tokenização de ativos do mundo real (RWA, na sigla em inglês). 

“Alguns casos de usos que estamos vendo no mundo estão em tokenização de ativos agrícolas, imóveis, títulos, artes e colecionáveis, moedas digitais e stablecoins. Esses são apenas alguns exemplos de casos de uso da tokenização de ativos. À medida que a tecnologia avança e a regulamentação se desenvolve, novos casos de uso surgirão, impulsionando a inovação nas fintechs e do ecossistema blockchain.”

Interesse de aceleradoras pode crescer

A tecnologia blockchain e suas aplicações, como a tokenização, têm sido incluídas com mais frequência nos pontos de interesse das aceleradoras. 

Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, um exemplo recente é o Next, programa de aceleração da Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac). Dentre as startups buscadas pela Fenasbac, estão aquelas envolvidas com inteligência artificial e blockchain.

Na visão de John Paz, as aceleradoras devem aumentar o apoio às fintechs dedicadas à tokenização e à tecnologia blockchain, principalmente com o aumento da adoção desses serviços no setor financeiro.

“Temos visto as aceleradoras mais abertas e pioneiras com relação a tecnologias novas como blockchain, que oferecem benefícios significativos em termos de transparência e segurança, enquanto a tokenização cria novas oportunidades de negócios. As aceleradoras desempenham um papel importante ao fornecer recursos e orientação especializada para impulsionar a inovação nesse campo e conectar as fintechs a parceiros, possíveis clientes e investidores relevantes”, conclui Paz.

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