Nesta terça, 28, o volume de negociação no mercado de criptomoedas aumentou com a retomada dos mercados norte-americanos depois do feriado. No entanto, apesar da alta nas negociações o preço do Bitcoin e das principais altcoins quase não se moveu nas últimas 24h.
Segundo Beto Fernandes, analista da Foxbit, o que é interessante observar agora é que os investidores estavam um tanto quanto otimistas com o desempenho do Bitcoin este mês. No vencimento mensal de opções, uma grande parte esperava o BTC acima dos US$ 72 mil, o que, hoje, não é impossível, mas um pouco mais improvável, se nenhum gatilho expressivo acontecer.
"Uma boa ajuda pode vir da prévia do PIB norte-americano. Dependendo da leitura do mercado, as ações de risco, como o Bitcoin, podem voltar a ver uma participação forte de capital. Em meio a isso, as falas dos representantes do FED sobre a manutenção dos juros não parecem mais terem grande influência no mercado, em tese, eliminando um possível ruído", disse.
Comentando sobre o desempenho do mercado, Renato Duarte, especialista em investimentos do Grupo Fractal, destaca que o panorama do mercado de criptomoedas na última semana trouxe vários pontos positivos, consolidando ainda mais essa classe de ativos no cenário financeiro global.
"A aprovação do ETF de Bitcoin em janeiro e, mais recentemente, do ETF de Ethereum na última quinta-feira (23/05), marca um momento histórico para o mercado. Esses ETFs, agora acessíveis aos investidores em mercados regulados, facilitam a entrada de capital de grandes investidores, bancos e fundos de pensão ao redor do mundo. A aprovação dos ETFs atrai um grande fluxo financeiro, elevando o preço dos ativos", destacou.
Segundo Duarte, considerando o longo prazo, o cenário é extremamente promissor para o mercado de criptoativos. No entanto, ele aponta que é essencial que os investidores fiquem atentos às oscilações de curto prazo, que podem ser influenciadas pelo cenário macroeconômico, especialmente relacionado à inflação nos Estados Unidos e às decisões de taxa de juros por parte do Federal Reserve (FED).
'Este movimento cada vez mais demonstra que não somente instituições e investidores estão adotando Bitcoin, mas também os próprios países, devido à escassez do ativo. O mercado de criptoativos está em um caminho de amadurecimento e expansão, com um potencial significativo de crescimento e adoção global", afirmou.
Bitcoin vai chegar a US$ 100 mil em 2024
Segundo ele, a performance do Bitcoin em 2024 já é impressionante: +54% year-to-date (YTD), batendo praticamente todos os benchmarks de outros produtos de renda variável.
"Mais uma vez esses movimentos de preço reforçam a tese de que o Bitcoin veio para ficar e é uma opção extremamente convexa para quem quer ampliar as possibilidades de ganhos. Gosto de recomendar uma exposição, ainda que pequena, em Bitcoin para amigos e familiares porque é uma poupança de longo prazo com potencial de valorização gigantesco. Acredito que veremos ainda em 2024 movimentos mais fortes que devem levar os preços para além da alta histórica dos 73 mil", afirmou.
Na mesma linha, o CIO da TC Pandhora, Jorge Souto, destaca que o mercado deve continuar forte, restando apenas um catalisador para sair desse intervalo, especialmente no caso do Bitcoin. No entanto, quem gerou esse movimento foi o ETF Spot de Ethereum, que foi aprovado e deve começar a ser negociado nas bolsas em um ou dois meses.
"O mercado vai antecipar a função do ETF Spot BTC no Ethereum, e devemos ver um fluxo para o BTC, para o ETF Spot e uma antecipação de fluxo no Ethereum também. Isso deve trazer fluxo para altcoins, para o mercado cripto e para a classe de ativos em geral. São poucos os cenários possíveis em que o mercado não continue subindo, com o Ethereum rompendo a última máxima, que é em torno de 4 mil dólares, e, em seguida, o BTC também tentando esse movimento e alcançando o rompimento", afirmou.
João Piccioni, diretor de Investimentos da Empiricus, disse em entrevista exclusiva ao podcast PodInvestir, do site Inteligência Financeira, que o Bitcoin vai chegar a US$ 100 mil em 2024, esse cenário, segundo ele, será impulsionado pelo aumento da procura dos investidores institucionais. De acordo com Piccioni, esse movimento das instituições já vem sido notado e o apetite deve se manter.
“Elas vão continuar comprando esse ativo dentro do portfólio, como estão comprando, de certa forma, o ouro - dentro dessa visão de reserva de valor. E o bitcoin tem essa característica, de ser um ativo desejável. As pessoas físicas desejam ter no seu portfólio. Estamos começando a avançar, a crescer, então, sim, US$ 100 mil é bem factível para o final do ano”, comentou.
Durante a mesma conversa, Marcello Cestari, especialista em fundos de criptoativos também da Empiricus, se mostrou bastante otimista com o mercado e apontou que os brasileiros parecem estar mais abertos a esse investimento.
“Eu acho que o Bitcoin tem muito potencial de alta ainda. O mercado que tem muito potencial, ainda é a hora de entrar nesse mercado.”, completou.