Durante uma conversa com jornalistas brasileiros presentes na Ripple Swell, Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg Intelligence, destacou que o cenário de impressão desenfreada de dinheiro por parte dos governos pode impulsionar ainda mais o interesse das pessoas pelo Bitcoin.

Balchunas afirmou que a busca por uma reserva de valor, como o Bitcoin, será intensificada à medida que governos ao redor do mundo continuarem a imprimir dinheiro para lidar com crises políticas e econômicas.

"Outro ponto é que os governos estão imprimindo dinheiro sem parar para resolver problemas políticos ou econômicos. Quanto mais dinheiro for impresso, mais as pessoas buscarão um ativo de reserva de valor como o Bitcoin", disse.

Segundo Balchunas, o Bitcoin está se consolidando como uma alternativa segura frente à contínua desvalorização das moedas fiduciárias. “Alguém chamou o Bitcoin de ‘Segunda Emenda do dinheiro’, e isso faz muito sentido”, afirmou o analista, fazendo uma analogia com a Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante o direito de portar armas para autodefesa.

Para ele, o Bitcoin pode ser visto da mesma forma: uma forma de se proteger contra a imprudência dos governos na gestão monetária.

Balchunas acredita que, assim como muitas pessoas possuem armas para se proteger de um eventual colapso governamental, o Bitcoin será uma reserva de valor para aqueles que querem se proteger da impressão excessiva de dinheiro.

"Você pode amar o seu governo, mas se ele perder o controle e continuar jogando dinheiro em todos os problemas, o Bitcoin te protegerá disso", afirmou.

Confira a entrevista completa que contou com o Cointelegraph Brasil; Ricardo Bomfim, do Valor Econômico e Mariana Maria, da Exame.

Importância do Bitcoin

Qual você acha que é a importância das criptomoedas, considerando os aplicativos que estão ajudando a impulsionar o marketing de cripto nos EUA e em outros países?

Eric Balchunas: É enorme, porque isso torna as criptos mais acessíveis. Há muita fricção envolvida com as criptomoedas. Você precisa comprá-las, e se você pedir para uma pessoa mais velha seguir os passos para configurar uma carteira, elas podem ter dificuldades. A maioria das pessoas tem dificuldade até para entrar no Amazon, entende?

Então, clicar em um botão e possuir cripto por uma taxa baixa, sem fricção, e continuar com sua vida é algo atraente para 95% da população que não se importa tanto com os detalhes, mas quer investir. Então, você vai atrair todas essas pessoas que não são tão entusiastas.

Elas podem acessar facilmente por qualquer conta de corretagem, como Schwab, TD Ameritrade e Fidelity, que são grandes, com dezenas de milhões de usuários, e são marcas confiáveis, com 50 anos de mercado. Quando você junta marcas confiáveis, regulamentação, baixos custos e zero fricção, isso se torna uma proposta de valor muito atraente.

Qual a importância disso para o mercado de cripto fora dos Estados Unidos?

Eric Balchunas: "Number go up" (número sobe). À medida que mais pessoas compram, o valor de mercado deve crescer. Para alguns, o ETF será como uma porta de entrada. Elas vão aprender mais, perceber que ele protege contra a inflação e podem vender o ETF para comprar diretamente o ativo.

Mas muitas pessoas usarão como o ETF de ouro, como uma proteção contra a inflação. Elas podem nunca comprar Bitcoin diretamente, mas vão usá-lo no portfólio através do ETF. Isso traz legitimidade e confiança para o cripto. Vamos encarar, é uma classe de ativos fascinante, com muita gente inteligente, mas já houve muita fraude, especialmente com SBF, que atrasou o setor em uns cinco anos. Agora, a entrada da BlackRock e da Fidelity está ajudando a compensar isso, trazendo legitimidade novamente.

Outro ponto é que os governos estão imprimindo dinheiro sem parar para resolver problemas políticos ou econômicos. Quanto mais dinheiro for impresso, mais as pessoas buscarão um ativo de reserva de valor como o Bitcoin. Alguém chamou o Bitcoin de 'Segunda Emenda do dinheiro', e isso ressoa com muitas pessoas. Assim como alguém pode ter uma arma para se proteger, as pessoas podem ver o Bitcoin como proteção contra a impressão desenfreada de dinheiro.

Apocalipse

Então, não é necessário possuir o Bitcoin diretamente para se beneficiar dele, certo?

Eric Balchunas: Correto. Agora, em um cenário apocalíptico estilo Mad Max, onde o governo colapsa, o ETF não vai ajudar. O Bitcoin vai ajudar? Talvez, mas vamos ter internet nesse mundo? O ETF não é para cenários do fim do mundo, mas para a maioria das pessoas, é uma maneira conveniente de se proteger contra o governo, assim como o ouro.

O Bitcoin é como o ouro jovem—um adolescente rebelde. Ele tem atitude, mas serve ao mesmo propósito, com mais volatilidade e potencial de valorização. Ele se encaixa bem nos portfólios modernos, especialmente com ativos especulativos.

Os ETFs de Bitcoin estão perto de ter mais Bitcoins do que as reservas de Satoshi. O que você acha disso?

Eric Balchunas: Atualmente, eles têm 85% do que Satoshi possui. Até o Natal, podem ultrapassar. Isso pode causar certa tensão. As pessoas ficam felizes que o "número subiu", mas podem se sentir divididas porque é o Larry Fink que está por trás disso.

No fim, seja Binance ou Coinbase, essas exchanges são apenas intermediários. O ETF é uma versão melhor de uma exchange, oferecendo uma ponte para o mercado mais amplo. Isso era inevitável. O que é interessante é o quão rápido tudo isso aconteceu.

Os EUA têm ETFs de Bitcoin e Ethereum, enquanto no Brasil já existem ETFs de Solana e outras criptomoedas. Você acha que isso vai acontecer em breve nos Estados Unidos?

Eric Balchunas: Em breve, teremos ETFs de Ether-Bitcoin. Se o Trump ganhar, acho que veremos ainda mais—um verdadeiro 'coin-o-rama'. Ele provavelmente nomeará alguém libertário para chefiar a SEC, o que abrirá muitas portas.

Se a Harris ganhar, eu diria que tudo será adiado por cinco anos. Mas, por enquanto, é principalmente Bitcoin. As pessoas podem não entender outras moedas. Ouro e Bitcoin são fáceis de entender; o Ether é mais complicado, e isso torna as coisas mais difíceis para os investidores comuns.

Recentemente, a BlackRock e outras gestoras disseram que os ETFs nos EUA e em outros países terão mais Bitcoins do que as exchanges. Você acha que isso é possível?

Eric Balchunas: Sim, os ETFs podem ter mais, mas tecnicamente, a Coinbase ainda vai custodiar a maior parte. Mas, com o tempo, os ETFs vão se tornar os principais detentores. ETFs são disruptivos. As pessoas no cripto pensam que são os disruptores, mas os ETFs são igualmente disruptivos.

Eles são enxutos, baratos, e quando começarem a oferecer opções com taxas baixas, será difícil para as exchanges competirem. As exchanges ainda terão seu espaço, especialmente com negociações de risco alto e especulativas, mas a adoção mainstream do Bitcoin provavelmente virá através dos ETFs.