Estudo indica que número de golpes com criptomoedas no Twitter cresceu 95% no último ano

O pesquisador de cybersegurança da MyCrypto, Harry Denly, publicou um relatório em que analisa centenas de usuários do Twitter e conclui que o número de golpes com criptomoedas na plataforma praticamente dobrou no último ano.

"Estamos fazendo uma promoção, envie-nos 0,5 ETH e lhe enviaremos 5 ETH de volta" é um exemplo de golpe comum na rede social.

Segundo a análise, o fato está diretamente ligado à recuperação do mercado em 2019, já que eram muito comuns em 2017, diminuiram mjuito em 2018, e voltaram com força total em 2019.

Denly decidiu analisar as novas contas responsáveis pelos golpes, por exemplo a data de suas criações e descobriu que a maioria  é bastante nova, criada ainda em 2019.

No entanto, uma quantidade considerável também foi comprada de usuários em 2009 e 2010. Isso ocorre provavelmente porque as contas com mais histórico têm menor probabilidade de serem expulsas do Twitter.

Denly decidiu cruzar os dados e mostrar como esses cadastros aumentaram em relação às subidas de preços do Bitcoin e do Ethereum. O que ele encontrou foi uma correlação direta. Nos últimos 3 meses, o número de contas fraudulentas no Twitter explodiu.

Essas contas do Twitter muitas vezes fingem ter uma marca azul. Eles também costumam comentar seus próprios posts, fazendo parecer que muitos recebem a suposta "recompensa" pelo sorteio.

De acordo com Denly, os relatos de fraude que ele acompanhou até agora arrecadaram em torno de 11,789 BTC (aproximadamente US$ 138.000) e 42,310 ETH (aproximadamente US$ 9.500).

Há muito pouco que pode ser feito além de denunciar essas contas para a rede social - e a ação da comunidade de relatá-las para o Twitter é essencial para o combate a este tipo de crime.

Uma tática que os golpistas costumam usar para não serem detectados é que eles nunca postam links. Em vez disso, publicam uma captura de tela com o link na imagem, o que impede que ela seja reconhecida pelas medidas automatizadas de anti-spam. 

Denly trabalhou para sinalizar esses endereços onde os fundos roubados estão localizados, mas é uma solução rápida para o problema é improvável. 

Uma ferramenta utilizada para tentar frear as negociações de criptoativos roubados é o bloqueio de depósitos de criptomoedas em exchanges. Uma vez identificados os endereços que possuem as criptomoedas roubadas, exchanges podem bloquear fundos originários destes endereços. 

Um dos serviços utilizados por hackers de criptomoedas é uma ferramenta que mescla diferentes moedas e as redistribui, favorecendo a anonimidade.

Como reportado pelo Cointelegraph, os fundos hackeados da exchange Binance foram lavados através de um serviço de mescla de criptomoedas chamado Chipmixer.