Completar um álbum de figurinhas é como uma prazerosa missão que envolve, além da compra dos colecionáveis, troca, negociações no mercado secundário e, inclusive, o “bafo”, uma disputa em que os jogadores depositam suas figurinhas com a estampa virada para baixo na tentativa de desvirar o colecionáveis a partir da batida da palma da mão contra os recortes de papel. Mas, em tempos de migração para o mundo virtual, principalmente das futuras gerações, os álbuns de figurinha em papel podem estar com os dias contados, embora devam perdurar por alguns anos, segundo alguns especialistas ligados ao mundo digital.
Para se ter uma ideia do volume movimentado por este mercado, a Panini, editora oficial do álbum de figurinhas da Copa do Catar 2022, registrou US$ 1,4 bilhão em vendas de adesivos da Copa da Rússia 2018, montante que representou mais do que o dobro da receita alcançada pela empresa no ano anterior, US$ 613 milhões, segundo uma publicação recente do The Guardian.
Na avaliação do diretor administrativo da Panini Reino Unido e Irlanda, Chris Clover, o sucesso da 14ª edição, da Copa do Catar, está relacionado à expectativa mundial, já que a empresa “sempre deu o pontapé inicial para grandes torneios internacionais de futebol.” Clover também exalta o novo visual do álbum que, segundo ele, “vai reunir pessoas de todas as idades para trocar e seguir seu caminho até a conclusão.”
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Além das 32 seleções classificadas para a Copa, que começa no próximo dia 20 de novembro, e das 670 figurinhas, que incluem 50 adesivos especiais conhecidos como “brilhantes”, o álbum da Panini também traz o peso da tradição, que começou na Copa do México em 1970. Costume que ainda deve perdurar por alguns anos, mas que tende a perder espaço com a migração das futuras gerações rumo ao mundo digital e consequente redução de interesse pelas coisas físicas, na opinião de alguns especialistas, de acordo com uma publicação veiculada pelo portal Terra.
É o caso da CEO da Internacional Digital Group (IDG) NFT, Sylmara Multini, que possui experiências relacionadas ao licenciamento de marcas como Warner Bros, Disney, Mattel e de produtos e lojas dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Para ela, a migração em direção ao mundo digital já está em curso, além do crescimento do abandono das coisas físicas, tendência que, segundo a executiva, inclui os álbuns físicos, embora ela acredite que a febre das figurinhas ainda vai perdurar por alguns anos.
A favor dos adesivos de papel está o pós-pandemia, que, na avaliação do CEO da empresa especializada em marketing esportivo Heatmap, Renê Salviano, representa um presente aos pais, filhos e amigos que, passado o isolamento social, podem se encontrar para trocar figurinhas. Mas ele também acredita na redução deste público consumidor, altamente digitalizado, o que deve levar a licenciadora a mesclar o físico, o digital e experiências de engajamento.
Enquanto isso, as plataforma de figurinhas em formato de tokens não fungíveis (NFTs) também avançam, como 'NFL All Day', cujo formato é o mesmo do NBA Top Shop, com NFTs de momentos exclusivos dos jogos e com edições limitadas.
Ainda que o futuro possa jogar por terra as previsões de derrocada dos álbuns de figurinha, os jovens esperam passar mais tempo no metaverso, pelo menos os jogadores entre 13 e 17 anos, que também estão dispostos a pagar mais por isso, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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