Jovem brasileiro finge ser megainvestidor e aplica golpe de R$3 milhões com criptomoedas no país

A Polícia Civil do Distrito Federal submeteu à Justiça cinco inquéritos denunciando crimes cometidos por Marlon Gonzalez Motta, que é acusado de estelionato e teria aplicado uma série de golpes envolvendo investimentos em moedas digitais em todo o Brasil. A informação é do portal Metrópoles, em 25 de agosto.

Segundo o texto, Motta possui uma rotina "digna de um grande milionário", viajando o mundo em jatos particulares e hotéis luxuosos. Porém, a rotina de magnata do suposto empresário já deixa um restro de golpes "que ultrapassa os R$ 3 milhões".

"Fingindo ser megainvestidor, o estelionatário usa a lábia para convencer operadores financeiros a pagarem fortunas em transações envolvendo moedas virtuais", diz a matéria.

Motta responde a cinco inquéritos, já submetidos ao Ministério Público, por crimes como estelionato, associação criminosa, denunciação caluniosa, falsa comunicação de crime e fraude a seguro.

O modo de operação do suposto estelionatário tinha como base para convencimento dos investidores a impressão de Motta ser um grande empresário bem-sucedido, com apoio das redes sociais. Ele criava perfis em que simulava uma vida de sucesso, com carros de luxo e viagens a locais paradisíacos. Depois de aplicado o golpe, ele desativava os perfis e desaparecia.

Entre as vítimas ouvidas pelo Metrópoles está Alexandre Dantas, representante da empresa chinesa de investimentos em criptomoedas Dsundc Limited, que foi convencido por Motta a investir US$ 150 mil e nunca recebeu as moedas pelas quais teria pago.

Para aplicar o golpe, Motta teria aberto contas bancárias de fachada em nome de empresas chinesas e enviado um representante a Hong Kong para concluir a transação. Depois de transferido o dinheiro, Motta teria alegado não ter recebido o montante e deixou de atender ligações.

Outro caso impressionante envolveu a Polícia Civil do DF. Marlon Motta teria sido reconhecido por credores e tentou negociar dívidas relacionadas a outros golpes. Ele assinou uma confissão de dívida e entregou um automóvel Mercedes avaliado em R$ 200 mil, além de um jet ski e um cheque no valor de R$ 40 milhões.

Porém, Motta teria logo depois acionado a seguradora e conseguido receber R$ 214 mil do seguro. Além disso, o cheque nominal no valor de R$ 40 milhões seria falso. O suposto estelionatário teria saído do país logo depois e se hospedado em um dos hotéis mais sofisticados da Suíça.

Depois de sofrer com o golpe de Motta, Alexandre Dantas teria iniciado uma investigação por contra própria, deparando-se com uma série de outras vítimas das ações de Motta:

"Além do nosso prejuízo, entramos em contato com várias pessoas no DF que perderam R$ 50 mi, R$ 100 mil e R$ 150 mil. O Marlon usava a proximidade com elas para convencie-las a investir".

A reportagem ainda diz que o suposto estelionatário usava duas formas de operação. A primeira seria oferecer os serviços de um bot de negociação, que segundo o texto não estaria corretamente configurado, levando a prejuízos dos investidores. E a segunda seria passar-se por um investidor de criptomoedas de sucesso. Suas vítimas preferidas eram jovens de alto poder aquisitivo que seriam iniciantes no mercado financeiro.

Os processos contra Marlon Motta agora aguardam parecer do Ministério Público.