Tesouro Selic, fundos de criptoativos aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e bolsa sofreram forte impacto negativo no mês de setembro.

Embora as razões para este impacto negativo ainda não possam ser determinadas o mês foi o pior para os fundos de criptoativos nacionais.

No Brasil há dois tipos de fundos com exposição a criptoativos. Um deles destinado ao público em geral e no qual, no máximo 20% é alocado em criptomoedas. 

Neste caso a queda observada em setembro foi de 1,85% a 2,35%.

Já o fundo voltado a investidores profissionais que pode ter 100% de exposição em criptomoedas tiveram uma variação negativa de  2,35% a 13%.

Criptomoedas e Ibovespa

Porém o mês de setembro não foi apenas ruim para os fundos com alocação em criptoatios, o período também foi marcado como o terceiro pior mês para as ações do Ibovespa de 2020. 

A queda foi de -5,23%, e adicionalmente também houve um impacto negativo no Tesouro Selic - considerado o título público mais tradicional, de acordo com a iHUB Investimentos. 

“Quanto ao mercado de ações: No primeiro trimestre, ocupam as duas primeiras posições com números negativos: fevereiro com -8,50% e março com -30,18%”, comenta, o sócio fundador da iHUB, Paulo Cunha.

 Tesouro Selic

Os papéis do Tesouro Selic, no mês de setembro, estavam sendo negociados com deságio no mercado secundário por falta de compradores interessados no papel.

 “Os fundos que investem 100% nesses papéis tiveram um retorno de 0,04% em setembro, contra 0,18% do CDI, uma diferença considerável”, comenta Cunha.

Outro ponto a ser destacado é que o mercado aponta que essa distorção deve ser momentânea, pois o natural é que os papéis voltem a acompanhar as taxas SELIC e CDI.

“O pano de fundo dessa movimentação é o receio com a agenda fiscal e de reformas com o governo. O mercado começa a por no preço que possivelmente os juros não fiquem mais estacionados em 2% ao ano com a SELIC, por tempo considerável, assim como se previa no mês de agosto”, completa Cunha.

Tesouro Selic ou Bitcoin

De acordo com Cunha, apesar dos resultados de setembro, o Tesouro Selic é considerado uma reserva de emergência natural.

Desta forma, para ele, o título possui baixíssimo risco de calote e também de apresentar retorno negativo no mês a mês.

Além disso, Cunha destaca que ele possui elevada liquidez para poder reaver os valores, em até um dia, caso precise do dinheiro.

“Setembro foi um mês incomum, por ter mostrado contradição sobre os benefícios do Tesouro Selic, devido à ameaça do cenário de forte aversão a risco e preocupações com as contas do governo”, explica. Para o portfólio, geralmente, recomenda-se entre 5% a 30% de investimento nesse tipo de aplicação, completa Cunha.

Já para o ex-vice presidente do JPMorgan na Suíça, Andrey Nousi,o Bitcoin é este  porto seguro em momentos de incerteza do mercado.

"O avanço das criptomoedas é notório. Passou por um momento de bolha em 2017 e 2018 e agora está muito melhor, uma vez passada aquela euforia irracional. E agora está sendo muito mais aceito até mesmo pelos big players", observa Nousi.

O ex-vice presidente do JPMorgam completou que o Bitcoin é uma das opções para preservar o valor do dinheiro, assim com o ouro e o dólar.

"Quando você não quer mais estar exposto ao Risco Brasil, você manda seu dinheiro para fora. Agora, o que você vai fazer com esse dinheiro? Existe uma série de oportunidades, como ouro, dólar e bitcoin", disse.

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