Apreensão de sapato e bens pessoais ligados ao GBB fazem bancos tradicionais se afastarem ainda mais de empresas de Bitcoin

A recente atenção que a mídia tradicional brasileira, em especial as reportagens veículadas na Folha de São Paulo e Valor Econômico, sobre penhoras judiciais e dificuldades em cumprir acordos por parte do Bitcoin Banco, têm feito com que bancos tradicionais redobrassem a atenção com relação a empresas de Bitcoin e criptomoedas.

Segundo um grande player do mercado, que falou com o Cointelegraph pedindo anonimato, após a mídia tradicional abordar os problemas do Grupo Bitcoin Banco, em especial a materia publicada hoje, 19 de agosto, que fala da tentantiva de penhora de sapatos e bens pessoais de Cláudio Oliveira, bancos tradicionais buscam evitar exposição a empresas de Bitcoin.

"Tinhamos uma série de projetos com um importante banco brasileiro que vinha sendo muito amigável a empresas de criptomoedas, no entanto, em reunião com nossa equipe, após a publicação das reportagens, todos os desenvolvimentos foram pausados", explica.

Ainda de acordo com o empresário o caso do Bitcoin Banco teria gerado um grande mal estar nas instituições bancárias que já não vêem com bons olhos o setor que, segundo eles, opera no mercado financeiro sem seguir as mesmas regras das instituições financeiras.

Argumento inclusive usado pelo Banco Santander em recente documento encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), e depois rebatido pela Associação Brasileira de Criptoeconomia e Blockchain.

O empresário destaca ainda que com as regras de Instrução Normativa e o recente 'envolvimento' do Bitcoin em grandes casos de crimes no Brasil, além do GBB, o hack das autoridades da Lava Jato e até mesmo o envolvimento de Eike Batista com criptomoedas, também ajudaram a deixar os bancos ainda mais receosos com a indutria dos criptoativos.

Como reportou o Cointelegraph, em uma ação judicial, aberta por um cliente do Grupo Bitcoin Banco, com saques atrasados na plataforma, a justiça determinou o bloqueio de bens pessoais de Cláudio Oliveira, controlador do GBB.

O novo bloqueio judicial, foi até a casa e a chácara do empresário e visava itens pessoais como obras de arte, jóias, quadros, relógios e até sapados da marca Louboutin, pertecentes a Oliveira e sua esposa.

"O dono do GBB foi alvo de ação de sequestro de bens, que alcançou sua casa e sua chácara, devido a uma decisão obtida no Judiciário pelo advogado Gustavo Bonini Guedes, em busca de obras de arte, quadros, relógios e joias. Os oficiais de Justiça estavam prontos para levar os bens pessoais de valor que encontrassem, inclusive calçados da refinada grife francesa. Como o Valor apurou, eles chegaram a ser empacotados, mas não foram removidos da casa após nova promessa de quitação dos débitos nesta segunda"