O descontrole da inflação global tem gerado pressão sobre os bancos centrais das economias mais desenvolvidas do planeta e, por consequência, têm impactado negativamente os ativos de risco, dadas as expectativas de que o aperto monetário atualmente em curso ganhe força adicional nos próximos meses.

No domingo, o Bitcoin (BTC) registrou seu pior fechamento semanal desde 27 de junho. Agora, em uma semana em que o Banco Central dos EUA (Fed) vai anunciar um novo aumento nas taxas de juros da maior economia do planeta, é muito provável que novas mínimas inferiores aos US$ 17.622, registrado em 18 de junho sejam atingidas, como destaca o analista Diego Consimo, fundador da Crypto Investidor:

"Na quarta feira, 21, teremos o anúncio do Fed sobre a magnitude do aumento da taxa de juros dos EUA. Embora o mercado já tenha precificado um aumento de 0,75%, entretanto, qualquer aumento acima deste patamar fará com que os mercados especulativos como o Bitcoin e as bolsas de valores sofram novas perdas substanciais."

Portanto, o atual fundo do ciclo, em US$ 17.622, é a zona a ser observada no momento. Se os touros conseguirem sustentá-la, destaca Consimo, as perdas poderão ser estancadas nesse nível formando um fundo duplo – uma configuração gráfica que costuma indicar reversões de tendência.

No entanto, alerta o analista, uma vez quebrada, o preço do Bitcoin entrará em águas ainda não navegadas no atual ciclo do mercado:

"Estamos otimistas com a possibilidade de o preço do BTC encontrar suporte na região dos U$17.500, formando assim um padrão de reversão chamado de fundo duplo. Contudo, não podemos descartar a possibilidade de que o FED surpreenda os mercados com um aumento da taxa de juros acima do esperado, causando pânico e provocando o conhecido Beartrap (falso movimento de perda de fundo seguido por uma reversão) na região de U$16.800."

Ainda assim, o canal descendente delineado no gráfico abaixo mostra que a força do Bitcoin para novos movimentos de alta é bastante limitada no momento. "No curto prazo, a região dos U$19.500 foi perdida e se tornou resistência. Caso rompida, o próximo alvo será U$22.000", diz Consimo.

Gráfico diário BTC/USDT (Binance) com indicação de 'Beartrap'. Fonte: Crypto Investidor (Trading View)

RSI é um fator de esperança

Embora haja poucas evidências on-chain ou mesmo fundamentos de análise técnica indicando tempos melhores para os touros, Consimo recorre à correlação com o mercado acionário para apontar um dos raros indicadores que ainda oferece perspectivas favoráveis a uma possível reversão de tendência da ação de preço do BTC:

"Um ponto importante a destacar é o comportamento do RSI – Índice de Força Relativa – tanto do Bitcoin quanto do S&P 500. Se observarmos na imagem abaixo, vemos uma LTA (Linha de Tendência de Alta) no tempo gráfico diário sendo formalmente respeitada. Tudo indica que uma reversão de tendência tende a ocorrer no próximo toque na LTA, lançando o RSI em um movimento ascendente."

Índice de Força Relativa (RSI) nos gráficos diários Bitcoin (à esquerda) e Índice S&P 500 (à direita). Fonte: Crypto Investidor (Trading View)

O Bitcoin abriu a segunda-feira,19, em forte queda, chegando a alcançar mínimas de US$ 18.232 nas primeiras horas do dia. No final da tarde, a maior criptomoeda do mercado recuperou suas perdas intradiárias e está cotado a US$ 19.525, operando em baixa de 0,8% nas últimas 24 horas, de acordo com dados do CoinGecko.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, a forte queda do Bitcoin coincide com o aumento do rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA e a valorização do dólar frente a outras moedas de reserva globais.

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