A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira (26) uma nova audiência para debater a criação do Real Digital.

A audiência é uma solicitação do deputado Áureo Ribeiro (Solidariedade/RJ) que, em seu requerimento, lembrou que o tema é recente e necessita ainda de "muitas discussões e definições que certamente envolvem questões legais". 

Ainda segundo o requerimento, o Brasil caminha para a utilização de uma moeda digital, conhecida pela sigla CBDC (Central Bank Digital Currency), que é um meio de pagamento que funciona como o dinheiro físico, para pagamentos, transferências e outros, e pode ser guardado em carteiras digitais.

As CBDCs são moedas virtuais emitidas pelos bancos centrais, o que significa que elas são reguladas por estes, e teriam a conversibilidade garantida com as respectivas moedas físicas. 

Com elas seriam ampliadas as formas de movimentação de recursos do sistema financeiro, o que incluiria transações internacionais, que seriam mais rápidas e baratas e, além disso, promoveriam a inclusão financeira e a segurança das transações digitais.

A audiência desta terça-feira (26) contará com a presença do country manager da R3 no Brasil, Keiji Sakai. A R3 é uma empresa de software de blockchain corporativo que conta com um ecossistema global de mais de 350 empresas participantes de diversos segmentos dos setores público e privado. 

Este ecossistema vem desenvolvendo o Corda, plataforma open-source de blockchain, e o Corda Enterprise, uma versão comercial do Corda para uso corporativo.

A presença da R3 na reunião mostra o interesse do governo em tirar dúvidas sobre a tecnologia blockchain.

O Cointelegraph publicou quando o Banco Central convidou Nubank e Febraban para debater emissão, queima, distribuição e custódia do Real Digital

O Real Digital, versão digital da moeda nacional, deve ser lançada pelo BC, em fase de testes, já no ano que vem.

Em maio deste ano de 2021, o Banco Central do Brasil lançou as diretrizes para o potencial desenvolvimento do real em formato digital - o Real Digital. 

Segundo o Banco, a ideia é estimular novos modelos de negócio que aumentem a eficiência do sistema de pagamentos de varejo. 

A nova moeda poderia se integrar naturalmente aos ecossistemas digitais e acompanhar o dinamismo da evolução tecnológica, além, claro, de se encaixar no contexto da agenda de modernização do Banco Central ("Agenda BC#"), o que daria potencial para a aplicação de novas tecnologias, como smart contracts, IoT e dinheiro programável.

Em abril deste ano, a China anunciou a criação do yuan digital, uma moeda para operações online que pode ser utilizada por meio de um aplicativo criado pelo Banco Central do país.

Para Keiji Sakai, com as CDBCs os bancos centrais podem melhorar o funcionamento do sistema monetário, facilitando a entrada de novos participantes para fomentar a inovação do setor privado nos serviços de pagamento. 

"Esses objetivos podem ser alcançados com a criação de plataformas de pagamento abertas que promovam a concorrência e a inovação, garantindo que os efeitos da rede sejam canalizados para um círculo virtuoso de maior concorrência e melhores serviços", afirma.

Além de Sakai, a audiência contará com a participação de Fabio Araújo, da Secretaria Executiva do Banco Central do Brasil; e Eduardo Diniz, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP). 

O encontro  virtual será realizado nesta terça-feira (26), às 17h, e poderá ser acompanhado pelo canal do Youtube da Câmara dos Deputados

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