Uma das maiores exchanges de criptomoedas do Brasil, a Mercado Bitcoin quer lançar mais tokens em sua exchange em 2020.
Recentemente, a empresa anunciou uma série de iniciativas para amplias sua oferta de ativos tokenizados, como tokens baseados em uma cesta de jogadores de futebol, dívidas de consórcios e, mais recentemente, anunciou que conversa com a Monkey Exchange para no futuro tokenizar recebíveis de empresas.
O Cointelegraph Brasil conversou com o diretor da Mercado Bitcoin, Fabricio Tota, que falou sobre os planos da exchange para 2020, sobre o difícil ano de 2019 para o mercado brasileiro, que sofreu com as pirâmides financeiras de Bitcoin e escândalos que levaram às quedas da Atlas Quantum e do Grupo Bitcoin Banco, sobre a stablecoin Libra do Facebook e muito mais. Confira abaixo:
Cointelegraph Brasil (CT) - Em 2019 uma série de empresas que diziam oferecer investimentos em criptomoedas entrou na mira da Justiça e da CVM por suspeitas de fraudes. Isso afetou o mercado?
Fabício Tota (FT) - Eu acho que algum impacto sempre vai ter, mas o meu objetivo é enxergar pelo lado bom. Vários desses golpes que usam criptomoedas como um pretexto, da mesma forma com que já usaram outros tipos de atrativos no passado, já foram encerrados. A gente teve algumas dessas supostas empresas que ao longo dos anos acabaram enfrentando problemas, e algumas delas eram de um tamanho bastante significativo no mercado. Muitos destes golpes sequer são notícia, porque eles se aproveitam do mercado cripto para práticas nocivas.
Prefiro ver do lado bom, tem a Mercado Bitcoin com as suas iniciativas, outros players importantes no mercado, exchanges também, que já estão há algum tempo no ecossistema e vêm fazendo um bom trabalho. É bom a gente começar um novo ano com um mercado de criptomoedas como ele é de fato.
CT - A stablecoin Libra do Facebook também gerou desconfiança dos reguladores e hoje há uma expectativa sobre se haverá seu lançamento ou não. A chegada das Big Techs no mercado vai trazer mais adoção?
FT - Com certeza, por mais que o Libra não se relacione diretamente com nenhuma outra criptomoeda, seja mais próxima de uma stablecoin na essência, digamos assim, ela também serve para fortalecer uma tese, faz com que a gente possa falar sobre exchanges, criptomoedas, carteiras e o mercado para um público mais amplo. Sem dúvida nenhuma traz benefícios pra esse ecossistema já estabelecido.
Se você pensar que o Facebook tem bilhões de usuários no mundo todo, você tem uma dimensão desse impacto, se a gente trouxer pro Brasil, o WhatsApp tem uma grande penetração no país, imagina ter uma função que você clica em um botão e envia um pagamento em criptomoeda para um conhecido, isso é muito interessante. Então acho que como um todo vai trazer benefícios, sim.
CT - Muito se fala sobre a expectativa sobre os preços com a chegada do halving do Bitcoin. Qual a sua opinião sobre o que deve ocorrer no mercado?
FT - Realmente, a gente teve dois halvings até hoje que foram seguidos por uma corrida de preços. Mas o mercado era completamente outro, imagina que no primeiro, há oito anos, depois no segundo há quatro anos, o mercado ainda era muito menor do que é hoje. Então eu acredito que sim, vai ter uma alta de preços, mas de uma forma não tão significativa quanto a dos dois últimos.
Hoje, nosso contexto é mais complexo, a gente tem outras forças atuando, outras grandes empresas entrando no mercado, adoção institucional, o crescimento dos futuros de Bitcoin da Bakkt, entre outros que fazem com que o halving seja um componente a mais para impactar no preço.
CT - Que tipo de investimentos a Mercado Bitcoin projeta em 2020?
FT - Nossa ideia sempre foi usar a blockchain para trabalhar com a tokenização de ativos reais. A primeira iniciativa foi a tokenização de precatórios, com títulos oriundos de ações dos estados, municípios e da própria União. É um mercado que já existe e é bastante forte, que hoje está concentrado no setor bancário, que não chega nas mãos do investidor comum, e tem um retorno bastante interessante com um risco de crédito que dá um relativo conforto. Ou seja, se você tem um título federal, você tem um risco de crédito similar ao tesouro direto, então é um risco que muitas vezes vale a pena e que dá um retorno muito maior que o título do tesouro direto.
A gente também pretende lançar tokenização outros ativos além dos precatórios em 2020. Além disso, pretendemos lançar mais tokens em 2020.