A polícia russa investiga uma extensa rede de tráfico de drogas que utiliza o Bitcoin como meio de pagamento e desenvolveu uma plataforma conhecida como Hydra, que permitia a distribuição dos entorpecentes utilizando dados de geolocalização. Segundo a revista Vice, o sistema funciona como se fosse um “Pokemon Go do tráfico".
Com 2,5 milhões de usuários registrados no site, a Hydra é considerada uma das maiores plataformas de e-commerce em operação deep web. Utilizando o Bitcoin nas comercializações, a rede pode ter movimentado US$ 1 bilhão apenas nos últimos quatro anos.
O sistema de entrega de entorpecentes da Hydra é completamente diferenciado dos demais. O programa de delivery da rede é parecido ao jogo “Pokémon Go”, onde usuários devem recolher pokémons a medida que andam pelas ruas com o celular em punho.
Ao invés de pokémons, os usuários da Hydra procuram pacotes com entorpecentes escondidos por traficantes em locais de difícil acesso.
O mecanismo de entrega de drogas do site é similar ao jogo “Pokémon Go”, por utilizar dados do GPS para informar aos usuários onde retirar a “encomenda”.
Traficante pagavam taxa em Bitcoin para usar sistema
A Hydra possui milhares de colaboradores responsáveis pelo processo de distribuição de droga. Popular na Rússia, a venda de narcóticos pela plataforma esconde pacotes em locais que são marcados com coordenadas de GPS, como se fosse um videogame.
Os dados servem para os usuários encontrarem o pacote depois que a compra for finalizada. Eles recebem informações sobre onde encontrar a substância com foto do local escolhido pelo traficante para esconder a droga.
Esse sistema de distribuição conta com colaboradores que recebem uma porcentagem para cada venda pela Hydra. Geralmente os entregadores trabalham para uma das cinco mil lojas hospedadas na plataforma que funciona na deep web.
Para participar do esquema, traficantes devem pagar US$ 80 em Bitcoin. O valor funciona como um “calção” para começar a entregar drogas como se fosse uma “caça ao tesouro”.
Uma traficante entrevistada pela Vice explica que eles também são responsáveis por manipular a droga. Em várias ocasiões são os entregadores que dividem o entorpecente em porções menores, posteriormente embaladas para a venda.
Chamada Galina, a jovem traficante entrou para o esquema após contrair dívidas com um empréstimo de dinheiro. Ela explica também que a comissão paga para esconder os pacotes varia de acordo com o tipo e quantidade de droga.
“Você pega 200 gramas de mefedrona. Leva para casa e embalá lá. Esse é um exercício muito demorado e chato, mas eu podia decidir quantas entregas de que peso queria fazer, o que é muito conveniente.”
O sofisticado sistema de entrega de drogas da Hydra começou a ser investigado após o assassinato de uma policial em outubro de 2018. As autoridades apontam que a morte da investigadora Evgenya Shishkina pode ter sido encomendada na Hydra, que até então era utilizada somente para a venda de narcóticos que funciona como se fosse um “Pokémon Go”.
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